sábado, 1 de fevereiro de 2014

Fora do arraial



O capítulo 7 do evangelho de João assinala que estava próxima a Festa dos Tabernáculos. Apesar de ter sido instituída por Deus no Antigo Testamento, aqui ela é chamada de "festa dos judeus". Por que dos judeus? Porque agora eles a celebravam para si mesmos, com o coração completamente afastado de Deus.

Afinal, Jesus procurava manter-se longe da Judeia porque os religiosos judeus, os mesmos que organizavam a festa, queriam matá-lo. Todo coração afastado de Deus quer se livrar de Jesus. E tem mais: não são apenas os religiosos judeus que estão longe dos pensamentos de Deus. Aqui os próprios irmãos de Jesus não creem nele e nem estão no verdadeiro espírito da festa instituída por Deus.

Durante a Festa dos Tabernáculos eles deviam morar em tendas por 7 dias para se lembrarem de que um dia foram peregrinos vivendo em um deserto. Este é também o espírito no qual os cristãos deveriam viver neste mundo: peregrinos sem morada definitiva.

Os irmãos de Jesus insistem para que ele vá a Jerusalém para que as pessoas vejam os milagres que ele é capaz de fazer e fique famoso. Afinal, raciocinam seus irmãos, quem quer ficar famoso não se esconde, mas se exibe para o mundo. Porém Jesus explica que o seu tempo ainda não chegou, isto é, de ser visto e reconhecido de uma extremidade à outra da Terra como acontecerá quando ele voltar.

O raciocínio dos irmãos de Jesus é igual ao de qualquer ser humano. Eles acham que Jesus faz milagres para chamar atenção sobre si. Às vésperas da festa que deveria representar o caráter peregrino do povo de Deus neste mundo, eles estão preocupados com fama e reconhecimento. Hoje, enquanto alguns cristãos estão preocupados com fama e reconhecimento, outros compartilham da vergonha e rejeição de Jesus e são criticados por seus próprios irmãos por não desejarem participar do grande circo em que se tornou a cristandade.

O capítulo 13 de Hebreus faz uma distinção clara entre os costumes e celebrações dos judeus e a Igreja, o povo peregrino de Deus neste mundo na atual dispensação. Lá diz: "Saiamos pois a ele [a Jesus] fora do arraial, levando o seu opróbrio. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a vindoura. Por ele, pois, ofereçamos sempre a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome".

Quando você percebe que a cristandade criou um sistema muito semelhante ao arraial dos judeus, não resta opção a não ser sair desse arraial cristão para compartilhar da vergonha e rejeição que Cristo tem neste mundo. Se você deseja oferecer sempre a Deus sacrifício de louvor como o fruto de lábios que confessam o nome de Jesus, e não outro nome, esta é a coisa certa a fazer: sair do arraial, mas sair para Jesus.