domingo, 26 de junho de 2016

Dirigindo-se a Deus Pai - Bruce Anstey

A expressão Pai Celestial é frequentemente usada pelos cristãos se dirigindo a Deus em oração. Eles estão convencidos de que esta é a maneira que nós temos de nos dirigir a Deus, porque o Senhor ensinou aos seus discípulos a orarem dessa maneira e Ele mesmo falou de Deus como Seu Pai Celestial (ou dos céus).

É realmente verdade que o Senhor ensinou seus discípulos a se dirigirem a Deus em oração como “Nosso Pai que estás nos céus”, a referirem-se a Ele como “o Pai celestial” deles (Mat. 6:9, 14 etc.).

Isto foi porque, naquele tempo, os seus discípulos eram um grupo terrenal de crentes, tendo promessas e esperanças terrenas, e o destino deles era viver na terra o reino que Deus prometeu estabelecer – se a nação o recebesse como Seu messias. Eles eram discípulos judeus esperando por um Messias Judeu para ser recebido pela nação de judeus. Os discípulos não eram cristãos naqueles dias, embora eles tenham nascido de novo crentes no Senhor Jesus. Desde que suas vidas e esperanças eram terrenas, era realmente próprio para eles se dirigirem a Deus, quem estava nos céus, como Seu “Pai Celestial”. É significativo que esta expressão é encontrada somente nos evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas), os quais apresentam um Messias judeu com seus discípulos judeus. Não é encontrado no Evangelho de João onde o desabrochar do cristianismo é enfatizado. A expressão não é usada no livro de Atos, nem é usada nas epístolas onde temos o cristianismo revelado.

Como nós sabemos o cristianismo não começou até que o Senhor ressurgisse de entre os mortos e voltasse aos céus, e de lá, enviasse o Espírito Santo. A revelação cristã da verdade é revelada nas epístolas onde aprendemos que nossa posição diante de Deus, nossas bênçãos, nossas esperanças em Cristo e o nosso destino, são todos celestiais. Então, em contraste com Israel, cristãos são um grupo celestial de pessoas.

Nossa posição diante de Deus é aquela sentada em lugares celestiais em Cristo Jesus (Ef. 2:6).

Nós estamos diante de Deus no próprio local de aceitação no qual o Filho, Ele mesmo está (Ef. 1:6). Então, uma vez que este é nosso lugar na imediata presença de Deus (Ef. 2:18; Heb. 10:19), nós não temos necessidade de nos dirigirmos a Ele como nosso “Pai Celestial”, como se fôssemos crentes terrenais esperando pelo estabelecimento do seu reino.

O termo denota distância entre os céus e terra, existente entre os crentes e Deus, o que não é verdade para nós na nossa posição de cristãos. Além disso, chamar Deus de “nosso Pai Celestial” não é a maneira cristã de se dirigir a Deus. A maneira cristã é simplesmente dizer “Pai” – como visto através das epístolas.

Assim, se dirigir a Deus como nosso Pai “Celestial” é confundir nossa posição cristã. É realmente a negação prática de onde estamos diante de Deus, embora, logicamente, aqueles que falam desta maneira não tenham a intenção de negar esta verdade. O pensar que as formas judaicas de expressão são as maneiras cristãs de falar com Deus tem suas raízes na Teologia Reformada (Teologia do Pacto). Tal ensinamento vê Israel como a Igreja no Antigo Testamento e a Igreja como sendo Israel no Novo – assim misturando (fundindo) todos os crentes em um povo de Deus, sem distinção. Consequentemente aqueles que adotam tais doutrinas, não têm escrúpulos em tomar o que é dito aos Israelitas no Antigo Testamento e usar como se tais ensinamentos tivessem sido escritos para a Igreja.

A questão a seguir foi submetida ao editor da revista Scripture Truth: Os cristãos devem se dirigir a Deus como “Pai Celestial”? Resposta: Cristãos podem se dirigir a Deus em oração como “Pai Celestial”, mas ao fazê-lo eles falam a Ele à luz da revelação feita aos discípulos antes da cruz, onde eles estavam ainda, como um remanescente fiel de Israel ao redor do Seu Messias, e não à luz da revelação a qual é distintamente distintivamente cristã.

Dirigir-se a Deus desta maneira denotaria alguma falta de entendimento desse relacionamento próximo que os cristãos têm agora estando identificados com o Cristo ressuscitado como Homem na presença do Pai (Scripture Truth, vol. 14, p. 287).

Um artigo num periódico, Young Christian, diz: Nós precisamos novamente notar a diferente posição deles (os discípulos) da nossa. Eles tiveram um chamado terrenal, então foram ensinados a orar “Nosso Pai que estás nos céus”, “Pai Celestial”, ou “Pai que estás nos céus”. Mas tais não são usadas depois da redenção realizada.

Nós cristãos, temos um chamado celestial, somos “abençoados com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef. 1:3); nós somos também selados com o Espírito Santo e dizemos, “Pai” numa proximidade de relacionamento com Ele (Rom. 8:15, 26; Gal. 4:6). – (Young Christian, vol. 2 Scripture Study: Mat. 6).

Um artigo na revista Bible Herald diz: Nós achamos esta parte do Evangelho de João (caps. 13-17) especialmente brilhante com a repetição frequente da palavra “Pai”. O Senhor está introduzindo “os Seus” ao Pai que os deu a Ele; e no capítulo 17 Ele se dirige ao Pai sobre eles, encomendando-os aos cuidados do Pai, uma vez que Ele não pode mais permanecer com eles para protege-los debaixo das Suas asas protetoras.

Quando é o Filho e o Pai, Ele simplesmente diz “Pai”. Quando Ele encomenda os discípulos a Ele (ao Pai) no meio do mal Ele diz “Pai Santo”, e quando Ele lança um olhar sobre o mundo que O rejeitou – e odiou ambos, a Ele e ao Pai – Ele diz “Pai Justo, o mundo não Te conheceu, mas eu Te conheci”. Por que não dizer “Pai Celestial” aqui? Porque o Evangelho de João Ele é o Filho Unigênito, que está no seio do Pai: consequentemente Ele poderia dizer, como encarnado, “O Filho do Homem que está no céu”. É o Filho e o Pai em João; em Mateus é Jeová e Jesus apresentando-se como Messias, de acordo com as profecias do Antigo Testamento tendo nascido Rei dos Judeus em Belém. No meio do povo da terra de Israel, Ele diz, “Meu Pai, que estás nos céus”, “Meu Pai Celestial”, “Toda planta que meu Pai Celestial não plantou será arrancada (Mat. 15:13)”.

Aqui nós temos distância e terra como Sua esfera – a terra de Israel – Tudo tão diferente de “O Filho do Homem que está no céu” em João. Nós não permanecemos na posição Judaica de servos, Filho e sujeito - à distância; mas nós crentes no Filho, “já pelo sangue de Cristo chegastes perto” (Ef. 2:13) – por Ele “ambos temos acesso ao Pai por um Espírito” (Ef. 2:18).

Nós temos agora a mesma posição, como temos a mesma natureza, como o Filho glorificado de Deus e Ele ascendeu para Seu Deus e Pai, e pela graça, nós que cremos nEle somos apresentados a Deus nosso Pai em Cristo, onde Ele está nos lugares celestiais.

Então, o estar em relação consciente com o Pai, o Espírito de adoção nos dando o sentido do Seu amor e nossa proximidade com Ele, estando na luz, como Ele está na luz, em comunhão com o Pai e Seu Filho Jesus Cristo, nós não dizemos “Pai Celestial”, mas simplesmente “Abba Pai”, por estarmos no gozo da relação filial e estando no Espírito e fé “nos lugares celestiais em Cristo”, nós estamos onde o Pai está... Na presença do nosso Deus e Pai em Cristo, nós não poderíamos dizer “Pai celestial”, como se houvesse toda a distância entre terra e céus entre nós. Meus filhos, não se dirijam a mim como distantes, mas simplesmente digam “Pai”, para aqueles que estão comigo sob o mesmo teto na mesma cidade; mas se eles estiverem numa terra estrangeira, não seria impróprio para algum deles escrever e usar o nome da cidade em conexão com a palavra “pai” (The Bible Herald, vol. 5, pp. 101-103).

Daí, as instruções do Senhor sobre as esperanças terrenas dos Judeus fiéis e sua maneira própria de se dirigirem a Deus como Seu Pai Celestial, não é exemplo para nós que somos cristãos, que temos uma diferente e próxima relação com o Pai. O hino que tem aquela frase “Ó Pai Celestial, conceda-nos a todos a simplicidade de um bebe recém-nascido (#223 L.F.) poderia ter uma escolha melhor de palavras, na nossa opinião.

Tradução: Paulo Martins | Revisão: Rosimeri Martins
Extraído do livro "UNSOUND DOCTRINAL STATEMENTS & CLICHÉS (Commonly Accepted as Truth)" - Bruce Anstey - Páginas 148 a 151 - Theology = Addressing God The Father

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A semente de mostarda

Leitura: Mateus 13:31-32

Nas duas outras parábolas ficou claro que o semeador é Jesus e que o seu campo é o mundo. O significado da semente variava: na primeira era a Palavra de Deus e na outra eram as pessoas. Agora a semente é de mostarda e a ênfase é colocada na planta que ela produz.

O reino dos céus começou tão pequeno quanto a menor de todas as sementes. Quem imaginaria que as crenças de um punhado de jovens de classe média liderados por um carpinteiro seriam adotadas por mais de um terço da população da Terra? Hoje mais de 2 bilhões de pessoas se dizem cristãs.

Aquela minúscula semente virou uma árvore grande o suficiente para as aves virem morar nela. Você já sabe quem é o semeador, o que é o campo, a semente e a árvore. E as aves? Quando quiser saber o significado de algo na Bíblia, pergunte à Bíblia.

No primeiro livro da Bíblia, Gênesis, você encontra uma serpente no jardim do Éden iludindo Adão e Eva. No último, Apocalipse, você lê sobre "o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás". Assim fica fácil saber quem é quem.

As aves fazem ninhos na grande árvore da cristandade que começou com uma pequenina semente. Na primeira parábola as aves arrebataram as sementes que caíram à beira do caminho. Jesus explicou que é o Maligno quem arranca as sementes do coração à beira do caminho. E no capítulo 18 de Apocalipse, ao falar de Babilônia, uma alegoria usada para a noiva infiel de Cristo, diz que ela se tornou habitação de demônios, antro de todo espírito imundo e de toda ave impura e detestável.

Juntando tudo, o reino dos céus começou com a Palavra de Deus lançada nos corações, porém nem todos eram férteis para ela germinar. Os frutos genuínos do trabalho do semeador foram plantados neste mundo, mas o diabo, o concorrente, semeou uma imitação daninha do verdadeiro trigo, a qual será deixada até o trigo genuíno ser recolhido em feixes. O falso será queimado.

Enquanto isso, o conjunto de falsos e genuínos crescerá como uma grande árvore que começou pequena, e ela abrigará também Satanás e seus agentes. Portanto você não precisa ir às religiões pagãs para encontrar o diabo. Se der uma olhada na cristandade professa você irá encontrá-lo confortavelmente aninhado em seus ramos.

O que surpreende no grão de mostarda é o crescimento da árvore. E na parábola a seguir Jesus vai falar justamente daquilo que faz crescer: o fermento. Nos próximos 3 minutos vamos ver o que o fermento fez em 2 mil anos.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O Julgamento dos Vivos e dos Mortos - Bruce Anstey

Clichê (sem fundamento): Toda pessoa que rejeitar o Evangelho aparecerá diante o Grande Trono Branco no fim dos tempos para ser julgada e lançada no inferno.

Muitos têm a ideia de que todos os descrentes serão julgados num dia de julgamento final, quando então serão lançados no lago de fogo – inferno.

É verdade que haverá um dia de julgamento final no fim dos tempos, mas isso não envolve todos os descrentes.

O julgamento do Grande Trono Branco será um julgamento somente dos ímpios mortos (Ap 20:11-15).

Há outro tipo de descrentes que serão julgados muito antes daquele grande dia de julgamento. É o julgamento dos vivos.

A Palavra distingue esses dois julgamentos dos ímpios e nos diz quando eles ocorrerão.

Diz: “(...) e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino” (2Tm 4:1 ; At 10:42 ; 1Pe 4:5).

Assim, o julgamento dos (ímpios) vivos será na Sua vinda e o julgamento dos (ímpios) mortos será feito no fim do Seu reino de 1.000 anos (Ap 20:7-15).

No Sua vinda o Senhor enviará Seus anjos, que tirarão da terra profética os que rejeitaram o Evangelho da Graça de Deus e os lançarão no inferno. Mateus 13:41-42 diz: “Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes (ver também Mt 24:40-41). Estes serão lançados VIVOS no lago de fogo (inferno). Eles são na realidade tirados deste mundo sem ver a morte! Como eles não morrem, eles não necessitam ser ressuscitados para estarem perante o Grande Trono Branco. Eles ficarão face-a-face com o Próprio Juiz no Sua vinda (Ap 1:7) e não será necessário que sejam chamados para o trono do Seu julgamento mais tarde. Eles são, portanto, lançados diretamente no inferno.

As primeiras duas pessoas desta classe muito responsável de pecadores são a Besta e o Anticristo (Ap 19:20).

Tradução: Paulo Martins | Revisão: Rosimeri Martins
Extraído do livro "UNSOUND DOCTRINAL STATEMENTS & CLICHÉS (Commonly Accepted as Truth)" de Bruce Anstey.
47) The Judgment Of The Living & The Dead

Nota de falecimento

Há alguns dias acordei de madrugada com muita falta de ar. Preocupado fiquei sentado na cama testando meus pulmões, respirando profundame...