segunda-feira, 5 de junho de 2017

A VINDA DO SENHOR ESTÁ PRÓXIMA!

"Ora vem Senhor Jesus!"
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A VINDA DO SENHOR ESTÁ PRÓXIMA!

Eu gostaria de tratar da proximidade da vinda do Senhor. Cremos com toda a certeza que o Senhor está vindo muito em breve.

Vamos ler o versículo de introdução em João 14. Esta é a primeira vez que o Senhor anunciou que Ele viria tomar o que era Seu para estar com Ele na casa do Pai. Isso aparece muitas vezes depois nas Escrituras, mas esta é a primeira vez que o próprio Senhor apresenta esse assunto maravilhoso. João 14:1: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também". Esta é uma promessa maravilhosa que o Senhor deu a seus discípulos para consolar seus corações. E certamente é um conforto para nossos corações saber que o Senhor está vindo para nos tirar desse mundo corrupto e doente que vivemos. O próprio Senhor colocou esta esperança diante de nós, que Ele irá nos levar para casa.

Agora, a questão que queremos tratar esta tarde não é o fato de que o Senhor virá, porque temos sua própria palavra prometendo isso. Nossa pergunta é, quando? Quando ele virá? E a resposta que eu quero lhe dar das escrituras é esta: muito, muito em breve! Agora, eu não quero simplesmente dizer, como um pressentimento que tenho ou alguma ideia de alguns teólogos. Não, querermos mostrar nas escrituras como sabemos que o Senhor está vindo muito, muito em breve. Quero examinar quatro passagens diferentes das Escrituras que nos mostram esse fato impressionante, que o retorno do Senhor é iminente.

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Vejamos Daniel 12 como ponto de partida. Você sabe que o livro de Daniel fala a respeito de profecias e assuntos proféticos; fala sobre a restauração e bênção de Israel no que se chama últimos tempos, últimos dias, fim dos tempos. Mas há algo em Daniel 12 que indicaria a proximidade do retorno do Senhor. Nós não temos o arrebatamento, o Senhor vindo nos levar para o céu no livro de Daniel; no entanto, Daniel descreve o que acontecerá nos últimos dias,  após o arrebatamento. Daniel 12:4 diz: "E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará". Isto descreve a hora do fim, quando Deus se refere a Israel e os abençoa após um tempo de dificuldade. Daniel 12:1 nos diz que haverá um tempo turbulento - a Grande Tribulação - que sabemos, virá sobre este mundo. Sabemos que a Igreja será arrebatada antes da grande tribulação.

Mas o tempo do fim será caracterizado pelas duas coisas mencionadas aqui: (1) muitos correrão de um lado para o outro, e (2) o conhecimento aumentará. Esse foi o caso nos últimos 100-150 anos. Pense nisso! O avanço do conhecimento que aconteceu nos últimos 100-150 anos foi surpreendente. Pense nos computadores que temos e em todos os avanços na ciência e tecnologia médica. Tudo isso é uma prova de que definitivamente estamos nos últimos dias. Pense em como, há milhares de anos, a história do homem avançou, puxando uma carroça com um cavalo, trabalhando com madeira, martelo e coisas assim. E então, de repente, nos últimos 150 anos temos computadores e rádios e todos os outros tipos de aparelhos que você pode imaginar. Pense na ciência médica: agora existe uma câmera tão pequena que vai dentro da corrente sanguínea, dentro de suas veias e tira fotos do que está acontecendo dentro do seu corpo! Essa é uma das mil coisas que eu poderia usar esta tarde para ilustrar os recentes avanços tecnológicos nos últimos 100-150 anos.

Talvez já tenha contado essa história, um dia meu pai voltou para casa da escola e disse a seu pai: "Papai, eu vi carro hoje!" Seu pai disse, "você não viu". Ele não acreditou, e meu pai teve que fazer tudo o que podia para convencer seu pai de que ele tinha visto um carro! Isso foi no tempo do meu pai, o que não faz muito tempo. É incrível pensar que, no tempo da nossa vida, houve tal avanço no conhecimento, na proporção que estamos falando aqui.
Não ignore o comentário em Daniel 12:4: "muitos correrão de uma parte para outra". Este versículo descreve pessoas que atravessam a terra em aviões, indo e vindo, estabelecendo um ritmo de vida incrível. Antes, os dialetos locais eram mais facilmente identificados porque as pessoas não viajavam. Povos viviam a 20 milhas um do outro e falavam diferentes dialetos, porque nunca saiam de onde moravam. Hoje, estamos zigzagueando por todo o país e em todo o mundo! Isso só aconteceu nos últimos anos. Há quanto tempo as companhias aéreas comerciais existem? Acho que logo após a Segunda Guerra Mundial - 1947 ou 1946.

Estamos falando de coisas com as quais temos que nos acostumar neste mundo. Nossos filhos não sabem o que é viver sem computador. É incrível como eles podem operar esses telefones! Meu pai não sabia nada sobre isso. Na verdade, eu não conhecia nada sobre isso e demorei para aprender.

O que caracterizará os últimos dias, quando Deus trabalhará com Israel novamente, é que esse conhecimento será amplamente aumentado e os homens estarão correndo por todo o mundo com meios de transporte mais sofisticados. Isso não descreve o nosso dia? Sabemos uma coisa desta passagem: estamos perto do fim dos tempos e sabemos que o Senhor virá para nós antes disso. O que isso nos diz? Que estamos muito perto do momento em que o Senhor vai descer com alarido e nos chamar a todos para o arrebatamento como lemos em 1 Tessalonicenses 4.

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Mas há outras indicações da proximidade da vinda do Senhor. Mateus 25:1-13: "Então, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas. As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas. E, tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram. Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro! Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. E, depois, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos a porta! E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir". As últimas cinco ou seis palavras não deveriam estar aqui, sobre a vinda do Filho do homem. O assunto aqui é a chegada do Noivo, não a vinda do Filho do homem. Na tradução de Darby as últimas seis palavras desse versículo 13 foram omitidas. Deve-se ler, "você não sabe nem o dia nem a hora", ponto.

A semelhança do reino nos mostra quatro etapas na história da profissão cristã. Aqui temos uma pequena figura da profissão cristã. A primeira etapa começa quando diz que todas "saíram". Dez virgens saíram com suas lâmpadas para encontrar o noivo. Isso marca a postura original da Igreja nos primeiros dias, no tempo dos apóstolos. Eles eram separados de tudo, fosse secular ou religioso, que era inconsistente com a santidade de Deus. Eles saíram com um propósito, para esperar o noivo que viria.

Mas então descobrimos que cinco delas eram loucas e cinco eram prudentes. Em outras palavras, a profissão cristã foi misturada com crentes verdadeiros e os meramente professos, e desde então tem havido uma mistura. Eu gosto de chamar isso de "profissão cristã" porque envolve mais do que apenas a Igreja, e inclui aqueles que professam ser crentes e aqueles que realmente são. Mas diz aqui que "tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram". Esta é a segunda fase da história da profissão cristã. Pouco depois dos dias dos apóstolos, a igreja perdeu de vista o fato de que o Senhor, o noivo, estava vindo, e adormeceram para essa verdade. Esta foi uma condição que permeou a profissão cristã por 1.500 anos – de qualquer maneira, mais de 1.000 anos. As pessoas não tinham ideia de que o Senhor viria para levá-las para casa como lemos em João 14. Elas conheciam pelas Escrituras sobre a aparição de Cristo para juízo, mas não tinham ideia do arrebatamento. Parece que foi riscada das mentes da chamada Igreja naquela época. Tomada de sono, dormiu. Isso leva a uma cena noturna e traz diante de nós a ideia da Idade das Trevas, que durou muitos séculos.

A terceira etapa na história da profissão cristã é o que lemos no versículo 6: "à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro!". Naquela época, na profissão cristã, tomou-se consciência do fato de que o Senhor estava vindo. Qualquer um que entenda a história da profissão cristã sabe que esse grito da meia-noite aconteceu há cerca de 150 anos, em meados dos anos 1800, quando os irmãos cavaram na Escritura e aprenderam, comparando a profecia e as Escrituras do Novo Testamento, que o Senhor estava vindo, Que o arrebatamento estava prestes a acontecer. Houve um clamor e a profissão cristã tomou conhecimento no século 19 da volta do Senhor, como lemos em João 14: "virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo".

"Aí vem o esposo". Foi-me dito que a próxima palavra "vem" não deveria estar no versículo 6. Os tradutores a colocaram lá para nos ajudar a vê-la como um evento, mas é mais do que um evento. Deus trata a vinda do Senhor diante das almas, não apenas como um evento profético no calendário de eventos que acontecerá na profecia (embora seja isso), mas que nossos corações seriam ocupados com a Pessoa que está vindo. Nosso Noivo está vindo para nós - é Ele! Então, deveria ser: "Eis o noivo".

O grande resultado no ministério cristão do conhecimento da vinda do Senhor foi a apresentação de Cristo. Foi o ministério que apresentou Cristo aos que escutaram e escutarão, e teve um grande efeito. “Saí-lhe ao encontro!". Havia um retorno ao estado original do início da Igreja, que era separada de tudo o que é secular e religioso. Isso existia na profissão cristã no século 19. Qualquer pessoa que conheça um pouco a história da Igreja é capaz de identificar isso; Houve uma grande agitação na profissão cristã sobre este grande fato de que o Noivo logo viria.

A quarta etapa está no versículo 10: "veio o noivo". Este evento encerra a dispensação e fecha o presente dia da graça. Refere-se ao arrebatamento - a vinda do Senhor - veio o Noivo. Os que estão prontos irão, os que não estão serão deixados de fora. Entre o clamor da meia-noite e o retorno do noivo, vemos que houve muita comoção. Isso nos fala da comoção que tem estado na profissão cristã nos últimos 100 anos. Todo mundo anda por aí buscando óleo – com foco mais no Espírito de Deus do que no próprio Senhor. As virgens sábias dizem: "ide... e comprai". Esta é a ideia do trabalho do evangelho. O trabalho do evangelho aumentou por causa do entendimento que o Senhor está vindo. Agradecemos a Deus por todo homem que prega o Evangelho e toda mulher que prega o Evangelho. Isso mostra que vocês percebem que o Senhor está chegando e há uma urgência nisso.

A quarta etapa, então, como eu disse, acontece quando o noivo vem e as virgens entram com ele para as bodas e a porta é fechada. O grito da meia-noite que alarmou a profissão cristã e despertou a profissão cristã para o fato de que o Senhor estava vindo, aconteceu há 170 anos, e o Senhor ainda não chegou! O que isso nos diz? Isso nos diz uma coisa: devemos estar muito perto, porque Ele cumpre Sua promessa! Ele não seria Deus se Ele não cumprisse Sua promessa. Nós sabemos que Ele está vindo, nós simplesmente não sabemos o momento. Mas nós sabemos quando - é muito, muito em breve.

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Outra indicação aparece em Apocalipse 3, quando o Senhor trata da Igreja em Laodicéia. Isso aconteceu na profissão cristã logo após o despertar pelo clamor da meia-noite. Apocalipse 3:14-17: "E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus. Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu". A condição da igreja de Laodicéia é outro sinal de que sabemos que a vinda do Senhor está muito próxima. Dizemos isso, porque nesses dois capítulos (Apocalipse 2 e 3) temos as sete igrejas mencionadas. Como você sabe, cada uma delas representa um estágio distinto na história da Igreja que é facilmente identificável agora nos dias em que vivemos.

O que encontramos aqui na Igreja de Laodicéia é uma indiferença incrível com Cristo, e uma incrível ignorância quanto à verdadeira condição da Igreja, seu próprio estado. Ela acha que  está enriquecida com toda riqueza espiritual, e não faz ideia de que ela está espiritualmente destituída, nua, miserável e cega. Ela nem tem as coisas mais elementares, como o ouro. Ela nega categoricamente o fato de que a profissão cristã está em ruína; esta é uma atitude que caracteriza o dia em que vivemos. O que restou da recuperação da verdade, dada à igreja no século 19, é uma indiferença em relação a tudo que tinha sido recuperado. A profissão cristã, particularmente o lado evangélico da profissão cristã, é marcada por essas duas coisas: (1) indiferença a Cristo e (2) ignorância do nosso verdadeiro estado coletivo. Laodicéia ostenta, acha que tudo está bem e bom, tudo certo; é uma negação absoluta da ruína da Igreja.

Ao olhar para a profissão cristã, podemos ver que somos uma parte desta condição generalizada de indiferença para as reivindicações de Cristo. O que marca a condição de Laodicéia é ter algum conhecimento da verdade que foi recuperado nos tempos de Filadélfia, mas essa verdade não tem efeito moral ou espiritual sobre a vida dela. Não há melhor exemplo disso do que a própria verdade que estamos mostrando esta tarde: a vinda do Senhor. "O Senhor está vindo!" você pode contar a alguém. Eles respondem: "Sim, eu sei que o Senhor está vindo. Não, isso não muda nada na minha vida. Faço tudo o que quero fazer no Dia do Senhor, e coloco meus interesses em primeiro lugar. Ele está vindo, posso dizer os versículos, mas isso não significa nada para mim". Essa é a condição de Laodicéia, e é isso que caracteriza a profissão cristã em geral.

Precisamos perceber que esta condição é a última etapa que a Igreja experimentará antes que o Senhor venha. Lembre-se, existem apenas sete estágios, e este é o sétimo e final. Se estamos nesse sétimo estágio agora – e definitivamente estamos - o que está por vir? Nada além do Senhor e Seu clamor. É interessante ver que o Espírito estava falando nos capítulos 1, 2 e 3 de Apocalipse para as igrejas. Depois disso, Ele nunca mais fala com as Igrejas. Por quê? Porque a Igreja, depois do capítulo 3, é vista como tendo ido para o céu. Do capítulo 4 em diante, não lemos nada sobre a Igreja até o fim, quando ela sai do céu com o Senhor, no capítulo 19, a noiva e esposa do próprio Cordeiro. Estamos chegando muito perto do fim, quando virá o Senhor com Seu clamor, porque a profissão cristã foi marcada pelo Laodiceanismo há quase 150 anos. Não foi muito tempo depois que a verdade foi recuperada nos tempos de Filadélfia que este estágio final começou.

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Finalmente, vamos voltar para Mateus 14, outra passagem que aponta para o fato de que a vinda do Senhor está muito próxima. Esta história é outra imagem que ilustra a história da profissão cristã em relação à vinda do Senhor. Nos versículos 15 a 21, temos o Senhor reunindo pessoas no deserto e alimentando-as. Antes disso, Ele estava curando, abençoando e fazendo todos os tipos de obras que caracterizam o mundo por vir, que são chamados de poderes do mundo vindouro. O alimento para os 5.000 é o único milagre que se encontra nos quatro Evangelhos. Ele ilustra o ministério terrenal do Senhor Jesus quando Ele esteve aqui. Em todos os casos, é significativo e interessante que, quando alimentou os 5.000 com este milagre incrível, todos comeram, se fartaram e disseram... nada. Eles não O agradeceram por isso, eles não apreciaram. Em todos os quatro relatos desse milagre, ninguém O agradeceu, ninguém O agradeceu por isso, ninguém disse: "Você deve ser o Messias, vamos aceitá-lo e recebê-lo agora". Nem uma palavra! Isso nos mostra que Ele foi rejeitado. Não significava nada para eles, não os movia. E então, imediatamente, a cena muda.

Encontramos, então, a partir do versículo 22 em diante que Jesus constrangeu seus discípulos a entrar num barco e a ir para o outro lado, enquanto Ele enviou as multidões para longe. Ele despede a multidão que acabou de alimentar, que não tinha apreciação pelo que Ele fez. Esta é uma imagem dEle deixando Israel de lado por um tempo. Os discípulos, uma figura do remanescente da nação, ele coloca em um testemunho completamente novo - o barco - e eles são enviados através do mar. Isso retrata a jornada da Igreja como testemunho através deste mundo para o outro lado da margem. Quando Ele despediu as multidões, é interessante que o Senhor não se junta imediatamente aos discípulos no barco. Primeiro, Ele vai para uma montanha, que retrata Sua ascensão ao céu. Ele não vai lá para se distrair, Ele vai lá para orar! Esta é a oração sacerdotal intercessora do Senhor Jesus, enquanto o povo Dele - a Igreja - está naquele barco atravessando o mar para o outro lado. Ele ora lá sozinho.

No versículo 25, à quarta vigília da noite, o Senhor começa a caminhar no mar, e Ele vai até eles. A quarta vigília é a última antes do amanhecer. Isso está perto do fim do tempo da ausência do Senhor durante a noite. Os discípulos O veem caminhar sobre o mar, ficam assustados e gritam (versículo 26). Isso é como o clamor da meia-noite na história das dez virgens. Eles podem ver o Senhor chegar! Novamente, isso é algo que tem ocorrido historicamente na história da Igreja há cerca de 150 anos.

Então o Senhor Jesus diz: "tende bom ânimo, sou eu; não temais". Algo motiva Pedro a sair do barco. Ele estava tão absorto com o fato de que o Senhor estava vindo que ele saiu do barco e caminhou, somente onde a fé pode andar, para o Senhor. Foi o que aconteceu quando a Igreja aprendeu sobre a vinda do Senhor. Como resultado, um testemunho remanescente separou - e afastou - o denominacionalismo e todo apoio oficial que poderia haver, caminhando apenas onde a fé podia andar. Isso aconteceu há 150 anos, em meados do século 19, quando houve aqueles que se separaram do denominacionalismo, da ordem e do formalismo oficial da igreja e caminharam onde somente a fé pode caminhar. Não tinham nada para se apoiar, mas confiaram no Espírito de Deus para todas as coisas relativas à adoração e ao ministério.

É um testemunho remanescente. Não estou dizendo que os santos reunidos sejam o remanescente, eles simplesmente representam uma posição no testemunho cristão de um testemunho remanescente e estão onde todo o remanescente - todo verdadeiro crente - deveria estar. O testemunho remanescente foi estabelecido naqueles dias em meados do século 19. O Senhor disse a Pedro para sair do barco e caminhar na água, ele não estava agindo em desobediência ou tentando a Deus. "Vem", disse o Senhor (versículo 29), Pedro desceu e foi para onde o Senhor estava caminhando para encontrá-lo. Ele estava tão absorto com a vinda do Senhor que nem percebeu que estava caminhando sobre a água! Incrível.

Mas esse não é o fim da história. Pedro tirou os olhos do Senhor e começou a afundar. Muitas vezes dissemos que ele tentou continuar o que estava fazendo, mas sem olhar para o Senhor. Ele descobriu que não poderia fazê-lo. Da mesma forma, aqueles que fazem parte do testemunho remanescente perderam de vista o Senhor. E ainda estamos tentando continuar fazendo as coisas que sempre fizemos, mas não está funcionando. Não está funcionando e vamos afundar! O testemunho remanescente está começando a afundar. Mas não se desanime com esse fato, de olharmos ao redor e vermos Pedro afundando. Porque quando Pedro começou a afundar, ele clamou: "Senhor, salva-me", e imediatamente o Senhor estava lá para pegá-lo. Isso nos faz pensar na chegada do Senhor e no fim da nossa jornada aqui.

Você viu Pedro afundando? Sim. Isso o desencoraja? Não deixe que isso o desencoraje, porque isso significa que o Senhor deve estar vindo e devemos estar no final da jornada! Se você vir Pedro afundando, então você sabe que o Senhor está vindo. Ele poderia estar aqui esta tarde, porque Pedro está afundando. Mas é bom lembrar que Pedro não se afoga. O testemunho remanescente não se afogará, não será submerso, mas está afundando. Isso significa algo para o meu coração: o Senhor está próximo. O Senhor está perto! O Senhor está chegando. Você está pronto?

Não é hora de desistir. Não é hora de se desviar. É hora de esperar e aguentar. F.B. Hole disse em um de seus livros (eu acho que o que diz respeito a Hebreus), ele nos pediu para imaginar um irmão que estivesse tendo dificuldade em se identificar com o testemunho remanescente reunido ao nome do Senhor. Ele estaria perdendo a energia e querendo desistir. Sem esperança e tão desencorajado, ele não tinha energia para continuar. Ele sabia que deveria continuar, então ele ficou lá mais algumas semanas. Assim ele foi, semana a semana. Finalmente, ele não aguentou mais. Ele disse aos irmãos que queria sair da comunhão e não mais seguiria esse caminho. Era difícil e desanimador demais. No dia seguinte, o Senhor chegou. O Sr. Hole disse: "O que você acha que o homem deve ter sentido de si mesmo?" Apocalipse 3:11 nos diz: "guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa". Ele teria perdido a coroa que ele poderia ter tido, porque ele partiu no último minuto. O que ele teria sentido? "Por que não poderia ter ficado apenas mais uma semana?"

O Senhor está vindo. Ele está muito, muito perto. Vemos Pedro afundando por todos os lados, mas não vamos desanimar, vamos nos encorajar. "Eis que venho sem demora!"

Bruce Anstey

domingo, 23 de abril de 2017

I Timóteo - Um Resumo Expositivo - H. Smith - Parte VI

VI.
ADVERTÊNCIAS CONTRA O ORGULHO DA CARNE E INSTRUÇÕES EM PIEDADE
(Capítulo VI)

O Apóstolo nos advertiu contra religiosidade da carne que apostata da verdade e adota asceticismo (Cap. 4); e contra a carne mundana, levando à indiferença e deleites próprios (5); agora no capítulo final somos advertidos contra o orgulho da carne que cobiça dinheiro e vantagens mundanas. Para enfrentar esses males o Apóstolo nos reforça novamente a piedade prática (vs. 3, 5, 6, 11).

No curso de sua exortação o Apóstolo passa diante de nós o Cristão servo (vs. 1,2); o soberbo e ignorante professante do Cristianismo (vs. 3-8); o apóstata, seduzido pelas riquezas do mundo (vs. 9-10); o homem de Deus (vs. 11-12); Cristo o perfeito exemplo (vs.13-16); o crente que é rico neste mundo (vs.17-19); e o cientista professo (vs. 20,21).

(a) Cristãos servos (vs. 1-2)

(v.1) O capítulo adequadamente abre com instrução para Cristão que é servo. O tal pode tentar usar o Cristianismo como meio de melhorar sua posição social. A instituição da escravidão pode de fato ser inteiramente contrária ao espírito do Cristianismo. Todavia o grande objeto da Casa de Deus não é colocar o mundo em ordem, nem para promover os interesses mundanos daqueles que formam a casa, mas manter a glória do Nome de Deus e testemunhar, e sustentar, a verdade. O servo Cristão deveria mostrar toda honra ao seu senhor incrédulo, para que não haja nada em sua conduta que possa justamente lançar qualquer mácula sobre o Nome Daquele que habita na Casa, ou que negue a verdade que a Casa de Deus deve manter.

(v.2) O Apóstolo dá um aviso especial ao servo Cristão que tem senhor crente. O fato de que seu mestre é um irmão no Senhor não deveria ser usado para colocar de lado o respeito que é devido de um servo ao seu mestre. Qualquer falta de respeito apropriada seria uma tentativa por parte do servo de usar o Cristianismo para subir em sua posição social, procurando assim sua própria vantagem mundana.

Na Assembleia o servo e o seu senhor estão num terreno comum, igual diante do Senhor. Ali, de fato o servo, por causa de sua espiritualidade ou dom, pode ser mais proeminente do que seu senhor terreno. Que os servos crentes possam, no entanto, ter cuidado para que não sejam tentados a abusarem dos privilégios da Assembleia fazendo dela um terreno para familiaridade indevida com seus senhores, nos afazeres diários da vida. Esteja longe de folgar em suas funções aos senhores que são crentes, mas em vez disso deveriam render-lhes serviço porque eles são fiéis e amorosos e participantes dos benefícios Cristãos.

(b) O professante ignorante, destituído da verdade (vs. 3-8)

(v.3) Claramente então o Cristianismo não é um sistema para o crescimento da nossa posição social neste mundo. É verdade que o crente, ao passar por este mundo, deve fazer o bem, e que a presença do Cristão e a correta conduta do Cristão deve ter um efeito benéfico. Contudo, o grande objeto da Casa de Deus não é melhorar o mundo, mas testemunhar a graça de Deus a fim de que os homens possam ser salvos para fora do mundo que, apesar de civilizado e de qualquer melhoria social, vai ser julgado.

Aparentemente naqueles primeiros dias havia aqueles que ensinavam o contrário. Viam o Cristianismo meramente como um meio de melhorar a condição social de homens e mulheres e assim fazendo deste mundo um lugar melhor e mais brilhante. Provavelmente eles estavam ensinando que os servos convertidos, tendo vindo sob o Senhorio de Cristo, poderiam considerar-se livres dos seus senhores terrenos. Tais visões, entretanto, eram contrárias às sãs palavras; e as palavras do nosso Senhor Jesus Cristo, e ensino, que é de acordo com a piedade.

Assim novamente o Apóstolo traz a piedade como proteção contra o abuso dos nossos privilégios Cristãos. Piedade caminha no temor de Deus, confiando no Deus vivo que é o preservador de todos os homens. Assim andando devemos nos preservar de buscar usar o Cristianismo simplesmente como um meio de melhorar a nossa posição no mundo.

(vs.4,5) Tendo mostrado que a piedade é a proteção contra o abuso do Cristianismo, o Apóstolo declara que aquele que ensina outra doutrina é movido pelo orgulho da carne. Orgulho que confia em si mesmo e procura manter a importância própria, é completamente oposto à piedade que confia em Deus e busca Sua glória.

Por trás desse orgulho há a ignorância sobre a mente de Deus que é transmitida em Suas palavras. Essa ignorância a respeito da mente do Senhor surge pelo deixar a mente humana estar ocupada com as infindáveis questões levantadas pelos homens e contendas sobre palavras. Completamente indiferente ao poder moral da fé Cristã trabalhando na alma e conduzindo à vida de piedade, os homens tratam o Cristianismo como se fosse “questões e disputas de palavras”.

Tais disputas de palavras, em vez de fortalecer a piedade apenas dá ocasião para manifestações de obras da carne. O orgulho que busca exaltação própria por meio dessas infindáveis palavras deve inevitavelmente levar à “inveja”; porque para o homem orgulhoso não pode haver rival. Naturalmente a carne se esforçará contra aquele que é invejoso. Então a inveja leva à contenda, e contender contra outro levará a “injuriosas palavras” sobre ele. O conhecimento de que “palavras injuriosas” estão sendo proferidas levantará “más suspeitas” e “constantes desavenças”. Tal é a colheita do mal que surge da inveja. Não há poder maior para o mal entre os santos de Deus do que permitir a inveja no coração. “A ira é cruel e a raiva é ultrajante; mas” diz o pregador “quem é capaz de permanecer diante da inveja?” Foi a inveja que levou ao primeiro homicídio neste mundo; e foi a inveja que levou ao maior homicídio deste mundo. Pilatos “sabia que por inveja eles O haviam entregado” (Mt. 27:18).

Ai de nós!  Esta inveja pode aparecer entre o verdadeiro povo de Deus. Aqui o Apóstolo volta ao orgulho do coração que é corrupto e destituído da verdade do Cristianismo. O motivo fundamental disso é o ganho terreno, portanto sustentam que o “ganho” é a finalidade da piedade. Em outras palavras eles ensinam que o Cristianismo é meramente um meio de melhorar nossa condição e nos acrescentar vantagem terrena. Isto nós sabemos, da história de Jó, é realmente sugestão do diabo. Jó era um homem piedoso e alguém que temia a Deus, mas Satanás diz, “Porventura teme Jó a Deus debalde (inutilmente)?” (Jó 1:9). A sugestão vil de Satanás é que tal coisa como piedade não exista, e se um homem faz a profissão de piedade, não é porque ele teme a Deus, ou se importa com Deus, mas simplesmente porque ele sabe que vale à pena e isso é para sua vantagem terrena. Satanás diz a Deus, “Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.” (Jó 1:11). O Senhor permite que esta horrível mentira do diabo seja completamente exposta.  É permitido a Satanás tirar de Jó tudo o que ele tem e como resultado Satanás é exposto como um mentiroso. Em vez de amaldiçoar a Deus, Jó prostrou-se diante do Senhor e adorou dizendo, “o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor.” (Jó 1:21).

(vs.6-8) Então a verdade, assim como a experiência do povo de Deus, prova, não apenas que piedade é ganho, mas quando acompanhada de contentamento que confia em Deus, ela é um grande ganho.  Não trouxemos nada ao mundo, e quaisquer que sejam as posses que possamos adquirir enquanto passamos pelo mundo, é evidente que não podemos levar nada. Tendo sustento e com o que nos cobrirmos – e os servos tinham isso – vamos com isso estar contentes.

(c) O apóstata seduzido pelas riquezas do mundo (vs. 9,10).

Em contraste com o contentamento divino há a inquietação daqueles que desejam ser ricos. A riqueza tem suas armadilhas como o Apóstolo mostra mais tarde, mas não é necessariamente a posse da riqueza que arruína a alma, mas o “desejo de ser rico” (N.Tn). Foi apontado que esta palavra “desejo” inclui a ideia de propósito. O perigo é que o crente, em vez de estar contente ganhando seu sustento, pode colocar-se com o “propósito” de coração de ser rico. Então as riquezas se tornam o objeto em vez do Senhor. É melhor para nós apegarmo-nos ao Senhor “com propósito de coração” (Atos 11:23).

O Apóstolo nos adverte dos males que resultam do desejo de obter riquezas. Todos são tentados, mas aquele que deseja ser rico vai cair em tentação e encontrar-se pego em alguma armadilha do inimigo. Além disso, o desejo de ser rico abre caminho para concupiscências loucas e nocivas, porque induz à vaidade e orgulho da carne, servindo ao egoísmo e ambição. Essas são as coisas que lançam os homens na destruição e ruína. Então não é simplesmente o dinheiro, mas “o amor ao dinheiro” que é a raiz de todos os males. Quão solene é que seja possível ao crente ser atraído às próprias coisas que trazem destruição e ruína sobre os homens do mundo. Mesmo nos dias do Apóstolo alguns cobiçaram em busca de riquezas, apenas para desviarem-se da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

(d) O homem de Deus (vs. 11,12).

(vs.11) Em contrataste com o apóstata que se desvia da fé, o Apóstolo coloca diante de nós as características do “homem de Deus”. No Novo Testamento, a expressão “homem de Deus” ocorre apenas nas Epístolas a Timóteo. Aqui é definitivamente aplicada a Timóteo; na Segunda Epístola é aplicada a todos que, num dia mal, anda em fiel obediência à Palavra de Deus (2 Tm. 3:17). Há coisas das quais o homem de Deus deve “fugir”; coisas a que é exortado a “seguir”; coisas pelas quais é chamado a “lutar”; há algumas coisas a serem “guardadas”; e algumas coisas a serem “confessadas”.

O homem de Deus fugirá das concupiscências loucas e nocivas das quais o Apóstolo vem falando. Não é suficiente, no entanto, evitar o mal; deve haver a busca do bem. Além disso, o homem de Deus deve seguir após “justiça, piedade, fé, amor, persistência, mansidão de espírito” (N.Tn.). Independentemente de como outros possam agir, o homem de Deus vai procurar andar em consistência com os relacionamentos de um para com o outro como irmãos; isso é justiça. Mas a justiça de um para com o outro é aprendida no santo temor que concretiza nosso relacionamento com Deus, e com aquilo que é devido a Deus; isto é piedade. Além disso, o homem de Deus procurará a fé que tem Cristo por seu objeto e “amor” que flui para os irmãos, suportando o mal e insultos com paciência tranquila e mansidão, em vez de impaciência e ressentimento.

(vs.12) Além disso, o homem de Deus não estará contente fugindo do mal e seguindo certas grandes qualidades morais. Essas são coisas, realmente, de primeira importância, mas o homem de Deus não está contente com a formação de um belo caráter individualmente, se indiferente à manutenção da verdade do Cristianismo.  Ele compreende que as grandes verdades do Cristianismo vão de encontro à incessante e mortal oposição do diabo e ele não vai retroceder do conflito, pela fé.

Além disso, lutando pela fé, o homem de Deus não esquecerá a vida eterna a qual, embora ele a possua em sua plenitude, está diante dele. Ele deve guardá-la em gozo presente como sua esperança sustentadora.

Finalmente, se o homem de Deus foge do mal, segue o bem, luta pela fé e guarda a vida eterna, ele será aquele que em sua vida faz a boa confissão diante dos outros. Ele se torna uma testemunha viva da verdade que ele professa.

(e) O exemplo perfeito (vs. 13-16)

Para nos encorajar a manter esta responsabilidade, o Apóstolo nos lembra de que vivemos à vista Daquele que preserva todas as coisas em vida (N.Tn.).  Não pode Ele então preservar os Seus, não obstante quão severo possa ser o conflito pelo qual devem passar? Além disso, se somos chamados à fidelidade, não nos esqueçamos de que estamos debaixo do olho Daquele que tem estado diante de nós no conflito, e Quem, na presença de contradições dos pecadores, da inveja e insulto, agiu em absoluta fidelidade a Deus, mantendo a verdade em paciência e mansidão, e assim testemunhado uma boa confissão.

Além disso, fidelidade terá sua recompensa. O mandamento é, portanto, para ser mantido sem mancha e irrepreensível, até o aparecimento de Jesus Cristo. A glória da Sua aparição trará com ela uma resposta a qualquer pequena fidelidade da nossa parte, como, realmente será a gloriosa resposta à perfeita fidelidade de Cristo. Assim na verdade, quando O Homem injuriado, insultado e crucificado aparecer na glória, haverá não apenas uma resposta completa a toda a Sua fidelidade, mas uma completa mostra de tudo que Deus é. Será manifestado a todo o mundo o que já é revelado à fé; isso, na Pessoa de Cristo, Deus é revelado como o abençoado e o único Soberano, o Rei dos reis, e o Senhor dos senhores, Aquele que, na majestade da Sua Deidade, sozinho tem imortalidade essencial e que habita em luz inacessível.

Aqueles que formam a Casa de Deus podem falhar no testemunho para Deus; o homem de Deus pode apenas mostrar Deus em medida, mas em Cristo haverá a completa mostra de Deus para Sua glória eterna.

(f) O rico neste mundo (vs. 17-19)

O Apóstolo tem uma exortação especial aos crentes que são ricos neste mundo. Tais são assediados por dois perigos. Em primeiro lugar, há a tendência das riquezas levar os que a possuem a assumir um ar de mente elevada, achando a si mesmos superiores aos outros por causa das suas riquezas. Em segundo lugar, há a tendência natural a confiar nas riquezas, que na melhor das hipóteses, são incertas.

A proteção contra essas armadilhas é encontrada em crer no Deus vivo, que nos deu todas as coisas para desfrutarmos delas. Por mais que um homem seja rico, não pode comprar as coisas que Deus dá. Por mais pobre, ele pode receber e desfrutar o que Deus dá.

Confiando no Deus vivo, que é o Dador de todo o bem, capacitará também ao homem rico a se tornar um doador; mas Deus ama quem dá com alegria; assim o homem rico é exortado a estar “pronto a distribuir” e “disposto a comunicar”. Agindo assim ele estará fazendo um bom depósito em vista de bênçãos futuras em vez de guardar riquezas para o tempo presente. O homem que deposita para o tempo vindouro guardará aquilo que é realmente vida em contraste à vida de prazer e deleites do nosso próprio desejo que as riquezas terrenas podem garantir.

(g) O cientista professo (vs. 20,21).

Finalmente somos advertidos a guardar “o depósito confiado”. A completa verdade do Cristianismo foi dada aos santos como um “crédito” a ser mantido diante de todas as oposições. Aqui somos especialmente advertidos contra a oposição das teorias dos homens que provam ser completamente falsas por sujeitar Deus, Sua criação e Sua revelação à mente do homem, em vez de estar sujeito a Deus e Sua palavra. Presunçosamente ocupados com suas teorias infiéis eles perderam a fé.

Mackenzie & Storrie, Ltd., Printers, 28-32 Coburg Street, Leith.

Por Hamilton Smith

Tradução: Rosimeri F. Martins (Curitiba), revisão Batista (Limeira).
Texto original: http://www.stempublishing.com/authors/smith/1TIMOTHY.html

domingo, 16 de abril de 2017

I Timóteo - Um Resumo Expositivo - H. Smith - Parte V

V.
ADVERTÊNCIAS CONTRA O MUNDANISMO E INSTRUÇÕES EM PIEDADE
(Capítulo V)

Tendo advertido contra o mal de alguns que apostatarão do Cristianismo e adotarão uma falsa religião da carne, o Apóstolo nos adverte contra os males que podem surgir do mundanismo dentro do círculo Cristão, e instrui como lidar com as necessidades do povo de Deus, para que nada seja permitido que seja uma ocasião para reprovação e assim impedir o testemunho da graça de Deus diante do mundo. 

(a) O espírito com o qual os que erram devem ser tratados (vs. 1,2)

Podem surgir ocasiões onde o mal se manifesta no círculo Cristão, que corretamente exigem repreensão. Contudo, na administração da repreensão temos de reconhecer o que é devido em função da idade e sexo, e então ser cuidadosos para que a repreensão seja feita no espírito correto. A repreensão pode estar correta e ainda assim não ter efeito, ou mesmo pode causar dano, por causa do espírito errado com que é feita. Uma repreensão correta num espírito errado é simplesmente o encontro da carne com a carne.

A idade é para ser respeitada mesmo quando uma repreensão é necessária. Um irmão idoso não é para ser repreendido rispidamente (N. Tn), mas exortado com todo o respeito que um filho daria a um pai. Os homens jovens não devem ser tratados em menor conta, mas repreendidos com amor como irmãos, às mulheres idosas com respeito como uma mãe. Mulheres jovens devem ser tratadas “em toda pureza” assim evitando o descuido da familiaridade que o caráter possa adotar.

Assim em todo o nosso tratar uns com os outros, a maneira deve ser tal que nada seja feito que cause indignação e dê ocasião ao escândalo.

(b) Instruções de como atender as necessidades do povo de Deus e advertências contra os deleites em coisas temporais (vs. 3-16)

(v.3) Primeiro somos instruídos a termos devidamente em conta as viúvas que são verdadeiramente viúvas. Uma verdadeira viúva não é simplesmente uma pessoa privada do seu marido, mas alguém marcada por certas qualidades morais. Estando ou não em necessidade, isso deve ser honrado.

(v.4) Se, no entanto essas tiverem necessidades temporais, deixem os descendentes provar sua piedade prática recompensando seus pais, porque isso é bom e aceitável diante de Deus. Aqui novamente vemos que piedade traz Deus em todos os detalhes da vida e busca agir de forma que é agradável a Deus.

(v.5) O Apóstolo então nos dá belas características daquela que é “verdadeiramente viúva”. Ela está desamparada, por estar sem recursos humanos; sua confiança está em Deus – ela espera em Deus – e ela depende de Deus, pelo que “persevera de dia e de noite em rogos e orações”.

(v.6) Em contraste com a verdadeira viúva, o Apóstolo nos adverte contra qualquer um na Casa de Deus que se entrega si mesmo “em deleites” (N.Tn.). Tal está morta, mesmo viva. Somos exortados a nos considerarmos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Jesus Cristo (Rm. 6:11). Não podemos viver para nós mesmos e para Deus ao mesmo tempo. Se vivemos para nós, vivemos para o pecado, o que é ilegalidade, ou deleite dos nossos próprios desejos. Hábitos de prazer próprio devem trazer a morte espiritual entre a alma e Deus.

(v.7) Tais advertências são necessárias a fim de que, andando em piedade, cada um na Casa de Deus possa não somente ser aceitável e agradável a Deus, mas irrepreensível diante dos homens.

(v.8) Para um Cristão que falha em prover a si mesmo e especialmente àqueles de sua própria casa, é afundar abaixo do que é natural, e assim negar a fé do Cristianismo que sanciona esses relacionamentos naturais e nos ensina a respeitá-los. E assim é possível para um Cristão, se agindo na carne, se comportar de uma maneira que é “pior do que o infiel”.

(vs.9,10) Pode, no entanto, haver indivíduos necessitados no círculo Cristão, que não têm parentes para ajudá-los. Tais devem ser colocados na lista daqueles que podem ser justamente cuidados pela Assembleia. No entanto, deve-se tomar cuidado para não usar a Casa de Deus meramente como se fosse uma instituição que oferece ajuda às pessoas carentes.

A graça pode, com efeito, em ocasiões, ajudar os mais abandonados. Aqui é uma questão de adequação para inclusão na lista daqueles que devem receber assistência regular do povo de Deus. Tais devem, por seu viver, ter provado sua aptidão para receber tal ajuda. Em pessoas com saúde normal, os aptos para a lista devem ser de uma idade quando, em circunstâncias normais ela não seria mais capaz de trabalhar para seu sustento; ela deve ter sido esposa de um só marido e aquela da qual um testemunho honrado é produzido em razão de suas boas obras educando os filhos, se demonstrou hospitalidade, se lavou os pés aos  santos, se confortou os aflitos e realmente seguiu toda boa obra.

Muito abençoada essa Escritura que mostra o quanto uma mulher piedosa pode fazer para agradar a Deus ajudando o povo do Senhor. As omissões, no entanto, são tão marcantes quanto às boas obras que são enumeradas. Nada é dito sobre ensinar ou pregar, ou efetivamente nada que levaria a mulher à proeminência de maneira pública, contrária à ordem da Casa de Deus.

(vs.11-13) As viúvas jovens não devem ser colocadas na lista. Prover para tais, no caso de verdadeiras viúvas, as levaria a esquecer de Cristo como seu único objeto e em vez disso ter diante de si o mero desejo de casar novamente, e então tornarem-se culpadas de abandonar sua primeira fé. Assim é possível, não apenas perder nosso primeiro amor, mas abandonar a nossa primeira fé a qual, no começo da nossa vida Cristã, fez de Cristo o grande objeto.

Além disso, colocar viúvas jovens na lista as encorajaria a ociosidade e isso se tornaria uma armadilha porque sua ociosidade as levaria a vagar de casa em casa como “fofoqueiras e intrometidas” (N.Tn.). Uma fofoqueira repete histórias e mexericos para prejudicar os outros; uma intrometida interfere nas coisas dos outros expressando livremente opiniões sobre assuntos que não lhe dizem respeito. Em nenhum dos casos há nenhuma ideia de ajuda ao necessitado, ou a busca de corrigir qualquer erro, mas sim a satisfação da carne no seu amor à calúnia. Fofoqueiras e intrometidas, quer repetindo o que é falso ou verdadeiro, estão nos dois casos  “falando coisas as quais elas não deveriam”. O pregador diz: “O que anda tagarelando revela o segredo” (Pv. 20:19); e novamente, “mas todo tolo é intrometido” (Pv 20:3). A lei diz, “Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo” (Lv. 19:16). O Cristianismo nos adverte contra “andar de casa em casa” como “fofoqueiros e intrometidos”.

Nomes foram arruinados e quebrados;
Que deteriorações contagiosas foram agitadas
Por uma palavra em leviandade falada
Por apenas uma palavra ociosa!

(v.14) O julgamento do Apóstolo é que mulheres mais jovens devam se casar e encontrar sua própria esfera de atividade na vida doméstica, educando os filhos e guiando a casa. Quer dirigido aos idosos, ou as viúvas, ou mulheres mais jovens, todos devem se lembrar de que eles fazem parte da Casa de Deus e na Casa de Deus nada deve ser permitido que dê ocasião ao adversário de falar de maneira acusativa.

(v.15) Por negligenciar essas instruções alguns realmente se desviaram indo após Satanás. Eles podem não admitir ou perceber a seriedade do seu curso; mas evidentemente crescer sem cuidado, ou libertino em relação a Cristo levaria a alma a ser seduzida por Satanás e se desviando para as tentações do diabo.

(v.16) Viúvas nas famílias dos Cristãos devem ser ajudadas pela família, deixando a Assembleia livre para socorrer àquelas que são viúvas realmente.

(c) As necessidades dos presbíteros (vs. 17-21)

O Apóstolo passa a nos instruir como satisfazer as necessidades daqueles que têm posição oficial como presbíteros e o espírito no qual nenhuma acusação do mal contra tais devem ser feitas.

(vs.17,18) O trabalho dos presbíteros era assumir a liderança nas Assembleias do povo de Deus (N.Tn.). Eles são responsáveis por verificar que a ordem divina seja mantida em público e privado. Honra era devida a um presbítero como tal; aqueles que fizeram bem seu trabalho foram contados como dignos de dupla honra, especialmente aqueles que, além de cuidarem dos santos, trabalharam na palavra e ensino. Além disso, suas necessidades temporais não eram para ser esquecidas. Ambos, o Velho e o Novo Testamento são citados por terem a mesma autoridade como escrituras, para reforçar a nossa responsabilidade em ajudar o trabalhador (no Senhor) (Dt. 25:4; Lc.10:7).

(v.19) Os presbíteros, em razão dos seus serviços seriam mais confiáveis que os outros, em mal-entendidos e difamação. Tendo que por vezes lidar com erros em outros, o que pode gerar ressentimentos e mal-estar, isso poderia manifestar-se em acusações maliciosas. Pode haver certamente, justa causa para uma acusação, mas ela não era para ser aceita sem testemunhas.

(vs.20,21) Ofensores, quer presbíteros ou não, dos quais o erro tenha sido completamente provado por uma testemunha adequada, devem ser repreendidos diante dos outros para que tenham temor. No entanto, tudo no sentido da repreensão deve ser feito não simplesmente diante dos outros, mas “diante de Deus” cuja casa somos nós, diante do Senhor Jesus Cristo, Que é Filho sobre a Casa de Deus e diante dos anjos eleitos que são ministros daqueles que formam a Casa. Assim a repreensão deveria ser sem “preconceito”, que formaria um julgamento sem a completa consideração de toda a questão, e sem parcialidade, que preferiria um perante outro.

(d) Cuidado na expressão da comunhão (v.22)

Nas Escrituras, impor as mãos sobre outro é sinal de comunhão, em vez de demonstração de autoridade como a Cristandade ensina. Falsa liberalidade pode afetar a grandeza de coração estendendo a comunhão descuidadamente para aqueles que estão seguindo um curso errado. Assim podemos colocar nossa aprovação no mal e participar do pecado de outros homens. Temos de nos manter puros, uma ordem que claramente prova que podemos ser contaminados por nossas associações.

(e) Instrução sobre as necessidades do corpo (v.23)

As necessidades de um corpo fraco e sofredor não devem ser negligenciadas. Era para Timóteo “usar um pouco de vinho” por conta de seu estômago e frequentes enfermidades. Timóteo não é culpado por suas doenças, nem é sugerido que a frequência de sua ocorrência prove alguma falta de fé da sua parte; nem é exortado a procurar que presbíteros impusessem as mãos sobre ele ou mesmo orassem por sua cura. A ele é indicado a usar um remédio comum. No entanto, é “um pouco de vinho” e para ser usado por causa do estômago fraco. Assim, não há desculpa, no aviso do Apóstolo, para tomar vinho em excesso ou usá-lo para mera satisfação própria.

(f) Advertências sobre julgar pela aparência (vs. 24,25)

(v.24) No julgamento de nossas associações com outros, temos de nos guardar de sermos enganados pelas aparências. Os pecados de alguns são tão abertos que não há dúvida quanto aos seus caráteres e condenação. Outros podem ser igualmente maus e ainda assim enganar por uma razoável aparência na carne. Contudo seus pecados os levarão para julgamento.

(v.25) Isto pode ser verdade naqueles nos quais a graça foi forjada. Com alguns é obvio que suas boas obras proclamam seus caráteres. Outros podem ser igualmente objetos da graça, mas suas obras podem ser menos públicas. No tempo devido tudo virá à luz.

Ao lermos as instruções e aviso do Apóstolo podemos tomar bem cuidado com a palavra que diz “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Co.10:12).  Das exortações do capítulo (5) é evidente que o crente pode cair numa condição na qual se encontra em hábitos de satisfação própria (v.6); Ele pode agir de uma maneira que é pior do que um infiel e assim negar a fé (v. 8);   podem tornar-se levianas contra Cristo e assim aniquilarem a primeira fé (v.11); podem tornar-se ociosas andando de casa em casa, paroleiras e curiosas nos afazeres dos outros (v.13); e podem se desviar indo após Satanás (v.15).

Ademais, ao lermos as instruções aprendemos que aqueles que compõem a Casa de Deus devem procurar viver da maneira que é boa e agradável diante de Deus (v.4); irrepreensíveis diante dos homens (v.7); não dando ocasião ao adversário de maldizer (v.14).

Por Hamilton Smith

Tradução: Rosimeri F. Martins (Curitiba), revisão Batista (Limeira).
Texto original: http://www.stempublishing.com/authors/smith/1TIMOTHY.html

sábado, 8 de abril de 2017

I Timóteo - Um Resumo Expositivo - H. Smith - Parte IV

IV.
ADVERTÊNCIAS CONTRA RELIGIOSIDADE DA CARNE E INSTRUÇÕES EM PIEDADE
(Capítulo IV)

Tendo nos instruído sobre a ordem na Casa de Deus e o segredo do correto comportamento da parte daqueles que formam a Casa, o Apóstolo, no restante da Epístola, adverte-nos contra certas atividades carnais que são destrutivas ao correto comportamento e nos instrui quanto à verdadeira piedade que sozinha guardará o fiel desses diferentes males.

No capítulo 4 o Apóstolo adverte mais especialmente contra a apostasia e manifestação religiosa da carne em si no falso princípio do asceticismo (moral filosófica ou religiosa, baseada no desprezo do corpo e das sensações corporais, e que tende a assegurar, pelos sofrimentos físicos, o triunfo do espírito sobre os instintos e as paixões N.T.). No capítulo 5 somos advertidos contra a carne mundana mostrando-se em lascívia e autogratificação. No capítulo 6 somos advertidos contra a carne cobiçosa com seu amor pelo dinheiro.

A proteção contra esses males é encontrada na “piedade”. A verdade da piedade tem um lugar proeminente na Primeira Epístola a Timóteo. A palavra é usada dezesseis vezes no Novo Testamento, em nove dessas ocasiões são encontradas nesta Epístola (2:2; 3:16; 4:7-8; 5:4; 6:3,5,6,11). Piedade é a confiança no conhecido e vivo Deus que conduz o crente a andar em santo temor de Deus no meio de todas as circunstâncias da vida. Ela reconhece e honra a Deus, e é, portanto, a oposição da falsa santidade ou hipocrisia que busca exaltar a si mesmo.

No capítulo 4 o Apóstolo primeiro adverte contra a apostasia de alguns que deixaram o Cristianismo por religião da carne (vs 1-5); então ele coloca diante de nós a vida de piedade como aquela que guardará a alma dos males da carne (vs. 6-10),  finalmente o Apóstolo dá exortações pessoais a Timóteo, contendo instruções e orientação para todos os servos do Senhor (vs. 11-16).

(a) Advertências contra carne religiosa ou asceticismo (vs. 1-5)

O Apóstolo encerrou a parte anterior da Epístola com uma maravilhosa revelação sobre “a fé” mostrando a grande verdade do Cristianismo como sendo a manifestação de Deus em Cristo. Agora o Espírito expressamente adverte que, nos últimos tempos da profissão Cristã, alguns deixariam ou apostatariam da fé. Mais tarde, o Apóstolo nos avisa que alguns, por suas práticas, negariam a fé (v.8); alguns pela cobiça se desviariam da fé (6:10); e alguns, por especulação, perderiam a fé (6:21).

(vs.1,2) Aqui ele fala de apostatar da fé. Claramente, o Apóstolo não está falando da grande apostasia predita na Segunda Epístola aos Tessalonicenses, a qual se refere à apostasia da Cristandade como um todo depois do arrebatamento da Igreja. Nesta passagem o Apóstolo diz “alguns apostatarão”, evidentemente referindo-se a apostasia de indivíduos acontecendo nos últimos dias antes da vinda do Senhor.

Enquanto a Assembleia de Deus ainda está na terra, se levantarão aqueles que fizeram a profissão do Cristianismo, mas desistiram das grandes verdades principais da fé Cristã a respeito da Pessoa de Cristo.

(V.3) Por trás dessa apostasia há a direta influência de espíritos de sedutores conduzindo a doutrinas de demônios em contraste com a verdade. O apóstata não é simplesmente um que negligencia a verdade, nem um que rejeita a verdade. Ele é um que tendo feito a profissão da fé, deliberadamente desiste da verdade e toma algum outro credo religioso como sendo superior ao Cristianismo. Os demônios falam mentiras enquanto professam manter a verdade. O diabo, sabemos “é um mentiroso” (Jo. 8:44) e enganou nossos primeiros pais falando mentiras em hipocrisia. O fato de que a verdade não tem poder sobre suas almas e que dão atenção a doutrinas de demônios prova claramente que as suas consciências estão tão cauterizadas que eles já não são capazes de distinguirem entre o bem e o mal. Apostasia então envolve não somente desistir da verdade, mas também adotar o erro – as doutrinas dos demônios.

No lugar da verdade o apóstata aparenta uma religião da carne que professa ser da mais alta santidade. Eles fazem suposição de extraordinária pureza proibindo o casamento, e grande negação própria pela abstinência (do consumo) de carnes. Na realidade, tendo deixado a fé, eles negam Deus como nosso Salvador e, rejeitando casamento e carne, eles negam Deus como o Criador. Isto significa a perda de toda a verdadeira piedade que teme a Deus, e como resultado abre a porta para um abuso da liberdade e libertinagem. Esses espíritos sedutores, servindo de instrumento para o orgulho da carne, mantém diante dos homens a promessa da maior das santidades a fim de levá-los a uma profunda corrupção.

(v.4) A verdadeira piedade se aproveita de cada misericórdia que Deus coloca ao nosso alcance. As bênçãos do casamento e da carne (alimento), que são rejeitadas por aqueles que se apartam da fé, devem ser recebidas com gratidão por aqueles que creem e conhecem a verdade.

(v.5) O mundo e seus caminhos não são aprovados pela palavra de Deus para o crente; mas essas misericórdias naturais, que estão disponíveis para todo o mundo, são colocadas à parte para nosso conforto enquanto passamos pelo mundo. No entanto, a sua utilização é guardada para o crente, pela palavra de Deus e oração. A palavra de Deus regula seu uso e pela oração o crente as toma na dependência de Deus.

(b) Piedade ou confiança no Deus vivo (vs. 6-10).

(v.6) O apóstolo colocou diante de nós certos perigos contra os quais o Espírito expressamente nos adverte. Timóteo tinha de fazer lembrar essas coisas aos irmãos e assim o fazendo, provaria ele mesmo ser um bom servo de Jesus Cristo nutrido nas palavras da fé e da boa doutrina com a qual ele estava totalmente familiarizado. Os espíritos sedutores, dos quais o Espírito Santo fala, buscaram exaltar o homem com um sentimento de importância religiosa e santidade. O verdadeiro servo busca exaltar Cristo em ministrar a verdade.

Para ser um bom servo de Jesus Cristo, não é suficiente conhecer a verdade e guardar a verdade; nós precisamos ser nutridos pela verdade, e, na prática, seguir completamente a verdade. Nossas próprias almas devem estar alimentadas se temos de alimentar outros. Nós temos de ser nutridos, não simplesmente nas palavras de mestres, apesar de verdadeiras, mas “com as palavras da fé” que transmitem a nós “o bom ensino” do Cristianismo e, se seguida, produzirá um efeito prático em nossas vidas, guardando-nos dos males dos últimos tempos.

(v.7) Tendo nos exortado a seguir a verdade, o apóstolo nos adverte a recusar tudo aquilo que estiver fora das “palavras de fé”. As imaginações dos homens sempre vão tender para a profanação e loucura, as quais o Apóstolo caracteriza com desprezo como “fábulas profanas e de velhas”. Nosso grande “exercício” deveria ser o de sermos encontrados andando em piedade. Nós podemos colocar o serviço antes, mas há sempre o sério perigo de se estar ativo no serviço enquanto negligenciamos a piedade pessoal. O bom servo vai exercitar-se na piedade para que possa estar “santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra.” (2 Tm. 2:21). Podemos às vezes, como os Santos de Corinto, ser muito ativos nos serviços e vangloriar-nos de nossos dons, e como eles, sermos muito não espirituais por não nos exercitamos na piedade.

(V.8) Para enfatizar a importância do exercício espiritual quanto à piedade, o Apóstolo o contrasta com o “exercício corporal”. A alusão é provavelmente aos jogos públicos, como em 1 Coríntios 9:24-25,  onde falando de corridas públicas ele diz “E todo aquele que luta de tudo se abstém”. Ele continua a nos advertir nessa passagem, dizendo que o exercício em temperança tem somente uma vantagem passageira; na melhor das hipóteses apenas para obter uma “coroa corruptível”, em contraste com a “incorruptível” a qual o Cristão tem em vista. Então, aqui ele diz que este exercício corporal é proveitoso apenas em algumas coisas pequenas; mas o exercício espiritual da piedade é proveitoso para todas as coisas, sendo rico em bênçãos nesta vida  como naquela que está por vir.

(V.9,10) O Apóstolo reforça a importância do exercício da piedade declarando “Esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação”. É por causa de sua piedade que o apóstolo pode dizer “Porque para isso trabalhamos e somos injuriados”. Podemos estar preparados para trabalhar e sermos proeminente perante os homens, e assim trabalhar e receber aplausos ou trabalhar e exaltar-se a si mesmo. Mas se a piedade estiver por trás do nosso trabalho, isso inevitavelmente vai significar trabalho e repreensão.

O Apóstolo continua a mostrar que a fonte da piedade é a confiança em Deus. Nós confiamos no Deus vivo que é o preservador de todos os homens, especialmente daqueles que creem. Piedade é aquela confiança individual em Deus que ocupa todas as circunstâncias da vida em relação a Deus. O homem não regenerado deixa Deus fora da sua vida; o crente reconhece Deus em todos os detalhes da vida e agradecido recebe e usa toda benção que Deus coloca ao seu alcance, sem abusar dessas bênçãos. Assim, piedade é o antídoto a todas as más influências dos últimos dias, quer seja o mal que tome a forma de asceticismo, celibato, abstinência de carne (alimento) (4:3), negligenciando suas próprias casas e vivendo em prazeres (5:4-6) ou atribuindo importância às vantagens do mundo e do dinheiro (6:3-10).

(c) Preceitos pessoais para o servo do Senhor (vs. 11-16)

(Vs.11,12) Essas coisas Timóteo tinha de ordenar e ensinar. Sendo um homem jovem, ele devia especialmente estar atento contra qualquer presunção ou orgulho da juventude que pudesse macular seu testemunho, levando-o a ser desprezado por causa de sua juventude. Se as suas exortações e instruções aos outros tinham de ter efeito, ele teria de, em sua vida, ser “um modelo dos crentes” – “em palavra, em conduta, em amor, em fé, em pureza”. Ai de nós!  Quão frequentemente maculamos nosso testemunho por falharmos em exibir essas belas qualidades de Cristo. Se as verdades que ensinamos não afetam nossas próprias vidas, podemos esperar que nosso ensino afetasse outros?

(V.13) Sua própria vida sendo pura, o servo estaria livre para procurar ajudar os outros, pela leitura, exortação e ensino. A conexão da leitura com exortação parece mostrar que a leitura não tem referência ao seu estudo pessoal, mas sim à leitura pública das escrituras, a qual naqueles dias tinha um lugar de especial importância.

(v.14) Além disso, no caso de Timóteo, o dom de ministério foi transmitido a ele, e para o qual ele fora especialmente marcado por uma palavra profética de Deus, e com a qual os anciãos expressaram sua comunhão pela imposição de mãos. Tal profecia e imposição de mãos foram completamente estabelecidas no caso de Barnabé e Saulo (Atos 13:2,3). Apesar de correta e bela a vida Cristã, ela não habilitaria o servo a tomar um lugar definitivo de mestre. Para isso, um dom de Deus era necessário. No caso de Timóteo ele podia ir adiante em confiança porque seu dom havia sido transmitido por uma palavra diretamente de Deus, e poderia ser exercido na consciência de que ele tinha a completa comunhão dos anciãos do povo do Senhor. O dom foi dado pela profecia e pela imposição de mãos de Paulo (2 Tm.1:6). Não foi dado pela imposição de mãos dos anciãos: eles impuseram as mãos em Timóteo expressando a sua comunhão com ele. Então encorajado, ele tinha de tomar o cuidado de não negligenciar o dom por qualquer timidez natural.

(v.15) Assim fortalecido e encorajado, Timóteo tinha de devotar-se às coisas do Senhor, como diz o Apóstolo. “Ocupe-se com essas coisas” (N. Tn). Frequentemente nos permitimos estar distraídos por outros objetivos que não os do Senhor e Seus interesses! Bom para nós abraçarmos com todo o coração o Cristianismo e fazermos das coisas do Senhor o nosso interesse – para “estar completamente neles” (N. Tn.). Assim, de fato nosso progresso espiritual será manifestado a todos.

(v. 16) O apóstolo resume sua exortação a Timóteo dizendo “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”. Forçar a doutrina enquanto descuidado de nosso próprio caminhar, ou fazer muito da piedade pessoal enquanto afirmando que isso é de pequena importância o que temos, são duas armadilhas nas quais muitos tem caído. Ambas são fatais para todo verdadeiro testemunho. É somente quando tomamos consciência de nós mesmos e da doutrina que poderemos salvar a ambos, a nós e aqueles que nos ouvem, dos males dos últimos tempos.

Por Hamilton Smith

Tradução: Rosimeri F. Martins (Curitiba), revisão Batista (Limeira).
Texto original: http://www.stempublishing.com/authors/smith/1TIMOTHY.html