segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O Estado Intermediário do Perdido - Bruce Anstey

Os incrédulos que morreram em seus pecados foram para o inferno?

Clichê (sem fundamento): "Ele morreu e foi para o inferno."

Esta declaração reflete um mal-entendido do estado presente e futuro dos perdidos que partiram deste mundo pela morte.

A Escritura indica que "inferno"("Ghenna" em grego) é a morada eterna dos condenados (Mt.5:22, 29,30; 10:28; 18:9; 23:15,33; Mc.9:43,45,47; Lc.12:5; Tg.3:6). O "lago de fogo" é uma figura desse horrível lugar de juízo (Ap.19:20; 20:14-15). Não é literalmente um lago com fogo, como alguns imaginam. "Fogo" na Escritura é uma figura para juízo. E "lago" é um lugar de confinamento - a água literalmente drena para o lago e fica confinada lá. Assim, o lago de fogo é um lugar de confinamento sob o juízo de Deus. E ao contrário do que nos é ensinado tradicionalmente, nenhum homem ou demônio está no inferno atualmente! Ele tem sido "preparado" (Mt.25:41), mas está vazio. Além disso, todo ser humano que será lançado no inferno não vai estar morto – mas sim fisicamente vivo!

A morte é uma condição temporária para todos os que morrem - tanto para os salvos, quanto para os perdidos. Aqueles que morrem em seus pecados subirão novamente na "ressurreição da condenação" (Jo.5:29; At.24:15). Em Ap.20:5 lemos que eles "voltam à vida" novamente para serem julgados por seus pecados antes de serem lançados no inferno. Apocalipse 20, identifica tais pessoas más como "os mortos", mas eles não estarão mais mortos quando forem lançados no lago de fogo.

Poderíamos perguntar: "Onde, ou em que condição, estão os perdidos que morreram?" A resposta é: as almas de todos os que morreram (crentes e incrédulos) estão atualmente em um estado intermediário entre a morte e a ressurreição. Este estado é chamado de "Sheol" no Antigo Testamento e "Hades" no Novo Testamento. Hades (Sheol) refere-se ao mundo invisível dos espíritos dos mortos, sem especificar em que condições eles estão. A Escritura indica que há duas condições opostas no Hades (Sheol): Há "tormento" para os perdidos (Lc.16:24-25) e gozo ("paraíso") para os crentes (Lc.23:43).

Uma consulta foi submetida ao editor da revista Help and Food a respeito do Hades: "Pergunta: O que é Hades?" “Resposta: Sem dúvida é todo o mundo invisível, incluindo salvos e perdidos. Ver Lc.16:23 e Ap.20:13-14 para os perdidos, e At.2:27,31 para o nosso bendito Senhor. Hades corresponde ao Sheol do Antigo Testamento" (revista Help and Food, vol. 14, p. 140). Gostaríamos de acrescentar 1Co.15:55 a estas referências, onde consta que os crentes que morreram estão no Hades. A versão King James da Bíblia traduz este versículo como "sepultura", mas a palavra no grego é "Hades" e deveria ser traduzida como tal (J. Green's Interlinear; Wigram's; Strong's, etc.).

O que pode causar confusão é que Hades está erroneamente traduzido como "inferno" em dez lugares na versão King James da Bíblia (Mt.11:23; 16:18; Lc.10:15; 16:23; At.2:27, 31; 1Cor.15:55 -margem; Ap.1:18; 6:8; 20:13-14). Em cada uma dessas referências deve-se ler "Hades." Em uma tradução mais criteriosa, como a versão de J. N. Darby, isso é imediatamente esclarecido.

Assim, aqueles que morreram em seus pecados ainda não estão no inferno, e quando eles forem lançados lá, não estarão mortos. Atualmente eles estão em tormento no Hades e serão ressuscitados no final dos 1.000 anos do reinado de Cristo para serem julgados, e então lançados vivos no inferno - no lago de fogo (Ap.20:11-15). Portanto, em vez de dizer, "Ele morreu e foi para o inferno," será mais correto dizer: "Ele morreu em seus pecados e está em uma eternidade perdida agora."

Tradução: Kleber Barbosa | Revisão: Paulo Martins e Rosimeri Martins
Extraído do livro "UNSOUND DOCTRINAL STATEMENTS & CLICHÉS (Commonly Accepted as Truth)" Bruce Anstey - 1) The Intermediate State of the Lost - Tradução páginas 19 a 21.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O Estado Intermediário dos Crentes - Bruce Anstey

Crentes no Senhor Jesus Cristo que morreram estão em glória?

Clichê (Sem Fundamento): “O irmão Fulano-de-Tal está na glória agora”.

Esta afirmação reflete um mal-entendido sobre os estados presente e futuro dos crentes que deixaram este mundo pela morte. As almas e os espíritos de todos os que morreram na fé estão agora com Cristo no céu, mas eles ainda não estão lá em um estado glorificado. Além disso, não seria correto dizer que eles estão "na glória".

Todos os que morreram na fé estão em um estado separado ou intermediário, ou “despido”(2Co.5:4). Suas almas e espíritos estão "com Cristo" no céu (Fp. 1:23). Sabemos que eles estão no "céu", porque é onde Cristo está (Lc.24:51; At.1:9-10;3:21;7:55; Fp.3:20; Hb.4:14.). Além disso, Paulo afirma que essas pessoas sem corpos estão no "paraíso", que ele correlaciona com o "céu" (2Co.12: 2-4). O Senhor declarou o mesmo estado para o ladrão (Lc.23:43). Ele também ensinou que as almas e os espíritos que deixaram os corpos de crianças que morreram antes da idade de entendimento, estão agora no "céu" (em Mt.18:10 - "seus anjos" é uma referência aos espíritos que deixaram os corpos delas; leia At.12:15). Os corpos de todas essas pessoas, no entanto, permanecem nos túmulos.

A confusão surge porque as pessoas usam expressões como: "em glória" e "na glória" para se referir ao céu. A versão King James da Escritura não ajuda nesse assunto, afirmando que Cristo foi "recebido na glória" em Sua ascensão, o que implica que a glória é um lugar no céu (1Tm.3:16). No entanto, é uma tradução equivocada. O versículo deveria dizer que Ele foi recebido "em glória", o que significa que Ele subiu ao céu em um estado glorificado. Assim, "glória" é uma condição, não um lugar. A expressão "na glória" não é usada na Escritura para indicar um lugar no céu. Nós portanto, não deveríamos usá-la dessa maneira, como um lugar no céu, porque confunde o atual estado dos fiéis que partiram, com o seu futuro estado de glorificação. As almas e espíritos dos crentes falecidos estão definitivamente no céu com o Senhor agora, mas eles ainda não estão em um estado glorificado. Seus corpos ainda estão na sepultura, e precisam ser ressuscitados. J.N.Darby disse: "O estado intermediário não é a glória (para isso precisamos esperar pelo corpo. Ele sobe em glória; O Senhor transformará nossos corpos, como o seu corpo glorificado.)" (Collected Writings, vol . 31 p.185).

Os mortos em Cristo (cristãos), e todos os santos do Antigo Testamento, estão em um estado separado (sem corpo), esperando para serem glorificados. Isso ocorrerá quando Cristo vier no Arrebatamento (1Co.15:51-57; Fp.3:20-21; Hb.11:40; 1Jo3:2). Os crentes que estiverem vivos na Terra estão "presentes no corpo" (2 Co.5:6), e também estão esperando para serem glorificados.

A transformação de ambos (os que partiram e os santos vivos) irá ocorrer ao mesmo tempo (quando o Senhor vier), e vai ser tão rápido como um "piscar de olhos" (1 Co.15:23; 53-55). A diferença é que aqueles que morreram na fé estão atualmente numa brilhante "sala de espera", por assim dizer, porque eles estão com Cristo em um pleno estado de gozo, que é "muito melhor" do que qualquer coisa que uma pessoa viva na Terra poderia experimentar (Fp.1:23). Por isso, os santos que morreram e passaram a estar com o Senhor não estão glorificados ainda, e, portanto, não seria correto dizer que eles estão "em glória". Há apenas um homem glorificado atualmente - O próprio Cristo (At.3:13; Fp.2: 9-11; 1Tm.3:16; 1Pe.1:21).

Se pararmos e considerarmos as ramificações desta idéia errada - e se analisadas até sua conclusão lógica - irá resultar na exclusão da necessidade da ressurreição! Como vimos, a Escritura ensina que os santos falecidos serão glorificados na primeira ressurreição (1 Cor.15:23, 51-57.) quando o Senhor vier (1Ts.4:15-18.). Mas, se eles já foram glorificados, qual é a necessidade da ressurreição?

Portanto, em vez de dizer que o irmão Fulano-de-Tal está "na glória agora," seria mais correto dizer que ele está com o Senhor no céu, em uma condição de gozo, o que é muito melhor.

Tradução: Kleber Barbosa | Revisão: Paulo Martins e Rosimeri Martins
Extraído do livro "UNSOUND DOCTRINAL STATEMENTS & CLICHÉS (Commonly Accepted as Truth)" Bruce Anstey - 2) The Intermediate State Of Believers - Tradução páginas 21 a 23.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A Besta e O Anticristo - Bruce Anstey

Clichê (Sem Fundamento): Imediatamente após o Arrebatamento, o Anticristo surgirá com destaque e estabelecerá um único governo mundial onde ele será o líder - como o cavaleiro do “cavalo branco” (Ap.6:2). Ele fará uma aliança por 7 anos com Israel para protegê-los, mas na metade dos 7 anos, ele romperá a aliança (Dn.9:27).

Essa afirmação nos faz confundir o Anticristo com a primeira “Besta” em Ap.13:4-8 (também chamado de “o chifre pequeno”- Dn.7:8, 20-21,24-25). Um erro comum que prevalece entre os cristãos.

A primeira besta no capitulo 13 de Apocalipse (o chifre pequeno) é o líder político das superpotências ocidentais (uma confederação de dez nações na Europa, talvez incluindo a América do Norte). O Anticristo é a segunda besta do capítulo 13 de Apocalipse, chamado de “o falso profeta” em relação ao seu trabalho de enganar com mentiras as nações ocidentais, de que todos deveriam adorar a imagem da besta (2Ts.2:9-12; Ap.13:12-17; 19:20). Ele também é chamado de “o rei” em relação aos Judeus na terra de Israel, como sendo o seu falso líder (Messias) (Is.8:21; 30:33; 57:9).

Assim, no Ocidente o primeiro homem é um líder político e o outro homem é um líder religioso. Muitos confundem estes dois homens e pensam que o Anticristo é o líder político da confederação ocidental.

Além disso, a Escritura não ensina que esses homens serão líderes de um único governo mundial. Eles, sem dúvida nenhuma gostariam de ser, e irão se empenhar em consegui-lo, mas um único governo mundial só será visto pela primeira vez na Terra quando o Senhor Jesus estabelecer o Seu Reino no Milênio (Dn.2:35; Zc.14:9).

Durante todo esse tempo esses homens estarão no poder no Ocidente; haverá outra grande Confederação política das nações no Oriente que irá se opor á confederação do Ocidente (Sl.83). Estas nações teriam que ser derrotadas antes de ser estabelecido um governo mundial pela Besta e o Anticristo. E isso nunca acontecerá porque o Senhor intervirá e destruirá ambos os superpoderes (Ap.16:12-21).

Inclusive, a Besta ou o Anticristo não farão uma aliança de 7 anos com os judeus. A aliança será feita 3,5 anos antes que esses homens cheguem ao poder no Ocidente. Seus reinados como líderes da Confederação Ocidental durará 42 meses, que é a última metade da semana profética do capítulo 9 de Daniel (Ap.13:5).

O primeiro “ele” descrito no versículo 27 do capítulo 9 de Daniel, que estabelecerá a aliança com os Judeus, é um líder desconhecido na Confederação Ocidental, formada pela primeira vez sob o controle da Igreja Católica Romana.

O segundo “ele” citado naquele versículo é a Besta (o chifre pequeno), e aparece no cenário quando assume o império como um ditador, na metade da semana profética de Daniel. Ele irá romper a aliança com os Judeus. O Anticristo, supõe-se, terá alguma participação nessa traição (Sl. 55:20). Alguns estudantes da Profecia concluíram que “o príncipe” nesta passagem parece ter a mesma participação que vários indivíduos tiveram quando o império passa do controle da mulher (a Igreja Católica - Ap.17:1-5) para o controle pessoal da Besta (Ap.17:12-18).

Como consequência, a Besta e o Anticristo não fazem uma aliança com os Judeus – eles irão romper a aliança quando chegarem ao poder na metade dos 7 anos.

Tradução: Kleber Barbosa | Revisão: Paulo Martins e Rosimeri Martins
Extraído do livro "UNSOUND DOCTRINAL STATEMENTS & CLICHÉS (Commonly Accepted as Truth)" - Bruce Anstey
45) The Beast and The Antichrist - Tradução páginas 110 a 111

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O que acontecerá com filhos de incrédulos no Arrebatamento? - Bruce Anstey

Será que as crianças, filhas de incrédulos, seriam levadas no Arrebatamento para serem poupadas da Grande Tribulação? Por ser a Grande Tribulação um período tão terrível, muitos acreditam que Deus não permitirá que as crianças venham a passar por ela. Essas pessoas acham que todas as crianças serão tiradas do mundo quando a Igreja for levada no Arrebatamento. Seu argumento é que todas as crianças estão sob o abrigo do sangue.

Todavia as Escrituras não indicam isso. Existem no Antigo Testamento figuras desse tempo vindouro de provação e juízo que sugerem que os filhos dos incrédulos não serão tirados da terra e da Tribulação que virá. No caso do Dilúvio, que é uma figura do juízo futuro, os filhos dos incrédulos não entraram na arca, mas se afogaram com seus pais (Gênesis 6-7). Também no caso do juízo que caiu sobre Sodoma e Gomorra, outra figura do período de juízo que está por vir, os filhos dos incrédulos não foram tirados dessas cidades antes que o fogo de Deus caísse do céu (Gênesis 19). Portanto, estes tipos ou figuras sugerem enfaticamente que o mundo não ficará vazio de crianças no Arrebatamento.

Podemos achar que tenha sido uma terrível falta de misericórdia da parte de Deus ter agido assim naquelas ocasiões, já que aquelas crianças eram inocentes. Todavia, de uma perspectiva eterna, aquilo foi um ato de misericórdia, se considerarmos que aquelas crianças teriam crescido para se tornarem como seus pais, o que as levaria a acabarem sendo julgadas por seus pecados numa eternidade de perdição. Mas já que morreram como crianças quando veio aquele juízo, suas almas foram para o céu (Mateus 18:10).

Um princípio que nos é dado em 1 Coríntios 7:14 indica que os filhos de pais crentes (ou mesmo quando apenas um deles é crente) irão para o céu com seus pais crentes no Arrebatamento. C. H. Brown costumava dizer: “Deus não irá roubar o berço de pais incrédulos no Arrebatamento”.

Além disso, se desenvolvermos essa ideia equivocada até sua conclusão lógica, veremos que ela realmente não faz qualquer sentido. Deus não poderia realizar aquilo que os que advogam essa ideia dizem que Ele estaria tentando realizar — que é manter crianças fora da Grande Tribulação. A razão é que crianças continuarão a nascer durante o período de Tribulação. E já que a cada segundo nasce uma criança em algum lugar do mundo, em questão de semanas e meses após o Arrebatamento o mundo já teria uma quantidade significativa de crianças nascidas aqui.

Tradução: M. Persona
Extraído de “Unsound Doctrinal Statements and Clichés Commonly Accepted as Truth” - Bruce Anstey