domingo, 22 de dezembro de 2013

Se Jesus é Deus imutável, como mudou para ser Homem?


Sim, Jesus é Deus, portanto imutável, tanto no seu Ser como em seus atributos, o mesmo ocorrendo com o Pai e o Espírito Santo, as duas outras Pessoas da Trindade. Mas como o Jesus imutável mudou ao ponto de se transformar em Homem? A resposta é: ele não mudou e nem se transformou. Jesus veio em carne, isto é, adotou a natureza humana além da divina.

Joã 8:58 Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.

Joã 1:14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

Heb 1:8-12 Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros. E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão.

Heb 13:8-9 Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente. Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas...

Estas passagens mostram que Jesus é Deus, eterno e imutável em sua essência. Mas mesmo assim ele se fez carne, o que pode parecer para alguns que ele mudou, deixando de ser imutável. Será?

Se pesquisar verá casos de pessoas que recebem um transplante de coração em condições especiais que não permitem a retirada do coração original. Elas passam a viver com dois corações, e entendo que este exemplo nos ajuda a enxergar um pouco do que aconteceu. Sem deixar de ser Deus imutável, Jesus recebeu uma nova natureza, a humana.

Por isso todos os seus atributos permaneceram intactos. Ele andou aqui sem fazer uso de todos os atributos divinos, embora eles continuassem lá, inalterados. Mas em alguns momentos era possível vê-los trabalhando, quando ele domava os elementos, repreendia os espíritos malignos e multiplicava os pães. Mais que tudo, seu poder divino sobre a vida e a morte permitia que ele trouxesse mortos de volta à vida.

Era como se, no caso do transplantado, alguém duvidasse que ele ainda permanecia com seu coração original e quisesse verificar. Bastaria inclinar-se sobre o seu peito para ouvir os dois corações batendo: o original e o novo batendo lado a lado. O apóstolo João fez algo assim:

1Jo 1:1 O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida

Antes da encarnação Jesus era "apenas" Deus (digo-o reverentemente), e Deus na integralidade de sua Pessoa. Depois de vir ao mundo ele passou a ser Deus "e" Homem -- tão Deus quanto sempre foi, e tão Homem quanto sempre será eternamente. Não significa que sua divindade tenha se tornado humana, ou que sua humanidade se tornou divina, porque aí teríamos um ser híbrido, o que não é o caso. Ele é 100% Deus e ao mesmo tempo 100% Homem, e não 50% Deus e 50% Homem. Os semi-deuses da mitologia é que são assim.

Obviamente isto é o máximo que podemos tocar do mistério da encarnação, pois estamos falando da própria natureza de Deus, um terreno onde devemos tirar as sandálias dos pés para caminhar. Jamais entenderemos completamente Deus e em especial a encarnação. Só podemos aceitar, pois assim vemos na Palavra de Deus. Ela é clara em mostrar que Jesus é Deus, portanto imutável. E ela é clara em mostrar que o Filho de Deus se fez carne, vivendo aqui como um Homem que tinha cansaço, sede e dor. Se nossa mente não consegue entender isso, então devemos deixar como está e simplesmente crer.

Se Paulo, depois de visitar o terceiro céu, disse que "ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar" (2 Co 12:4), como podemos achar que seremos capazes de entender ou falar da própria natureza de Deus? É por isso que a fé cristã não é baseada em dados ou provas científicas, mas no "firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem" (Hb 11:1).