sábado, 15 de dezembro de 2018

A Teoria da Evolução

Era hora do almoço, estávamos eu e o meu Gestor em nossos computadores, compartilhando o silêncio da sala vazia. Pensava eu, em como iniciar uma conversa que pudesse compartilhar da grande obra de Cristo na cruz. Sem nada em mente, resolvi ir direto ao assunto. Perguntei para o meu Gestor se ele era cristão. Bem brevemente ele respondeu um sim. Então prossegui a conversa: - Que legal! Então você crê na grande obra de Cristo que levou os nossos pecados na cruz, e ressuscitou... Ele me cortou antes que pudesse concluir a palavra ressuscitou, dizendo que acreditava que Jesus existiu, que foi um grande homem, assim como Napoleão Bonaparte e outros grandes homens que conhecemos.

Tentei continuar a conversa explicando sobre a divindade de Jesus, mas não teve jeito, papo vai e papo vem, ele disse que não acreditava na Bíblia, que as histórias da Bíblia são fábulas, que é improvável que o homem tenha vindo do pó, que acreditava na teoria da evolução. Dois colegas que retornavam do almoço, entraram no assunto sobre a teoria da evolução, e ficaram os três tentado me converter ao evolucionismo. Vendo que a minha tentativa de evangelizar tinha ido por água abaixo, aproveitei os minutos finais do meu almoço para ficar em silêncio, apenas ouvindo eles. Afinal, eles estavam em maior número, e eu não queria gastar munição, "jogando pérolas em focinho de porcos" (Mt 7:6).
Percebi então o quão diabólica é a teoria da evolução. Ela praticamente coloca o homem no mesmo nível da criação, exclui a queda do homem no Éden, exclui a necessidade de um Salvador, coloca Jesus no mesmo patamar de Napoleão, e ainda tira Deus do cenário, deixando o homem completamente à mercê de sua própria “evolução”. Quão triste é para o coração do homem crer nessa teoria.
Comecei a meditar sobre a origem do evolucionismo. Lúcifer criou um protótipo da teoria da evolução quando quis “evoluir” e ser como Deus. Depois ele enganou Adão e Eva no Jardim do Éden com a mesma ladainha de “teoria da evolução” de ser igual a Deus. Se Deus não tivesse expulsado os humanos do Jardim do Éden, a teoria da evolução pregada pela serpente teria praticamente extinguido a raça humana. Deus teve que seguir um caminho totalmente contrário ao evolucionismo, deixando toda a Sua glória, esvaziando-se a si mesmo, humilhando-se a si mesmo, descendo abaixo dos anjos, fazendo-se semelhante aos homens para salvá-lo. 
Se você está nessa de evolução e anda decepcionado, triste por não estar evoluindo como deveria, ou se você acha que já evoluiu tudo que deveria e mesmo assim anda preocupado, de que um peixe grande possa engolir você, não se preocupe, todos nós nascemos com esse vazio em nossas almas, e não é necessidade de evolução. Só Deus pode preencher esse vazio, pois todos nascemos com o DNA do pecado, destituídos da glória de Deus. Mas Deus já corrigiu essa falha nessa sua ideia de “evolução”, entregando seu filho na cruz. Jesus o homem perfeito. Deus e homem, 100% perfeito. Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. (Mateus 11:28)
Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo. (2 Co 5:17).
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; (Filipenses 2:7)
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. (Filipenses 2:8)
Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. (Hebreus 2:9)
Kleber C. B.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

E assim caminha a cristandade

Era domingo, eu feliz da vida, voltando para casa com minha esposa, após ter participado das reuniões com os irmãos reunidos ao nome do Senhor. Havia almoçado com eles, e estava feliz também por não ter o trabalho de preparar o almoço e lavar as louças ao chegar em casa. Ao me aproximar da estação tubo Hipólito da Costa para pegar o ônibus, uma simpática senhora nos parou pedindo ajuda para pagar a passagem. Ela disse que havia “rezado” pedindo ajuda a Deus, e que Ele havia nos apresentado. Paguei a passagem da senhora sem problemas.
Quando entrei na estação, aproveitei o momento para entregar um folheto evangelístico para aquela senhora. Para minha surpresa ela não aceitou. Logo fiquei preocupado com a condição espiritual daquela senhora. Perguntei para mim mesmo, para quem aquela senhora estava “rezando” pedindo ajuda? Ela rapidamente me perguntou qual igreja eu frequentava. Percebendo que ela queria ganhar tempo, fui direto falando que igreja não salva, que quem salva é Jesus. Ela insistiu novamente querendo saber qual igreja eu frequentava. Respondi que não frequentava nenhuma igreja, que só me reunia ao nome do Senhor Jesus, pois só Jesus salva. Ela fez uma cara de desconfiada e questionou: "Como assim?". Sem tempo para explicações ofereci novamente o folheto, e ela novamente negou dizendo que já tinha suas próprias convicções sobre Jesus.
O ônibus se aproximava e eu aproveitei os minutos finais para fazer uma última tentativa. Não havia tempo para explicar detalhadamente a grande obra salvadora de Jesus, tinha que tentar entregar o folheto para, pelo menos, ela ter a oportunidade de lê-lo no ônibus. E ela negou minha última investida, dizendo novamente que já tinha suas próprias convicções sobre Jesus. Perguntei rapidamente se ela cria verdadeiramente em Jesus, ela rapidamente respondeu que tem dia que sim, e dia que não. O ônibus chegou, abriu as portas e ela entrou olhando para trás ainda conversando comigo. Só tive tempo de falar para ela que ainda há tempo para crer em Jesus, que hoje é o dia para crer, e as portas do ônibus se fecharam, cortando em definitivo a nossa comunicação. O ônibus dela seguiu adiante e eu fiquei parado, imóvel, com o folheto na mão.
O cobrador da estação que havia presenciado toda a cena. Viu que eu havia ajudado aquela senhora com a passagem e depois assistiu todas as minhas investidas para tentar entregar um único folheto, quase que completando meus pensamentos, disse que é assim que as pessoas agem hoje em dia, elas só querem saber das bênçãos de Deus, não querem conhecê-lo de verdade. E assim caminha a cristandade.

Kleber C. B.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Na casa do fariseu - J.G.Bellett

Lucas 7:36-50

Esta cena na casa do fariseu é de grande valor moral. Ela nos mostra que nada além de nossos pecados pode, real e verdadeiramente, nos prover acesso a Jesus. A admiração por Ele como Mestre, ou como Alguém que faz milagres, nunca fará com que nos encontremos com Ele da maneira que Deus quer. É só o pecado e a consciência deste que pode nos levar verdadeiramente ao Filho de Deus; pois Ele é um Salvador, e como tal nos foi enviado pelo Deus bendito. Nicodemos foi encontrar-se com Ele vendo-O como um fazedor de obras poderosas; mas Nicodemos deve nascer de novo, deve receber dEle uma outra imagem, antes de poder aproximar-se dEle corretamente.

O mesmo acontece com este fariseu. Está claro que não foi como um pecador que aproximou-se de Jesus. Ele foi atraído, amavelmente atraído também, por algo que havia visto ou escutado dEle, e prepara-Lhe uma festa. Mas há outra pessoa na casa que se aproxima dEle por um caminho totalmente diferente. Ela é uma pecadora da cidade, e são seus pecados que a levam a Ele. E ela prepara-Lhe outra festa; e é desta, e não da ceia do fariseu, que o Senhor realmente participa. As lágrimas que derramou, a unção e os beijos que ela dá em Seus pés, compõem a festa da qual o Senhor participa, enquanto todos os caros alimentos providos pelo anfitrião nem são mencionados.

Isso tudo é algo muito precioso. É o pecador quem verdadeiramente provê a festa e a companhia que Jesus deseja. Nem a mesa do fariseu, nem seus amigos, podiam atrair o Senhor. Só a fé que O recebe como Salvador é que pode preparar uma mesa para o Filho de Deus neste mundo desértico. E posso ver que, em todos os lugares onde a conversão de Levi, o publicano, é registrada, sempre nos é dito em seguida que ele preparou uma ceia para o Senhor em sua casa. Pois ele era um daqueles aos quais Jesus desceu dos céus resplandecentes a fim de visitar. Ele era um publicano, um pecador assumido e reconhecido no mundo como tal; e Jesus era o Salvador. Foi, portanto, a fé de um assim que abriu a porta e recebeu o Senhor, que O fez sentir-Se bem-vindo no caráter que Lhe é apropriado, enquanto tudo mais só ajuda a mantê-Lo do lado de fora.

É nosso gozo podermos conhecer isto e crer. E quando iniciamos como pecadores na companhia de um Salvador, então nossa jornada é muito mais maravilhosa e gloriosa do que se poderia imaginar; pois nossos pecados nos levam a Cristo, e então Cristo nos leva ao Pai. E que caminho este! Ele vai desde os lugares mais distantes e escuros da criação, onde reinam o pecado e a morte, e sobe até os mais altos céus, onde amor e glória habitam e resplandecem para sempre. Os anjos possuem sua própria e imaculada esfera onde se movem, mas nunca trilharam um caminho como este. A Igreja passa das trevas de um pecador para a maravilhosa luz de Deus, e nunca houve nada assim antes; e ninguém mais além de um pecador consciente do valor do Filho de Deus pode compreender isto.

E vejo, por esta cena tão marcante, que este caráter de um pecador salvo pela graça do Filho de Deus, é algo feito notório até o final do trecho. Essa mulher muito amou, mas o amor dela, como pecadora, não foi o que lhe vale; é por isso que, no final, o Senhor lhe diz: "A tua fé" (e não 'teu amor') "te salvou: vai-te em paz" (Lc 7:50). Isto é algo que deve ser bem observado por todos nós, pois é de grande consolo. O fruto de nosso amor pode ser honrado diante de outros, como as lágrimas e a unção dessa pobre mulher são reconhecidas na frente do fariseu. Um copo de água fresca não perderá sua recompensa, se dado por amor a Cristo. Mas, perante a consciência do pecador, nada é reconhecido além do sangue, e a fé que descansa nele. É a fé, e não o amor, que nos leva em nosso caminho junto com eunuco em seu regozijo, ou nos diz, como aconteceu com esta pobre mulher, "Vai-te em paz". E quão doce é se render a Jesus e depender só dEle. Por mais elevada que a alma possa estar, por mais brilhante e imaculado que possa ser o andar, por mais profuso que seja o amor, e por mais ricas e variadas que sejam as experiências, como as de Davi ou Paulo, ainda assim Jesus, e Jesus só, é o único Salvador. A primeira coisa que Jesus faz é enviar em paz, e é a primeira confiança, e o primeiro gozo, que devem ser mantidos constantes até o fim.

Todavia não posso encerrar esta parte de nosso Evangelho, ou sair da casa do fariseu, de uma cena tão rica como esta, sem dar uma outra olhada. Pois parece-me que o grande conflito que é travado com frequência, o conflito entre a carne e o Espírito, ou entre as duas esposas, a escrava e a livre, foi ali mais uma vez testemunhado.

Pela transgressão, como aquela de Adão, a criatura supôs ter forças independente de Deus; e, por conseguinte, para restaurá-la, Deus deve primeiro ensiná-la que só Ele é soberano, e que todo o vigor da criatura deve fracassar. E é esta a lição que tanto a lei como o evangelho ensinam; pois a lei, provando o homem, demonstra quão vã é a confiança na carne; e o evangelho, revelando Deus, mostra quão seguro é confiar nEle. E o mistério das duas esposas nos ensina o mesmo. Hagar tinha vigor na carne, mas seu descendente não era o herdeiro (Gn 17:20-21). Léia tinha o vigor e o direito na carne, todavia seu filho não se sobressaiu e perdeu a primogenitura (Gn 25:24-34). Penina tinha o vigor na carne, mas não foi nenhum de seus filhos livrou Israel da miséria e da opressão (1 Sm 1:1-8). Por outro lado, toda bênção e honra cabem ao filho da promessa. Isaque pode ter causado risos (Gn 17:17; 18:12), mas foi sobre ele que a casa de Abraão foi estabelecida. José teve a primogenitura (1 Cr 5:2) e, tão logo nasceu, Jacó falou de voltar à sua herança (Gn 30:25), pois "se nós somos filhos, somos logo herdeiros também" (Rm 8:17). Samuel encheu o coração e os lábios de sua mãe com uma canção (1 Sm 2:1-11), e cresceu para levantar Israel do pó, resgatar sua glória das mãos do inimigo, e levantar a pedra de ajuda (Gênesis 49:24-25) no meio do arraial. E todas estas coisas nos ensinam, assim como nos ensinam a lei e o evangelho, que "o homem não prevalecerá pela força" (1 Sm 2:9). Os ricos são despedidos vazios, os arcos dos poderosos são quebrados, o servo pobre é lembrado, e a que era estéril tem sete filhos (1 Sm 2:4-5).

É esta a lição que Deus nos está ensinando; a lição necessária em um mundo como este, onde as criaturas, no seu orgulho, afastaram-se de Deus, na presunção de, em sua própria força, querer parecer Deus. Por esta razão o Senhor Deus continua a dizer sempre: "Não por força nem por violência, mas pelo Meu Espírito" (Zc 4:6).

É este o conflito neste mundo em que vivemos: aquilo que é da carne ou do homem sempre mediu forças com aquilo que é de Deus ou do Espírito, e este conflito nos é exibido desde a mais remota antiguidade; e ainda é assim. A casa das duas esposas, às quais me referi, mostravam isso constantemente. A casa de Abraão assistiu a tudo de uma maneira muito especial. Ali, durante algum tempo, Sara e Hagar habitaram juntas, mas em discórdia e conflito. A família de Jacó mostrava o mesmo. Léia tinha o direito da carne ou do primogênito, mas Raquel era objeto da eleição e da satisfação; e ambas, esposas do mesmo marido, habitavam juntas, mas nunca podiam entrar em acordo. O mesmo havia na casa de Elcana. Penina e Ana eram as Hagar e Sara, as Léia e Raquel - orgulho e provocação da parte de umas, e constante tristeza de coração das outras. Todas essas cenas eram a expressão do modo como a carne persegue o Espírito. A Igreja na Galácia foi um outro cenário do mesmo conflito. E o coração de cada crente é, em certa medida, a mesma coisa. E não há nada que possa sarar a casa, a Igreja, ou o coração, além do fortalecimento da que é livre, deixando-se frutificar, em toda a sua plenitude, a semente de Deus, o espírito de adoção, o princípio de filiação e santa liberdade em nós e entre nós. Ponha Isaque em seu devido lugar, despeça Ismael, e habite em uma casa não dividida. "Estai pois firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão" (Gl 5:1).

Aqui o Senhor encontra Israel da mesma maneira. Aquele que era nascido da carne perseguia aquela que era nascida do Espírito. A pobre mulher estéril era mais uma vez achada ali, a imunda pecadora, junto com o publicano, fraca e perdida, abandonada à sua própria sorte, agora recebendo a visita graciosa de Deus em todo o Seu poder e amor, mas sofrendo o escárnio e a perseguição daqueles que tinham, segundo julgavam, força em si mesmos - os fariseus, as Hagares, as Peninas daquela época. Era tudo, em princípio, a carne e o Espírito uma vez mais, a escrava e a livre; e esta casa que estamos visitando era uma amostra disso.

Que nossa fé possa ser fortalecida para fazermos jus ao amor de Deus! Esse amor exige nossa confiança plena e alegre. Depositar nEle uma confiança tímida ou desconfiada é tratar indignamente o Seu amor. Que possamos perder todo espírito de medo e escravidão! Que a verdadeira Sara em nossos corações possam gritar, e gritar até prevalecer, "Lança fora a escrava e seu filho" (Gl 4:30). Pois quando o Senhor faz Sua obra, Ele a faz de um modo digno de Si mesmo. Quando Israel saiu do Egito, eles saíram não como se estivessem envergonhados de si mesmos, mas armados e bem supridos (Êxodo 12:36; 13:18). Eles saíram como o exército de Deus devia sair. Nem um cachorro ousava mover sua língua contra eles, e nem havia pessoa alguma fraca em suas tribos. E o mesmo sucede conosco, pecadores tirados de sob o poder das trevas por nosso Redentor. Não é para andarmos com medo e suspeitas, como se mal pudéssemos confiar no braço que nos estava salvando; mas devemos seguir de um modo que mostrará claramente que a obra é dAquele cujo amor é tanto quanto o Seu poder; Aquele que não conhece nem a medida nem o esgotamento de Seus recursos.

Devemos deixar a casa do fariseu para trás, como fez aquela pobre pecadora, sem nos importarmos com o que poderiam dizer as pessoas que estavam ali, mas levando em nossos ouvidos o doce ecoar da voz do Senhor, que continua a falar de paz aos nossos ouvidos e ao nosso coração. Devemos então seguir, como Israel saindo do Egito, como devem seguir os redimidos do Senhor, deixando que a Terra e o inferno saibam, na alegre e perfeita segurança de Sua salvação, que Ele é maior que o mais elevado que possa estar ao nosso redor, e que estamos nos alimentando da comida que saiu "do forte" (Jz 14:14).

J.G.Bellett

(from The Evangelists - Meditations on the Four Gospels, by J. G. Bellett, pg. 215-221)

domingo, 16 de julho de 2017

Quando baixamos o nível de Deus - C. H. Mackintosh

Toda experiência e modo de agir do cristão dependem do lugar que Deus ocupa em seu coração. Em outras palavras, existe uma conexão moral muito forte entre a estima que temos de Deus e nossa conduta. Se nossos pensamentos acerca de Deus forem baixos, também será baixo o padrão do andar cristão; se forem elevados, aí o resultado será correspondente.

Por isso quando os israelitas, ao pé do monte Horebe, transformaram a glória de Deus "na figura de um boi que come erva"(Sl 106:20), as palavras do Senhor a Moisés foram: "O teu povo... se tem corrompido" (ler Êxodo 32:7). Atente bem para estas palavras: "se tem corrompido". Eles nada mais fizeram do que se corromperem a si mesmos, quando baixaram o nível da estima que tinham da dignidade e majestade de Deus a um patamar tão baixo quando imaginar, ainda que por um momento, que Deus fosse como "um boi que come erva".

O ensino de Romanos 1 (ler todo o capítulo) é similar.

Ali o apóstolo, inspirado pelo Espírito, nos mostra que a razão de todas as abominações das nações gentias deve ser buscada no fato de eles "tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus" (ler Romanos 1:21). Por esta razão eles "se têm corrompido". Este é um princípio que acarreta uma vasta influência prática. Se baixamos o nível de Deus, devemos necessariamente baixar nosso próprio nível.

Neste sentido, penso eu, somos levados muito acima e além de toda visão meramente sistemática da verdade, pois não se trata nem um pouco de uma questão de mera doutrina. Não, isso nos leva para dentro dos profundos recessos da alma, a fim de ali ponderarmos, como quem se encontra sob o zeloso escrutínio da vista de Deus, qual a estimativa que nós, como indivíduos, fazemos da Sua Pessoa a cada dia e hora. Não podemos nos negar a aplicar nossas mentes com seriedade a este importante ponto da verdade. A negligência neste sentido irá revelar muito do segredo do baixo nível de nosso andar e de nosso lamentável amortecimento.

Deus não é suficientemente exaltado em nossos pensamentos. Ele não ocupa o lugar supremo em nossas afeições. Não vivemos suficientemente na atmosfera de sua divina benevolência e fidelidade. Nosso estado mental, nossas experiências, nossos serviços, nossos conflitos, nossas dores, nossas fraquezas, tudo isso se interpõe, em grande medida, entre Deus e as nossas almas, obscurecendo aquela luz da Divina face que a tudo perscruta.

Ora, sempre que as nossas próprias coisas nos influenciam de maneira a impedir que desfrutemos daquele calmo, constante e assegurado descanso do coração e da consciência no amor redentor, e da eterna eficácia da obra de expiação, podemos ter a certeza de que estamos descambando para a mera religiosidade e legalismo da natureza humana, ou mergulhando em total mundanismo e mal moral.

Extraído de "Work in its Right Place", C. H. Mackintosh

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A VINDA DO SENHOR ESTÁ PRÓXIMA!

"Ora vem Senhor Jesus!"
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A VINDA DO SENHOR ESTÁ PRÓXIMA!

Eu gostaria de tratar da proximidade da vinda do Senhor. Cremos com toda a certeza que o Senhor está vindo muito em breve.

Vamos ler o versículo de introdução em João 14. Esta é a primeira vez que o Senhor anunciou que Ele viria tomar o que era Seu para estar com Ele na casa do Pai. Isso aparece muitas vezes depois nas Escrituras, mas esta é a primeira vez que o próprio Senhor apresenta esse assunto maravilhoso. João 14:1: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também". Esta é uma promessa maravilhosa que o Senhor deu a seus discípulos para consolar seus corações. E certamente é um conforto para nossos corações saber que o Senhor está vindo para nos tirar desse mundo corrupto e doente que vivemos. O próprio Senhor colocou esta esperança diante de nós, que Ele irá nos levar para casa.

Agora, a questão que queremos tratar esta tarde não é o fato de que o Senhor virá, porque temos sua própria palavra prometendo isso. Nossa pergunta é, quando? Quando ele virá? E a resposta que eu quero lhe dar das escrituras é esta: muito, muito em breve! Agora, eu não quero simplesmente dizer, como um pressentimento que tenho ou alguma ideia de alguns teólogos. Não, querermos mostrar nas escrituras como sabemos que o Senhor está vindo muito, muito em breve. Quero examinar quatro passagens diferentes das Escrituras que nos mostram esse fato impressionante, que o retorno do Senhor é iminente.

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Vejamos Daniel 12 como ponto de partida. Você sabe que o livro de Daniel fala a respeito de profecias e assuntos proféticos; fala sobre a restauração e bênção de Israel no que se chama últimos tempos, últimos dias, fim dos tempos. Mas há algo em Daniel 12 que indicaria a proximidade do retorno do Senhor. Nós não temos o arrebatamento, o Senhor vindo nos levar para o céu no livro de Daniel; no entanto, Daniel descreve o que acontecerá nos últimos dias,  após o arrebatamento. Daniel 12:4 diz: "E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará". Isto descreve a hora do fim, quando Deus se refere a Israel e os abençoa após um tempo de dificuldade. Daniel 12:1 nos diz que haverá um tempo turbulento - a Grande Tribulação - que sabemos, virá sobre este mundo. Sabemos que a Igreja será arrebatada antes da grande tribulação.

Mas o tempo do fim será caracterizado pelas duas coisas mencionadas aqui: (1) muitos correrão de um lado para o outro, e (2) o conhecimento aumentará. Esse foi o caso nos últimos 100-150 anos. Pense nisso! O avanço do conhecimento que aconteceu nos últimos 100-150 anos foi surpreendente. Pense nos computadores que temos e em todos os avanços na ciência e tecnologia médica. Tudo isso é uma prova de que definitivamente estamos nos últimos dias. Pense em como, há milhares de anos, a história do homem avançou, puxando uma carroça com um cavalo, trabalhando com madeira, martelo e coisas assim. E então, de repente, nos últimos 150 anos temos computadores e rádios e todos os outros tipos de aparelhos que você pode imaginar. Pense na ciência médica: agora existe uma câmera tão pequena que vai dentro da corrente sanguínea, dentro de suas veias e tira fotos do que está acontecendo dentro do seu corpo! Essa é uma das mil coisas que eu poderia usar esta tarde para ilustrar os recentes avanços tecnológicos nos últimos 100-150 anos.

Talvez já tenha contado essa história, um dia meu pai voltou para casa da escola e disse a seu pai: "Papai, eu vi carro hoje!" Seu pai disse, "você não viu". Ele não acreditou, e meu pai teve que fazer tudo o que podia para convencer seu pai de que ele tinha visto um carro! Isso foi no tempo do meu pai, o que não faz muito tempo. É incrível pensar que, no tempo da nossa vida, houve tal avanço no conhecimento, na proporção que estamos falando aqui.
Não ignore o comentário em Daniel 12:4: "muitos correrão de uma parte para outra". Este versículo descreve pessoas que atravessam a terra em aviões, indo e vindo, estabelecendo um ritmo de vida incrível. Antes, os dialetos locais eram mais facilmente identificados porque as pessoas não viajavam. Povos viviam a 20 milhas um do outro e falavam diferentes dialetos, porque nunca saiam de onde moravam. Hoje, estamos zigzagueando por todo o país e em todo o mundo! Isso só aconteceu nos últimos anos. Há quanto tempo as companhias aéreas comerciais existem? Acho que logo após a Segunda Guerra Mundial - 1947 ou 1946.

Estamos falando de coisas com as quais temos que nos acostumar neste mundo. Nossos filhos não sabem o que é viver sem computador. É incrível como eles podem operar esses telefones! Meu pai não sabia nada sobre isso. Na verdade, eu não conhecia nada sobre isso e demorei para aprender.

O que caracterizará os últimos dias, quando Deus trabalhará com Israel novamente, é que esse conhecimento será amplamente aumentado e os homens estarão correndo por todo o mundo com meios de transporte mais sofisticados. Isso não descreve o nosso dia? Sabemos uma coisa desta passagem: estamos perto do fim dos tempos e sabemos que o Senhor virá para nós antes disso. O que isso nos diz? Que estamos muito perto do momento em que o Senhor vai descer com alarido e nos chamar a todos para o arrebatamento como lemos em 1 Tessalonicenses 4.

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Mas há outras indicações da proximidade da vinda do Senhor. Mateus 25:1-13: "Então, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas. As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas. E, tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram. Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro! Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. E, depois, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos a porta! E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir". As últimas cinco ou seis palavras não deveriam estar aqui, sobre a vinda do Filho do homem. O assunto aqui é a chegada do Noivo, não a vinda do Filho do homem. Na tradução de Darby as últimas seis palavras desse versículo 13 foram omitidas. Deve-se ler, "você não sabe nem o dia nem a hora", ponto.

A semelhança do reino nos mostra quatro etapas na história da profissão cristã. Aqui temos uma pequena figura da profissão cristã. A primeira etapa começa quando diz que todas "saíram". Dez virgens saíram com suas lâmpadas para encontrar o noivo. Isso marca a postura original da Igreja nos primeiros dias, no tempo dos apóstolos. Eles eram separados de tudo, fosse secular ou religioso, que era inconsistente com a santidade de Deus. Eles saíram com um propósito, para esperar o noivo que viria.

Mas então descobrimos que cinco delas eram loucas e cinco eram prudentes. Em outras palavras, a profissão cristã foi misturada com crentes verdadeiros e os meramente professos, e desde então tem havido uma mistura. Eu gosto de chamar isso de "profissão cristã" porque envolve mais do que apenas a Igreja, e inclui aqueles que professam ser crentes e aqueles que realmente são. Mas diz aqui que "tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram". Esta é a segunda fase da história da profissão cristã. Pouco depois dos dias dos apóstolos, a igreja perdeu de vista o fato de que o Senhor, o noivo, estava vindo, e adormeceram para essa verdade. Esta foi uma condição que permeou a profissão cristã por 1.500 anos – de qualquer maneira, mais de 1.000 anos. As pessoas não tinham ideia de que o Senhor viria para levá-las para casa como lemos em João 14. Elas conheciam pelas Escrituras sobre a aparição de Cristo para juízo, mas não tinham ideia do arrebatamento. Parece que foi riscada das mentes da chamada Igreja naquela época. Tomada de sono, dormiu. Isso leva a uma cena noturna e traz diante de nós a ideia da Idade das Trevas, que durou muitos séculos.

A terceira etapa na história da profissão cristã é o que lemos no versículo 6: "à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro!". Naquela época, na profissão cristã, tomou-se consciência do fato de que o Senhor estava vindo. Qualquer um que entenda a história da profissão cristã sabe que esse grito da meia-noite aconteceu há cerca de 150 anos, em meados dos anos 1800, quando os irmãos cavaram na Escritura e aprenderam, comparando a profecia e as Escrituras do Novo Testamento, que o Senhor estava vindo, Que o arrebatamento estava prestes a acontecer. Houve um clamor e a profissão cristã tomou conhecimento no século 19 da volta do Senhor, como lemos em João 14: "virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo".

"Aí vem o esposo". Foi-me dito que a próxima palavra "vem" não deveria estar no versículo 6. Os tradutores a colocaram lá para nos ajudar a vê-la como um evento, mas é mais do que um evento. Deus trata a vinda do Senhor diante das almas, não apenas como um evento profético no calendário de eventos que acontecerá na profecia (embora seja isso), mas que nossos corações seriam ocupados com a Pessoa que está vindo. Nosso Noivo está vindo para nós - é Ele! Então, deveria ser: "Eis o noivo".

O grande resultado no ministério cristão do conhecimento da vinda do Senhor foi a apresentação de Cristo. Foi o ministério que apresentou Cristo aos que escutaram e escutarão, e teve um grande efeito. “Saí-lhe ao encontro!". Havia um retorno ao estado original do início da Igreja, que era separada de tudo o que é secular e religioso. Isso existia na profissão cristã no século 19. Qualquer pessoa que conheça um pouco a história da Igreja é capaz de identificar isso; Houve uma grande agitação na profissão cristã sobre este grande fato de que o Noivo logo viria.

A quarta etapa está no versículo 10: "veio o noivo". Este evento encerra a dispensação e fecha o presente dia da graça. Refere-se ao arrebatamento - a vinda do Senhor - veio o Noivo. Os que estão prontos irão, os que não estão serão deixados de fora. Entre o clamor da meia-noite e o retorno do noivo, vemos que houve muita comoção. Isso nos fala da comoção que tem estado na profissão cristã nos últimos 100 anos. Todo mundo anda por aí buscando óleo – com foco mais no Espírito de Deus do que no próprio Senhor. As virgens sábias dizem: "ide... e comprai". Esta é a ideia do trabalho do evangelho. O trabalho do evangelho aumentou por causa do entendimento que o Senhor está vindo. Agradecemos a Deus por todo homem que prega o Evangelho e toda mulher que prega o Evangelho. Isso mostra que vocês percebem que o Senhor está chegando e há uma urgência nisso.

A quarta etapa, então, como eu disse, acontece quando o noivo vem e as virgens entram com ele para as bodas e a porta é fechada. O grito da meia-noite que alarmou a profissão cristã e despertou a profissão cristã para o fato de que o Senhor estava vindo, aconteceu há 170 anos, e o Senhor ainda não chegou! O que isso nos diz? Isso nos diz uma coisa: devemos estar muito perto, porque Ele cumpre Sua promessa! Ele não seria Deus se Ele não cumprisse Sua promessa. Nós sabemos que Ele está vindo, nós simplesmente não sabemos o momento. Mas nós sabemos quando - é muito, muito em breve.

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Outra indicação aparece em Apocalipse 3, quando o Senhor trata da Igreja em Laodicéia. Isso aconteceu na profissão cristã logo após o despertar pelo clamor da meia-noite. Apocalipse 3:14-17: "E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus. Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu". A condição da igreja de Laodicéia é outro sinal de que sabemos que a vinda do Senhor está muito próxima. Dizemos isso, porque nesses dois capítulos (Apocalipse 2 e 3) temos as sete igrejas mencionadas. Como você sabe, cada uma delas representa um estágio distinto na história da Igreja que é facilmente identificável agora nos dias em que vivemos.

O que encontramos aqui na Igreja de Laodicéia é uma indiferença incrível com Cristo, e uma incrível ignorância quanto à verdadeira condição da Igreja, seu próprio estado. Ela acha que  está enriquecida com toda riqueza espiritual, e não faz ideia de que ela está espiritualmente destituída, nua, miserável e cega. Ela nem tem as coisas mais elementares, como o ouro. Ela nega categoricamente o fato de que a profissão cristã está em ruína; esta é uma atitude que caracteriza o dia em que vivemos. O que restou da recuperação da verdade, dada à igreja no século 19, é uma indiferença em relação a tudo que tinha sido recuperado. A profissão cristã, particularmente o lado evangélico da profissão cristã, é marcada por essas duas coisas: (1) indiferença a Cristo e (2) ignorância do nosso verdadeiro estado coletivo. Laodicéia ostenta, acha que tudo está bem e bom, tudo certo; é uma negação absoluta da ruína da Igreja.

Ao olhar para a profissão cristã, podemos ver que somos uma parte desta condição generalizada de indiferença para as reivindicações de Cristo. O que marca a condição de Laodicéia é ter algum conhecimento da verdade que foi recuperado nos tempos de Filadélfia, mas essa verdade não tem efeito moral ou espiritual sobre a vida dela. Não há melhor exemplo disso do que a própria verdade que estamos mostrando esta tarde: a vinda do Senhor. "O Senhor está vindo!" você pode contar a alguém. Eles respondem: "Sim, eu sei que o Senhor está vindo. Não, isso não muda nada na minha vida. Faço tudo o que quero fazer no Dia do Senhor, e coloco meus interesses em primeiro lugar. Ele está vindo, posso dizer os versículos, mas isso não significa nada para mim". Essa é a condição de Laodicéia, e é isso que caracteriza a profissão cristã em geral.

Precisamos perceber que esta condição é a última etapa que a Igreja experimentará antes que o Senhor venha. Lembre-se, existem apenas sete estágios, e este é o sétimo e final. Se estamos nesse sétimo estágio agora – e definitivamente estamos - o que está por vir? Nada além do Senhor e Seu clamor. É interessante ver que o Espírito estava falando nos capítulos 1, 2 e 3 de Apocalipse para as igrejas. Depois disso, Ele nunca mais fala com as Igrejas. Por quê? Porque a Igreja, depois do capítulo 3, é vista como tendo ido para o céu. Do capítulo 4 em diante, não lemos nada sobre a Igreja até o fim, quando ela sai do céu com o Senhor, no capítulo 19, a noiva e esposa do próprio Cordeiro. Estamos chegando muito perto do fim, quando virá o Senhor com Seu clamor, porque a profissão cristã foi marcada pelo Laodiceanismo há quase 150 anos. Não foi muito tempo depois que a verdade foi recuperada nos tempos de Filadélfia que este estágio final começou.

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Finalmente, vamos voltar para Mateus 14, outra passagem que aponta para o fato de que a vinda do Senhor está muito próxima. Esta história é outra imagem que ilustra a história da profissão cristã em relação à vinda do Senhor. Nos versículos 15 a 21, temos o Senhor reunindo pessoas no deserto e alimentando-as. Antes disso, Ele estava curando, abençoando e fazendo todos os tipos de obras que caracterizam o mundo por vir, que são chamados de poderes do mundo vindouro. O alimento para os 5.000 é o único milagre que se encontra nos quatro Evangelhos. Ele ilustra o ministério terrenal do Senhor Jesus quando Ele esteve aqui. Em todos os casos, é significativo e interessante que, quando alimentou os 5.000 com este milagre incrível, todos comeram, se fartaram e disseram... nada. Eles não O agradeceram por isso, eles não apreciaram. Em todos os quatro relatos desse milagre, ninguém O agradeceu, ninguém O agradeceu por isso, ninguém disse: "Você deve ser o Messias, vamos aceitá-lo e recebê-lo agora". Nem uma palavra! Isso nos mostra que Ele foi rejeitado. Não significava nada para eles, não os movia. E então, imediatamente, a cena muda.

Encontramos, então, a partir do versículo 22 em diante que Jesus constrangeu seus discípulos a entrar num barco e a ir para o outro lado, enquanto Ele enviou as multidões para longe. Ele despede a multidão que acabou de alimentar, que não tinha apreciação pelo que Ele fez. Esta é uma imagem dEle deixando Israel de lado por um tempo. Os discípulos, uma figura do remanescente da nação, ele coloca em um testemunho completamente novo - o barco - e eles são enviados através do mar. Isso retrata a jornada da Igreja como testemunho através deste mundo para o outro lado da margem. Quando Ele despediu as multidões, é interessante que o Senhor não se junta imediatamente aos discípulos no barco. Primeiro, Ele vai para uma montanha, que retrata Sua ascensão ao céu. Ele não vai lá para se distrair, Ele vai lá para orar! Esta é a oração sacerdotal intercessora do Senhor Jesus, enquanto o povo Dele - a Igreja - está naquele barco atravessando o mar para o outro lado. Ele ora lá sozinho.

No versículo 25, à quarta vigília da noite, o Senhor começa a caminhar no mar, e Ele vai até eles. A quarta vigília é a última antes do amanhecer. Isso está perto do fim do tempo da ausência do Senhor durante a noite. Os discípulos O veem caminhar sobre o mar, ficam assustados e gritam (versículo 26). Isso é como o clamor da meia-noite na história das dez virgens. Eles podem ver o Senhor chegar! Novamente, isso é algo que tem ocorrido historicamente na história da Igreja há cerca de 150 anos.

Então o Senhor Jesus diz: "tende bom ânimo, sou eu; não temais". Algo motiva Pedro a sair do barco. Ele estava tão absorto com o fato de que o Senhor estava vindo que ele saiu do barco e caminhou, somente onde a fé pode andar, para o Senhor. Foi o que aconteceu quando a Igreja aprendeu sobre a vinda do Senhor. Como resultado, um testemunho remanescente separou - e afastou - o denominacionalismo e todo apoio oficial que poderia haver, caminhando apenas onde a fé podia andar. Isso aconteceu há 150 anos, em meados do século 19, quando houve aqueles que se separaram do denominacionalismo, da ordem e do formalismo oficial da igreja e caminharam onde somente a fé pode caminhar. Não tinham nada para se apoiar, mas confiaram no Espírito de Deus para todas as coisas relativas à adoração e ao ministério.

É um testemunho remanescente. Não estou dizendo que os santos reunidos sejam o remanescente, eles simplesmente representam uma posição no testemunho cristão de um testemunho remanescente e estão onde todo o remanescente - todo verdadeiro crente - deveria estar. O testemunho remanescente foi estabelecido naqueles dias em meados do século 19. O Senhor disse a Pedro para sair do barco e caminhar na água, ele não estava agindo em desobediência ou tentando a Deus. "Vem", disse o Senhor (versículo 29), Pedro desceu e foi para onde o Senhor estava caminhando para encontrá-lo. Ele estava tão absorto com a vinda do Senhor que nem percebeu que estava caminhando sobre a água! Incrível.

Mas esse não é o fim da história. Pedro tirou os olhos do Senhor e começou a afundar. Muitas vezes dissemos que ele tentou continuar o que estava fazendo, mas sem olhar para o Senhor. Ele descobriu que não poderia fazê-lo. Da mesma forma, aqueles que fazem parte do testemunho remanescente perderam de vista o Senhor. E ainda estamos tentando continuar fazendo as coisas que sempre fizemos, mas não está funcionando. Não está funcionando e vamos afundar! O testemunho remanescente está começando a afundar. Mas não se desanime com esse fato, de olharmos ao redor e vermos Pedro afundando. Porque quando Pedro começou a afundar, ele clamou: "Senhor, salva-me", e imediatamente o Senhor estava lá para pegá-lo. Isso nos faz pensar na chegada do Senhor e no fim da nossa jornada aqui.

Você viu Pedro afundando? Sim. Isso o desencoraja? Não deixe que isso o desencoraje, porque isso significa que o Senhor deve estar vindo e devemos estar no final da jornada! Se você vir Pedro afundando, então você sabe que o Senhor está vindo. Ele poderia estar aqui esta tarde, porque Pedro está afundando. Mas é bom lembrar que Pedro não se afoga. O testemunho remanescente não se afogará, não será submerso, mas está afundando. Isso significa algo para o meu coração: o Senhor está próximo. O Senhor está perto! O Senhor está chegando. Você está pronto?

Não é hora de desistir. Não é hora de se desviar. É hora de esperar e aguentar. F.B. Hole disse em um de seus livros (eu acho que o que diz respeito a Hebreus), ele nos pediu para imaginar um irmão que estivesse tendo dificuldade em se identificar com o testemunho remanescente reunido ao nome do Senhor. Ele estaria perdendo a energia e querendo desistir. Sem esperança e tão desencorajado, ele não tinha energia para continuar. Ele sabia que deveria continuar, então ele ficou lá mais algumas semanas. Assim ele foi, semana a semana. Finalmente, ele não aguentou mais. Ele disse aos irmãos que queria sair da comunhão e não mais seguiria esse caminho. Era difícil e desanimador demais. No dia seguinte, o Senhor chegou. O Sr. Hole disse: "O que você acha que o homem deve ter sentido de si mesmo?" Apocalipse 3:11 nos diz: "guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa". Ele teria perdido a coroa que ele poderia ter tido, porque ele partiu no último minuto. O que ele teria sentido? "Por que não poderia ter ficado apenas mais uma semana?"

O Senhor está vindo. Ele está muito, muito perto. Vemos Pedro afundando por todos os lados, mas não vamos desanimar, vamos nos encorajar. "Eis que venho sem demora!"

Bruce Anstey

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