domingo, 16 de julho de 2017

Quando baixamos o nível de Deus - C. H. Mackintosh

Toda experiência e modo de agir do cristão dependem do lugar que Deus ocupa em seu coração. Em outras palavras, existe uma conexão moral muito forte entre a estima que temos de Deus e nossa conduta. Se nossos pensamentos acerca de Deus forem baixos, também será baixo o padrão do andar cristão; se forem elevados, aí o resultado será correspondente.

Por isso quando os israelitas, ao pé do monte Horebe, transformaram a glória de Deus "na figura de um boi que come erva"(Sl 106:20), as palavras do Senhor a Moisés foram: "O teu povo... se tem corrompido" (ler Êxodo 32:7). Atente bem para estas palavras: "se tem corrompido". Eles nada mais fizeram do que se corromperem a si mesmos, quando baixaram o nível da estima que tinham da dignidade e majestade de Deus a um patamar tão baixo quando imaginar, ainda que por um momento, que Deus fosse como "um boi que come erva".

O ensino de Romanos 1 (ler todo o capítulo) é similar.

Ali o apóstolo, inspirado pelo Espírito, nos mostra que a razão de todas as abominações das nações gentias deve ser buscada no fato de eles "tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus" (ler Romanos 1:21). Por esta razão eles "se têm corrompido". Este é um princípio que acarreta uma vasta influência prática. Se baixamos o nível de Deus, devemos necessariamente baixar nosso próprio nível.

Neste sentido, penso eu, somos levados muito acima e além de toda visão meramente sistemática da verdade, pois não se trata nem um pouco de uma questão de mera doutrina. Não, isso nos leva para dentro dos profundos recessos da alma, a fim de ali ponderarmos, como quem se encontra sob o zeloso escrutínio da vista de Deus, qual a estimativa que nós, como indivíduos, fazemos da Sua Pessoa a cada dia e hora. Não podemos nos negar a aplicar nossas mentes com seriedade a este importante ponto da verdade. A negligência neste sentido irá revelar muito do segredo do baixo nível de nosso andar e de nosso lamentável amortecimento.

Deus não é suficientemente exaltado em nossos pensamentos. Ele não ocupa o lugar supremo em nossas afeições. Não vivemos suficientemente na atmosfera de sua divina benevolência e fidelidade. Nosso estado mental, nossas experiências, nossos serviços, nossos conflitos, nossas dores, nossas fraquezas, tudo isso se interpõe, em grande medida, entre Deus e as nossas almas, obscurecendo aquela luz da Divina face que a tudo perscruta.

Ora, sempre que as nossas próprias coisas nos influenciam de maneira a impedir que desfrutemos daquele calmo, constante e assegurado descanso do coração e da consciência no amor redentor, e da eterna eficácia da obra de expiação, podemos ter a certeza de que estamos descambando para a mera religiosidade e legalismo da natureza humana, ou mergulhando em total mundanismo e mal moral.

Extraído de "Work in its Right Place", C. H. Mackintosh