sábado, 25 de março de 2017

I Timóteo - Um Resumo Expositivo - H. Smith - Parte III

III. A ORDEM DA CASA DE DEUS

(Capítulos II e III)

Nesta divisão da Epístola, o apóstolo demonstra o caráter da Casa de Deus (2:1-4); o testemunho da graça de Deus que deve fluir da Casa (2:5-7); a conduta própria de homens e mulheres que formam a Casa (2:8-15); as qualificações necessárias a quem exerce ofício na Casa (3:1-13); e finalmente o mistério da piedade (3:14-16).

(a) A Casa de Deus, uma casa de oração para todas as nações.

(Capítulo I vs.1-4). (Is. 16:7; Mc. 11:17)

(v.1) A Casa de Deus é caracterizada como um lugar de oração. As petições que sobem a Deus da Sua Casa devem ser marcadas por deprecação ou súplicas sinceras por uma necessidade especial surgida em circunstâncias particulares; por meio de “orações” as quais expressam desejos gerais apropriados para todos os tempos; pelas “intercessões” implicando em que os crentes estejam em proximidade de Deus podendo pedir em nome dos outros; e finalmente, por “ações de graça” o que fala de um coração consciente da bondade de Deus, que tem prazer em responder as orações do Seu povo.

Na Epístola aos Efésios, que apresenta a verdade da Igreja no seu chamamento celestial, somos exortados a orar com súplicas por “todos os santos” (Ef. 6:18).  Aqui, onde a Igreja é vista como um vaso de testemunho da graça de Deus, temos de orar com súplicas “por todos os homens”.

(v. 2) Somos especialmente chamados a orar por reis e todos que têm autoridade – aqueles que estão em posição de influenciar o mundo para o bem ou para o mal. Não é apenas “para o rei” ou “nosso rei” que temos de orar, mas “pelos reis”. Isto presume que temos consciência da nossa ligação com o povo de Deus em todo o mundo como formando parte da Casa de Deus, e a verdadeira posição da Igreja estando em santa separação do mundo, não tomando parte em políticas ou governos. No mundo, mas não do mundo, a Igreja tem o alto privilégio de orar, interceder e dar graças em nome daqueles que não oram por si mesmos.

O Apóstolo dá duas razões para as orações por todos os homens. Primeiro é trazido o orar pelos reis e todos em autoridade, tendo em vista o povo de Deus em todo o mundo. Temos de buscar que a soberana bondade de Deus possa então controlar a regras deste mundo para que Seu povo possa levar "uma vida quieta e sossegada em toda a piedade e honestidade”. É evidentemente a mente de Deus que Seu povo pudesse, atravessando este mundo hostil, levar uma vida quieta, não afirmando a si mesmos como se fossem cidadãos deste mundo, em tranquilidade, abstendo-se em tomar parte das disputas do mundo, em “piedade” que reconhece Deus em todas as circunstâncias da vida, e em prática seriedade diante dos homens.  No velho testamento o profeta Jeremias enviou uma carta ao povo cativo na Babilônia, exortando-os a buscarem a paz da cidade na qual eles haviam sido presos em cativeiros, orando ao Senhor por isso: porque diz o profeta, “na sua paz vós tereis paz” (Jr. 29:7). No mesmo espírito temos de buscar a paz do mundo, a fim de que o povo de Deus tenha paz.

(vs.3,4) Então uma segunda razão é dada para as orações do povo de Deus em nome de todos os homens. Orar por todos os homens é “bom e agradável, diante de Deus, nosso Salvador; que quer que todos os homens se salvem”.  Não temos de orar em vista apenas do bem de todos os santos, mas também em vista da benção de todos os homens.

O mundo pode algumas vezes perseguir o povo de Deus e procurar desafogar sobre eles todo o ódio do seu coração para com Deus. A menos que andemos em julgamento próprio, este tratamento estimularia a carne para ressentimento e retaliação. Aqui nós aprendemos que é “bom e agradável diante de Deus” agir e sentir com respeito a todos os homens, como Deus mesmo faz, em amor e graça. Então temos de orar “por todos os homens”, não apenas por aqueles que governam bem, mas também por aqueles que usam o povo de Deus de maneira caluniosa (Lc. 6:28). Temos de orar, não para que se faça julgamento em retribuição para vencer os perseguidores do povo de Deus, mas para que na soberana graça eles possam ser salvos. 

(b) A Casa de Deus, uma testemunha da graça de Deus (vs.5-7)

A Casa de Deus não é apenas para ser um lugar de onde as orações ascendem a Deus, mas também um lugar do qual um testemunho flui para o homem. No tempo devido Deus vai tratar em juízo com o perverso e mesmo agora pode tratar em governo  com aqueles que se colocam em oposição a graça de Deus e os ministros da Sua graça, como na matança de Herodes e a cegueira que veio sobre Elimas (Atos 12:23; 13:6-11). Além disso, Deus pode, em ocasiões solenes, lidar em juízo governamental com aqueles que formam a Casa de Deus, para a manutenção da santidade da Sua casa, como ocorrido no terrível juízo que alcançou Ananias e Safira; e mais tarde, o trato governamental pelo qual alguns na Assembleia dos Coríntios foram levados em juízo (morreram) (Atos 5:1-10; 1 Co. 11:30-32). Tais casos, no entanto, são resultado do trato direto de Deus. A Casa de Deus como tal, deve ser um testemunho de Deus como um Deus Salvador, Que deseja que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade.

A “vontade” de Deus nesta passagem não tem referência aos conselhos de Deus os quais serão certamente cumpridos na maioria. Ela expressa a disposição de Deus para com todos. Deus apresenta-se a Si mesmo como um Deus Salvador que está desejoso que todo homem possa ser salvo. Mas, se os homens serão salvos, isso só pode ser por meio da fé que reconhece “a verdade”. Sobre essa “verdade” a Casa de Deus é a “coluna e firmeza” (3:15). Enquanto a Assembleia estiver na terra, ela é a testemunha e suporte da verdade. Quando a Igreja for arrebatada, os homens cairão de uma vez na apostasia e serão entregues a um forte engano.

(v.5) Duas grandes verdades são trazidas diante de nós como o terreno em que Deus lida com os homens em soberana graça. Primeiro, há um só Deus; segundo, há um só Mediador.

Que há apenas um Deus foi completamente declarado antes de Cristo vir. A unidade de Deus foi o grande fundamento da verdade do Velho Testamento. Era o grande testemunho a Israel, como lemos: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt. 6:4). Era o grande testemunho que tinha de fluir às nações de Israel como lemos: “Todas as nações se congreguem, e os povos se reúnam... Apresentem as suas testemunhas, para que se justifiquem, e se ouça, e se diga: Verdade é. Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim Deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há Salvador” (Is. 43:9-11).

A cristandade enquanto mantendo totalmente a grande verdade de que há um só Deus, apresenta também a verdade igualmente importante de que há um só Mediador entre Deus e os homens.  Esta última verdade é a verdade característica do Cristianismo.

Três grandes verdades são apresentadas caracterizando o Mediador. Primeiro, Ele é um.  Se Deus é um, é igualmente importante lembrar-se da unidade do Mediador. Há um só Mediador e não há outro. O papado e outros sistemas religiosos corruptos da Cristandade negaram esta grande verdade e depreciaram  a glória de um só Mediador, estabelecendo Maria e outros homens e mulheres canonizados como mediadores.

Segundo, o Único Mediador é um Homem, a fim de que Deus possa ser conhecido pelos homens. Os homens não podem ascender a Deus; mas Deus em Seu amor, pode descer ao homem. Alguém disse: “Ele desceu ao mais profundo abismo a fim de que não houvesse ninguém, nem mesmo o mais miserável, que não pudesse sentir que Deus em sua bondade estava perto dele – que desceu até ele – Seu amor encontrando ocasião na miséria; e que não havia nenhuma necessidade em que Ele não pudesse estar presente e a qual Ele não  pudesse satisfazer ” (J.N.D.).

(vs.6,7) Terceiro, este Mediador deu-Se a Si mesmo como resgate por todos. Se Deus tem de ser proclamado como um Deus Salvador, que quer que todos os homens se salvem, Sua santidade deve ser vindicada e Sua glória mantida. Isto tem sido perfeitamente cumprido pela obra propiciatória de Cristo. A majestade de Deus, justiça, amor, verdade, e tudo que Ele é, tem sido  glorificado na obra feita por Cristo. Ele é a propiciação para todo o mundo. Tudo que era necessário foi feito. Seu sangue está disponível para o mais vil, seja quem for, uma vez que o evangelho ao mundo diz: “quem quiser, venha”. Neste aspecto podemos dizer que Cristo morreu por todos, deu-Se a Si mesmo como resgate por todos; um sacrifício disponível para o pecado, para quem quer que venha.

Essas são as grandes verdades a serem testificadas no devido tempo – a graça de Deus proclamando perdão e salvação a todos no terreno da obra de Cristo, que se deu a Si mesmo como resgate por todos. Quando Cristo ascendeu para a glória, e o Espírito Santo desceu à terra para habitar no meio dos crentes, assim formando-os a Casa de Deus, o tempo devido veio. Daquela Casa o testemunho devia fluir, o Apóstolo sendo usado por Deus para pregar a graça e assim abrir a porta da fé aos Gentios (Atos 14:27). Ele pode então falar de si mesmo como um pregador, um apóstolo, e um mestre dos Gentios na fé e na verdade.

(c) A conduta adequada para os  homens e mulheres que formam a Casa

(vs.8-15) Vimos na parte inicial do capítulo que a casa de Deus é o lugar de oração “para todos os homens” (v.1); o testemunho da disposição de Deus em graça para com “todos os homens” (v.4); e o testemunho de quem deu-se a Si mesmo como resgate “por todos” (v.6).

Se tal é o grande propósito da Casa de Deus, segue-se que nada deve ser permitido na Casa de Deus que arruíne este testemunho tanto da parte dos homens como das mulheres que formam a Casa. Então o Apóstolo passa a dar instruções detalhadas sobre o comportamento de cada classe. Este testemunho da graça de Deus não contempla um número de crentes, interessados em um testemunho particular, unindo-se para um serviço. Não é um bando de evangelistas entregando-se ao trabalho do evangelho ou serviço missionário. Ele apresenta todos os santos partilhando de um interesse comum no testemunho que flui da Casa de Deus.

(v.8) Em primeiro lugar, o Apóstolo fala dos homens em contraste com as mulheres. Os homens na Casa de Deus devem ser marcados pela oração. O Apóstolo está falando de oração pública e em tais ocasiões, a atribuição para orar é restrita aos homens. Além disso, a instrução não contém nenhum pensamento de uma classe oficial dirigindo a oração. Orar em público não está limitado aos anciãos, ou a homens com dom, porque orar nunca é tratado na Escritura como uma questão de dom. São os homens quem oram e a única restrição é que uma condição moral correta deve ser mantida. Aqueles que dirigem oração em público devem ser marcados pela santidade e suas orações devem ser sem ira nem contenda. O homem que está consciente de um mal não julgado em sua vida, não está em condições de orar. Além disso, a oração é para ser sem ira. Esta é uma exortação que condena totalmente o uso da oração para fazer ataques velados a outros. Por trás dessas orações sempre há ira ou malícia. Além disso, a oração é para ser em simplicidade da fé e não com um vão discurso humano.

(v.9) As mulheres devem ser marcadas por “comportamento e vestido decentes”. Esta tradução claramente indica que não somente no vestir, mas no seu comportamento em geral as mulheres devem ser marcadas pela modéstia que evita toda impropriedade; e “discrição” que faz com que cuide nas suas palavras e maneiras. Elas devem se guardar de usar o cabelo que Deus deu para glória da mulher, como uma expressão da vaidade natural do coração humano. As mulheres não devem procurar chamar atenção sobre si mesmas, ataviando-se com “ouro ou pérolas ou vestidos dispendiosos”.  Novamente, as mulheres fazem bem ao se lembrar de que devem obedecer a essa passagem da Escritura e não perder esse espírito por se apegar a algo insignificante, desse modo atraindo atenção sobre si mesmas.

A mulher professando o temor de Deus será marcada não pela simulação de superior espiritualidade, mas por “boas obras”. Seu lugar no Cristianismo é gracioso e bonito: é encontrado naquelas “boas obras”, muitas das quais podem somente ser feitas por uma mulher.

Vemos nos evangelhos como as mulheres ministraram a Cristo com aquilo que possuíam (Lc. 8:3). Maria fez uma boa obra ao Senhor quando ungiu Sua cabeça com o precioso unguento (Mt. 26:7-10). Dorcas fez uma boa obra quando fez roupas aos pobres (Atos 9:39). Maria, a mãe de João Marcos abriu sua casa para muitos se reunirem em oração (Atos 12:12). Lídia, a quem o Senhor abriu o coração, fez uma boa obra quando abriu sua casa aos servos do Senhor (Atos 16:14-15). Priscila fez uma boa obra quando, com seu marido, ajudou Apolo a conhecer “mais precisamente o caminho de Deus” (Atos 18:26). Febe, de Cencréia, foi “ajudadora de muitos”.  Outras partes da Escritura nos relatam que mulheres piedosas podem lavar os pés dos santos, aliviar o aflito, educar crianças e guiar a casa. Aqui lemos que em público a mulher deve aprender em silêncio. Ela não deve usurpar a autoridade sobre o homem.

O Apóstolo dá duas razões para a sujeição da mulher ao homem. Em primeiro, Adão tem lugar proeminente, visto que foi formado primeiro, depois Eva. A segunda razão é que Adão não foi enganado; a mulher foi. Num certo sentido, Adão foi pior que a mulher porque pecou conscientemente. Apesar disso, a verdade reclamada pelo Apóstolo é que a mulher mostrou sua fraqueza naquilo que ela foi enganada. Adão realmente deveria ter mantido sua autoridade e levado a mulher em obediência. Ela, na fraqueza, foi enganada, usurpando o lugar da autoridade e levou o homem à desobediência. A mulher cristã reconhece isso e é cuidadosa em manter o lugar de sujeição e silêncio.

(v.15) Eva sofreu por sua transgressão, mas a mulher Cristã encontrará misericórdia de Deus abundando sobre o juízo governamental, se o homem casado e a mulher continuam em fé e amor e santidade, com discrição. Como vimos antes, a continuidade na sã doutrina é largamente dependente de uma correta condição moral (1:5-6); assim vemos agora que misericórdia temporal está conectada com um estado espiritual correto.

(d) A supervisão na Casa de Deus (3:1-13)

(v.1) O Apóstolo falou da posição relativa dos homens e mulheres e a conduta adequada a eles na Casa de Deus. Isto prepara o caminho para a instrução quanto à vigilância na Igreja de Deus. O Apóstolo diz, “Se alguém deseja exercer vigilância, deseja um bom trabalho” (N.Tn.).

No discurso do Apóstolo aos anciãos de Éfeso, três coisas são trazidas diante de nós caracterizando a supervisão. Primeiro, os bispos que supervisionam devem ser vigilantes em relação a si mesmos e a todo o rebanho. Eles devem buscar que seu próprio caminhar e o caminhar do povo de Deus, possam ser dignos do Senhor. Segundo, eles têm de “alimentar a Igreja de Deus”. Eles pensam, não apenas no andar prático do povo de Deus, mas devem buscar o bem-estar das suas almas, para que possam entrar em seus privilégios cristãos e fazer progressos da alma na verdade. Terceiro, eles devem “zelar” pelo rebanho para que ele possa ser preservado dos ataques do inimigo de fora, assim como das corrupções que possam surgir dentro do  círculo cristão por meio de homens perversos que desviam almas do Senhor para si mesmos (Atos 20:28-31).

Tal era o trabalho da supervisão, e o Apóstolo fala disso como “um bom trabalho”. Há o testemunho da graça de Deus que deve fluir da Casa de Deus, e o Apóstolo já havia falado desse “bom e aceitável diante de Deus”. Existe também o cuidado para com aqueles que compõem a Casa de Deus, que seu andar deve estar adequado à Casa, e este cuidado para com as  almas é também “um bom trabalho”.

É importante lembrar que o Apóstolo não está falando de “dons”, mas de ofício local para o cuidado da Assembleia. A cristandade tem confundido dons com ofícios ou cargos. Na Escritura eles são bem distintos. Os dons são dados pelo Cabeça que ascendeu e são “postos” na Igreja (Ef.4:8-11; 1 Co.12:28). O exercício do dom não pode então ser limitado à assembleia local. O ofício de bispo que supervisiona é puramente local.

Além disso, não há nada nas instruções para ordenação de indivíduos para esses ofícios. Timóteo e Tito podem ter sido autorizados pelo Apóstolo para ordenar (ou estabelecer) anciãos (Tt.1:5), mas não há instruções para que anciãos indiquem anciãos ou a Assembleia para escolher anciãos.

O fato de que esses servos foram autorizados pelo Apóstolo para estabelecer anciãos prova claramente que, nos dias do Apóstolo havia Assembleias nas quais não havia bispos supervisores apontados. Eles não tinham anciãos apontados por ausência de autoridade apostólica (direta ou indireta) para apontá-los. É evidente então, pela Escritura, que não pode haver anciãos oficialmente indicados exceto por um apóstolo ou seus delegados. Parece então que para o homem apontar anciãos ou ordenar ministros é agir sem a permissão da Escritura.

Isso não implica que o trabalho de bispo que supervisiona não possa ser feito, ou que não há aqueles aptos para o trabalho em dias de ruína. O trabalho de bispo que supervisiona nunca foi tão necessário quanto hoje, e aqueles que estão, conforme a Escritura, qualificados para o trabalho podem em simplicidade servir ao povo do Senhor em sua própria localidade; e é bom para nós reconhecermos o tal, tendo sempre em mente a força exata das palavras do Apóstolo quando diz, “Se alguém deseja o episcopado, deseja um bom trabalho”. O apóstolo não fala de um homem desejando “ofício” a fim de possuir uma posição ou exercer autoridade, mas do desejo de exercer este “bom trabalho”. A carne gosta de ofício, e posição, e autoridade, mas isso evitará “trabalho”.  Quando isso é visto, temos de admitir que há poucos que têm o desejo contemplado pelo Apóstolo.

(vs.2,3) As qualidades que deveriam marcar esses tais são claramente colocadas diante de nós; e como alguém disse, “As instruções mesmo para anciãos e diáconos não são, por assim dizer, meramente para seu próprio interesse; eles nos mostram o caráter que Deus valoriza e procura em Seu povo.” (F.W.G).

O caráter moral do ancião deve estar acima de reprovação. Ele deve ser marido de uma esposa, uma qualificação que teria uma aplicação especial àqueles emergindo do paganismo com sua poligamia. Um homem convertido, embora não fosse rejeitado por ter mais de uma esposa, não estaria adequado para supervisionar. Além disso, um tal tinha de ser sóbrio em julgamento, discreto em suas palavras, decoroso no comportamento, hospitaleiro. Ele deveria ser apto a ensinar, não necessariamente implicando que ele teria dom de mestre, mas que ele tinha aptidão para ajudar outros em seus exercícios espirituais. Ele não deveria ser uma pessoa dada ao excesso de vinho ou violento; ao contrário, ele deveria ser manso, evitando contendas e livre de cobiça.

(vs.4,5) Além disso, ele deve ser aquele que governa bem a sua casa, tendo seus filhos em sujeição, exortações que claramente indica que o bispo que supervisiona deveria ser um ancião, que não apenas é casado e possui um lar, mas que também tem filhos.

(v.6) Ele não deveria ser um neófito. Um jovem cristão pode ser usado pelo Senhor para pregar a outros assim que se converte, mas para tal tomar o lugar de um bispo que supervisiona seria obviamente errado, e provavelmente o levaria a cair na condenação do diabo. O erro do diabo, alguém verdadeiramente disse, que “ele exaltou-se a si mesmo com o pensamento de sua própria importância” (J.N.D.).

(v.7) Finalmente, o bispo que supervisiona deve ter um bom testemunho diante dos de fora, de outro modo, ele vai cair em reprovação e no laço do diabo. O laço do inimigo é apanhar o crente numa armadilha em conduta questionável diante do mundo, assim ele não pode mais tratar entre os santos com uma conduta questionável.

(v.8) O Apóstolo dá mais adiante as qualificações necessárias aos diáconos. O diácono é um ministro, ou aquele que serve. De Atos 6 aprendemos que este trabalho especial é descrito como “servindo às mesas” e como conexão mostra que isto refere-se a satisfazer as necessidades corporais e temporais da assembleia, em contraste com o trabalho do bispo que supervisiona que é mais especialmente concernente em atender às necessidades espirituais. Apesar disso, não deixa de ser necessário que o diácono tenha qualificações espirituais. Aqueles escolhidos para o trabalho de diáconos na Igreja primitiva em Jerusalém tinham de ser “homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (Atos 6:3). Aqui aprendemos que, assim como os bispos que supervisionam, eles tinham de ser sérios, não de duas palavras, não dados ao excesso de vinho ou à cobiça.

(v.9) Além disso, eles tinham de ser marcados por “guardar o mistério da fé em uma consciência pura”. Guardar uma correta doutrina não é suficiente. Ortodoxia sem uma pura consciência indica quão pouco a verdade tem poder sobre quem a possui, portanto, quão impotente tal seria para influenciar outros.

(v.10) Além disso, os diáconos devem ser aqueles que foram testados e provados pela experiência para serem irrepreensíveis em sua própria conduta e então capazes de lidar com questões que devido à necessidade, viriam diante deles no seu serviço.

(vs.11,12) Suas esposas também tinham de ser sérias, não difamadoras e fiéis em todas as coisas. O caráter delas é especialmente referenciado na medida em que o serviço dos diáconos, tendo em haver com necessidades temporais, pudesse dar ocasião para as esposas cometerem maldades, a menos que fossem “fiéis em todas as coisas”. Assim como os bispos que supervisionam, os diáconos tinham de ser marido de uma só esposa, governando bem seus filhos e suas casas. Novamente, estas exortações implicam que o diácono não é um homem jovem, mas casado e tem filhos, e assim um homem com experiência.

(v.13) No caso pode-se pensar que o ofício do diácono era inferior ao do bispo que supervisiona, mas o Apóstolo especialmente declara que aqueles que usam o ofício de diácono, obterão para si mesmos uma boa posição, e muita ousadia na fé a qual é em Cristo Jesus; a verdade, assim como é frequentemente apontada, notavelmente ilustrada na história de Estevão (Atos 6:1-5; 8-15).

(e) O Mistério da Piedade (vs. 14-16)

(vs.14,15) O apóstolo encerra esta parte de sua Epístola, declarando definitivamente que a razão para escrever “essas coisas” é que Timóteo pudesse saber como alguém deve se comportar na Casa de Deus.

É-nos dito que a Casa de Deus é “a Assembleia do Deus vivo”. Não é mais um templo feito de pedras, como nos dias do Antigo Testamento, mas um grupo de pedras vivas – crentes. É formada por todos os crentes vivendo na terra em qualquer momento. Nenhuma Assembleia local é jamais chamada de A Casa de Deus.

Além disso, é a Assembleia do Deus vivo. O Deus que habita no meio do Seu povo não é como os ídolos mortos que os homens adoram que não podem ver nem ouvir. Que nosso Deus é vivo é uma verdade abençoada, de solene importância, mas podemos esquecer facilmente. Mais tarde o Apóstolo pode dizer-nos que nós podemos ”ser afligidos e sofrer reprovação, porque esperamos no Deus vivo” (4:10). O Deus vivo é um Deus que se deleita em cuidar e abençoar Seu povo; contudo, se a santidade que forma a Sua casa não é mantida, Deus pode fazer manifesto que Ele é o Deus vivo em tratamento governamental solene como com Ananias e Safira, que experimentaram a verdade das palavras “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.¨(Hb. 10:31).

Além disso, aprendemos que a Casa de Deus é a coluna e o fundamento da verdade. A “coluna” apresenta a ideia do testemunho; o “fundamento” é o que o suporta. Não foi dito que a Casa de Deus seja a verdade, mas a “coluna” ou testemunho da verdade. Cristo na terra foi “a verdade” (Jo. 14:6); e novamente lemos, “Tua palavra é a verdade” (Jo. 17:17). Apesar de que a Assembleia possa ter falhado muito em suas responsabilidades, o fato é que, como estabelecida por Deus na terra, é o testemunho e suporte da verdade. Deus não tem outro testemunho na terra. Em dias de ruína, podem ser uns poucos fracos que manterão a verdade, enquanto a grande massa professante, falhando em ser testemunho, será vomitada da boca de Cristo.

É importante lembrar que não é dito que é para a Assembleia ensinar a verdade, mas ser testemunha da verdade que já se encontra na Palavra de Deus. Nem pode a Assembleia reclamar autoridade para decidir o que é verdade. A palavra é a verdade e carrega sua própria autoridade.

(v.16) Como a Assembleia é a Casa de Deus – do Deus vivo – e a testemunha e fundamento da verdade, como é importante que saibamos como nos comportar na Casa de Deus. Em vista de um comportamento piedoso o Apóstolo diz “o mistério da piedade” ou o segredo do comportamento correto. Alguém escreveu sobre essa passagem: “Isto é frequentemente citado e interpretado como se falasse do mistério da divindade, ou o mistério da Pessoa de Cristo; mas é o segredo da piedade, ou o segredo pelo qual toda a real piedade é produzida – a fonte divina de tudo o que se pode chamar de piedade no homem” (J.N.D). Este mistério da piedade é o que é conhecido por piedade, mas não manifestado ainda ao mundo. O segredo da piedade está no conhecimento de Deus manifestado através e na Pessoa de Cristo. Assim nesta maravilhosa passagem temos Cristo apresentado, fazendo Deus conhecido aos homens e anjos. Em Cristo, Deus foi manifestado em carne. A santidade absoluta de Cristo foi vista em que Ele foi justificado no Espírito. Nós somos justificados na morte de Cristo: Ele foi selado e ungido completamente separado da morte – a prova de Sua santidade que lhe é própria.  Então, em Cristo, como Homem, Deus foi visto pelos anjos. Em Cristo, Deus foi conhecido e crido no mundo. Finalmente, o coração de Deus é conhecido pela presente posição de Cristo na glória.

Tudo isso é dito como “mistério da piedade”, porque essas coisas não são conhecidas por um incrédulo. Tal, na verdade, pode apreciar externamente a conduta que flui da piedade; mas o incrédulo não pode saber a fonte secreta da piedade. Esse segredo é conhecido somente pelos piedosos; e o segredo está no conhecimento de Deus; e o conhecimento de Deus foi revelado a eles em Cristo.

Por Hamilton Smith

Tradução: Rosimeri F. Martins (Curitiba), revisão Batista (Limeira).
Texto original: http://www.stempublishing.com/authors/smith/1TIMOTHY.html

domingo, 19 de março de 2017

I Timóteo - Um Resumo Expositivo - H. Smith - Parte II

II. O MANDAMENTO E SUA FINALIDADE
(Capítulo I)

A Epístola se inicia insistindo nas doutrinas da graça (v.3), bem como a correta condição espiritual (v.5), a fim de que o povo de Deus possa ser uma testemunha de Deus como o Salvador.

(a) A saudação (vs. 1,2)

(v.1) Tendo em vista a Casa de Deus como uma testemunha do Deus Salvador, o Apóstolo se apresenta como um Apóstolo de Jesus Cristo, segundo o mandado de Deus nosso Salvador e Jesus Cristo, esperança nossa. Então ele apresenta Deus como o Salvador do mundo e Cristo como a única esperança da alma. Separados de Cristo estamos sem esperança (Ef. 2:12; Rm. 15:12).

(v.2) Referindo-se a Timóteo, como seu próprio filho na fé, o Apóstolo deseja a ele graça, misericórdia e paz; mas, pensando nele como um crente, agora ele diz de “Deus nosso Pai” e Cristo Jesus “nosso Senhor”.

(b) O mandamento e sua finalidade (vs. 3-5)

Após a saudação, o Apóstolo imediatamente apresenta o propósito especial pelo qual ele escreve a Timóteo. Em primeiro lugar ele escreve para insistir na apresentação da doutrina da graça; segundo, ele exorta à correta condição espiritual a fim de ser uma verdadeira testemunha da graça.

(v. 3) Em relação à doutrina, pode pensar-se que, uma vez que o Apóstolo trabalhou em Éfeso por dois anos e três meses, e declarou aos santos todos os conselhos de Deus, era pequeno o perigo de que falsas doutrinas fossem ensinadas no meio deles. Não foi assim, entretanto, porque o apóstolo percebeu que havia “alguns” que estavam prontos a ensinar “outras doutrinas” mesmo entre aqueles que tiveram maior luz. O orgulho natural do coração pode pensar que muita luz é proteção contra o erro. Isso é bom para aprendermos, pelo exemplo da Assembleia de Eféso, que o fato de um grupo ter sido enriquecido com a verdade, e desfrutado do mais alto ministério, não é garantia contra falsa doutrina. Timóteo então tinha de cobrar de alguns que eles não ensinassem outra doutrina senão a grande doutrina da graça de Deus.

(v.4) Abandonando a verdade nos tornamos ocupados com fábulas e intermináveis genealogias que podem apelar à razão, mas apenas ocupam a mente com questões e não conduzem à edificação divina a qual é na fé.  “Genealogias intermináveis” são prazer para a mente natural assim como para a carne religiosa, pois elas calam Deus e fazem muito do homem. “Intermináveis genealogias” supõem que todas as bênçãos são um processo de desenvolvimento passado de uma geração a outra. Por esta razão, os judeus religiosos deram grande importância a sua genealogia. Então, também o homem do mundo, com sua ciência, falsamente assim chamada, procura calar a fé num Criador com teorias especulativas que veem tudo na criação como um desenvolvimento gradual e genealógico, de uma coisa à outra.  As especulações humanas, apelando para a razão, podem apenas levantar “questões” as quais deixam a alma na escuridão e dúvida. A verdade divina, apelando para a consciência e fé, pode sozinha oferecer certeza e edificação divinas.

(v.5) Havendo avisado contra falsa doutrina, o Apóstolo passa a falar da finalidade do mandamento.  A finalidade que ele tem em vista é a correta condição espiritual a qual sozinha nos capacita a manter a verdade e escapar do erro. Somente seremos mantidos quando guardamos a verdade em conjunção com “amor de um coração puro, uma boa consciência e de uma fé não fingida”. A sã doutrina só pode ser mantida com uma correta condição moral.

Questões especulativas podem ser levantadas e discutidas pela mente humana apartada de uma correta condição moral da alma, pois deixam a consciência e afetos intocados, e, portanto não levam a alma à presença de Deus. Em contraste à especulação do homem, a verdade de Deus só pode ser aprendida pela fé. Agindo sobre a consciência e coração, a verdade leva ao fortalecimento da relação moral da alma com Deus. Assim a verdade edifica conduzindo ao amor de um puro coração, uma boa consciência e a uma fé não fingida. A grande finalidade do mandamento aos crentes de Éfeso foi exortar a esses resultados práticos. O mandamento não foi fazer um grande trabalho ou fazer um grande sacrifício. Não era “fazer” grandes coisas diante dos homens, mas “estar” numa condição correta diante de Deus. Amor no coração, “uma boa consciência” e “uma fé não fingida” são qualidades que somente Deus pode ver, embora outros possam ver o efeito que produzem na vida.

Assim, nesses versículos iniciais, o Apóstolo nos apresenta o mandamento de não ensinarmos outras doutrinas que não as doutrinas da graça e a necessidade de uma correta condição espiritual a fim de manter a verdade e sermos preservados do erro.

(c) Advertências contra a negligência ao mandamento (vs. 6,7)

(vs.6,7) Tendo insistido conosco da profunda importância da correta condição espiritual, o Apóstolo, antes de continuar sua instrução, nos adverte, em parênteses, contra o solene resultado da falta dessas qualidades morais.

Havia alguns no círculo Cristão que tinham perdido essas grandes qualidades espirituais do Cristianismo. Tendo-as perdido, afastaram-se da verdade para o discurso vão. O Cristianismo, baseado na graça de Deus, leva a alma em coração e consciência à presença de Deus. Quando essa graça é “perdida”, a carne religiosa se desvia para vãs palavras, levando os homens a se tornarem “professores da lei”. Tais nem percebem o que contém seu falso ensino, nem entendem o real uso da lei que eles tenazmente afirmam.

Que solene condenação é o aviso do Apóstolo sobre a maior parte dos ensinamentos que fluem dos púlpitos da Cristandade. Tendo perdido a verdadeira graça do Cristianismo e seus efeitos, a profissão Cristã desviou-se para um discurso vão e ensino da lei, resultando que o puro evangelho da graça de Deus é raramente proclamado.

(d) O uso correto da lei e a superioridade da graça (vs. 8-17).

(v.8) O Apóstolo igualmente condena aqueles que se se desviam para fábulas da imaginação humana e aqueles que desejam ser mestres da lei. Contudo, há uma grande diferença entre fábulas humanas a lei divinamente dada. Assim, mesmo enquanto condena os mestres da lei, o Apóstolo é cuidadoso em manter a santidade da lei.  As fábulas são totalmente más, mas a lei é boa se usada legitimamente.

(vs.9-11) O Apóstolo prossegue a explicar o correto uso da lei. Ele afirma que a lei não foi feita para um homem justo. Não é nem um meio para abençoar um pecador, nem uma regra de vida para o crente. Seu uso legítimo é para convencer os pecadores dos seus pecados, testemunhando com o santo julgamento de Deus contra todo tipo de pecado.

Além disso, os pecados enumerados pelo Apóstolo, como de fato todos os outros pecados, não são somente condenados pela lei, mas são contrários à “sã doutrina” do Evangelho da glória de Deus. A lei está, a esse respeito, inteiramente de acordo com o evangelho. Ambos testemunham a santidade de Deus e por esta razão ambos são intolerantes ao pecado.

Contudo, as boas novas da glória de Deus, nas bênçãos proclamadas ao homem, ultrapassam qualquer bem que a lei possa realizar. O evangelho, confiado ao Apóstolo, revela a graça de Deus que pode abençoar o pior dos pecadores.

(v.12) Isto leva o Apóstolo a declarar a graça das boas novas como ilustrado na sua própria história. Graça soberana não apenas salvou o Apóstolo, mas tendo assim feito, o teve por fiel e o apontou para o ministério da verdade.

(v.13) Para mostrar a insuperável grandeza dessa graça, o Apóstolo menciona seu caráter quando homem não convertido. Naqueles dias ele foi “um blasfemo e perseguidor e um insolente homem dominador”. Ele não apenas se uniu ao Sumo Sacerdote Judeu resistindo ao Espírito Santo em Jerusalém, mas ele era seu agente ativo em levar esta oposição a cidades estrangeiras.  Ele blasfemou o Nome de Cristo, perseguiu os santos de Cristo e, sendo zeloso da lei, era insolentemente dominador na sua atitude para com a graça.

Este era o homem em quem Deus se agradou em demonstrar Sua misericórdia (v.13), Sua graça (v.14) e Sua longanimidade (v.16). Como um indivíduo ele foi objeto da misericórdia de Deus porque, apesar de sua intensa oposição a Cristo, ele havia agido na ignorância e descrença. Era tão ignorante da verdade e de Cristo, que pensou sinceramente estar fazendo o serviço de Deus tentando erradicar com o Nome de Cristo. Ele não era como um que, tendo se familiarizado com a verdade do evangelho, propositada e deliberadamente se opõe e a rejeita.

 (v.14) Assim, na misericórdia de Deus, a graça do nosso Senhor lhe foi revelada, como aquela que “foi além superando” acima de todos os seus pecados. A descoberta do pecado do seu coração, e a graça do coração de Cristo a tal pecador, veio acompanhada de “fé e amor”, que tinha seu objetivo em Cristo.

(vs.15,16) Tendo sido abençoado, o Apóstolo se torna um mensageiro da graça de Deus a um mundo de pecadores, e um modelo àqueles que viriam a crer em Cristo para a vida eterna.

(v.17) A narrativa dessa graça que vai além leva o Apóstolo a romper em louvor ao “Rei dos séculos, incorruptível, invisível, único Deus”. A Ele renderia “honra e glória pelos séculos dos séculos”. Paulo, enquanto zeloso pela lei, era simplesmente um homem no presente século, buscando manter a era da lei. Deus é o “Rei dos séculos” que está agindo em soberana graça para Sua própria glória através dos séculos dos séculos.

(e) O mandamento especial a Timóteo

Tendo mostrado o correto uso da lei e o caráter superabundante da graça, o Apóstolo retoma a linha do seu discurso iniciado no versículo 5.

(vs.18-20) A Timóteo, seu filho ele encomenda este mandamento do qual ele já falou nos versos 3 e 5. Timóteo tinha de agir com toda a autoridade conferida pelo Apóstolo, conforme as profecias para os serviços que haviam sido definidos para ele.  Levar adiante este serviço envolveria batalhas. Este conflito para ser bem sucedido requereria que a fé fosse persistentemente mantida. Fé nesta passagem é como alguém disse, “a doutrina do Cristianismo... a qual  Deus revelou, recebida com segurança tal, como a verdade” (J.N.D). 

Além disso, a verdade deve ser mantida com uma boa consciência, de forma que a alma é mantida em comunhão com Deus. Quão frequentemente as heresias nas quais os crentes caem, têm suas raízes secretas em algum pecado tolerado  ou não julgado, os quais corrompem a consciência, roubam a alma da comunhão com Deus e  a deixam uma presa às influências de Satanás.

Alguns realmente, nos dias do Apóstolo, abandonaram a boa consciência e então caíram em erros que fizeram naufrágio da fé. Dois homens são citados, Himeneu e Alexandre, que ouviram a Satanás e pronunciaram blasfêmias. Pelo poder apostólico eles foram entregues a Satanás. Dentro da Casa de Deus havia a proteção do Espírito Santo. Fora da Assembleia há o mundo sob o poder de Satanás. A esses homens foi permitido ficarem sob o poder de Satanás, para que através do sofrimento e angústia da alma, eles pudessem aprender o verdadeiro caráter da carne e voltar para Deus em humildade e quebrantamento de espírito.

Por Hamilton Smith

Tradução: Rosimeri F. Martins (Curitiba), revisão Batista (Limeira).

sábado, 4 de março de 2017

I Timóteo - Um Resumo Expositivo - H. Smith - Parte I

I. INTRODUÇÃO

A leitura cuidadosa da Escritura demonstra claramente que muitas das Epístolas do Apóstolo Paulo são na maioria corretivas, tendo sido escritas para atender grandes desordens e ensinamentos errôneos que perturbaram as primeiras assembleias. Há, no entanto, Epístolas, como por exemplo, a Epístolas aos Efésios e a Primeira Epístola a Timóteo, que são em grande parte instrutivas, porquanto elas apresentam a Igreja na sua divina ordem de acordo com a mente de Deus.

Cada uma dessas Epístolas apresenta um aspecto especial da Igreja. Na Epístola aos Efésios a Igreja é vista composta por crentes unidos pelo Espírito Santo para formar o Corpo místico do qual Cristo no céu é a cabeça, assim apresentando a Igreja na sua relação celestial de acordo com os conselhos de Deus.

Na Primeira Epístola a Timóteo, a Igreja é vista composta por crentes “No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” (Ef. 2:22). Em conexão com esta grande verdade, a instrução da Epístola tem em vista dupla finalidade. Primeiro, o Apóstolo escreve para instruir os crentes que vivam uma vida prática de piedade, consistente com a Casa de Deus, como lemos, “para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo” (3:15). Segundo, o Apóstolo escreve para nos instruir que o grande propósito da Casa de Deus é ser a testemunha no mundo de que Deus é um Deus salvador “Que quer que todos os homens se salvem” (2:4).

O desejo de Deus é que, pela Igreja, houvesse no mundo um testemunho coletivo para Ele em toda Sua santidade e graça como um Deus salvador. Para apresentarmos este testemunho devemos conhecer a ordem da Casa de Deus e o comportamento adequado a Sua Casa.

A Epístola então apresenta o propósito e ordem da Casa de Deus de acordo com a mente de Deus. Isto mostra que esta ordem divina não é somente para governar a Assembleia, mas para ter efeito em cada detalhe das vidas daqueles que compõem a Casa de Deus, sejam homens ou mulheres, velhos ou jovens, casados ou solteiros, servos ou mestres, ricos ou pobres.

Na condição de ruína da Cristandade a verdade da Epístola é largamente obscurecida ou ignorada tanto pelo “individualismo” como pelo “sectarismo”. Muitas almas zelosas, vendo pouco além da sua salvação individual, são indiferentes ao fato de que, sendo salvos, os crentes formam a Casa de Deus com todos seus privilégios e responsabilidades. Outros, sentindo a necessidade da comunhão Cristã, mas falhando em ver o que Deus estabeleceu, têm trabalhado para formar sistemas religiosos de acordo com suas próprias ideias de ordem.

Assim, de diferentes formas, a grande verdade é ignorada, de que Deus formou a Sua Casa composta por crentes “vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito” (Ef. 2:22). A verdade deveria nos guiar, não para nos vermos meramente como indivíduos salvos, nem para empreendermos esforços para reunir Cristãos em sistemas inventados por homens, mas para reconhecermos nossa parte na Casa que Deus já formou, e agir nessa luz, rejeitando tudo o que seja negação dessa Casa em princípios e práticas.

Desejando andar em simples obediência à Palavra de Deus, deveríamos apreciar a misericórdia que nos foi preservada, nesta Epístola, a mente de Deus para a Sua Igreja, vista como a Casa de Deus. É somente se tivermos diante de nós o padrão de Deus que poderemos inteligentemente buscar responder à Sua mente. Devemos conhecer a verdade para agir conforme ela; e somente se estivermos fundamentados na verdade seremos capazes de detectar e rejeitar o erro.

Apresentando o comportamento consistente com a Casa de Deus, segue-se essa prática, em vez de doutrina, passada diante de nós na Epístola.

No Capítulo I o Evangelho da graça de Deus é apresentado como o grande testemunho que deve fluir da Casa de Deus para o mundo.

Nos Capítulos II e III somos instruídos para a ordem prática que a torna a Casa de Deus, então tudo o que compõe a Casa, homens e mulheres, devem viver em consistência com o lugar de habitação de Deus, e que nada deve ser permitido que manche o testemunho que flui da Casa.

Nos Capítulos IV a VI somos avisados sobre as diferentes formas nas quais a carne se manifesta e somos instruídos em “piedade” ou “devoção” como a grande proteção contra todo princípio do mal contrário à ordem da Casa de Deus.

Por Hamilton Smith

Tradução: Rosimeri F. Martins (Curitiba), revisão Batista (Limeira).

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Os Limites da Disciplina - S. Ridout.

Por “disciplina” queremos dizer o exercício geral de cuidado no governo da casa de Deus, com o qual Ele se comprometeu com seu povo. Isso inclui então as várias formas nas quais esse cuidado se manifesta, desde a mais simples forma de interesse e aconselhamento dos irmãos, a mais pública correção e reprovação na assembleia, assim como a final, algumas vezes necessária, exclusão da comunhão dos santos.  Para melhor compreensão do que foi dito, reuniremos os tópicos em diferentes títulos.

O objeto do presente artigo não é tanto discutir a questão da disciplina em geral, mas sim verificar os limites das escrituras ao que é feito.

1. Os cuidados gerais com os irmãos

Quando nosso Senhor restaurou Pedro, Sua ovelha errante, o Senhor, por assim dizer, transferiu a expressão da devoção de Pedro por Ele, para amar e cuidar dos Seus cordeiros e ovelhas (Jo. 21:15-17). Quando o bom Samaritano encontrou e ministrou ao homem que foi encontrado entre ladrões, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. Salvação é o abençoado início de um trabalho a ser realizado até sua culminação na volta do Senhor. Este trabalho inclui instrução, cuidado e correção no poder do Espírito Santo, ministrado por Ele por meio de vários membros do corpo de Cristo: “mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros.” (1 Co.12:25).

Podemos dizer que o exercício essencial deste cuidado está na administração de alimentos adequados, sugerido nas palavras do nosso Senhor (Jo. 21:15-17)1, “alimenta meus cordeiros”.  Esses cuidados seguem adiante por meio da proteção do amor sugerida nas palavras, “apascenta as minhas ovelhas”; e para que isto fosse entendido como o único exercício necessário para o bem estar das ovelhas, nosso Senhor retorna, em Sua última resposta a Pedro, à simplicidade da primeira resposta “alimenta meus cordeiros”.

Nota da tradutora - Jo. 21:15-17 (1): na versão Darby diz:  “alimenta meus cordeiros, apascenta minhas ovelhas e novamente apascenta minhas ovelhas”, diferentemente da versão JFA que diz “apascenta meus cordeiros, apascenta minhas ovelhas e novamente apascenta minhas ovelhas”.

Alimentá-las naturalmente é a primeira coisa a fazer. Quando uma alma passou da morte para a vida o primeiro cuidado é ver que ela é fortalecida pelo “leite racional, não falsificado” (1 Pe.2.2). Assim o crescimento está assegurado. Que agradável privilégio é ser permitido exercitar esse cuidado para os amados cordeiros e ovelhas do rebanho de Cristo!  Não podemos cobiçar privilégio mais alto do que ministrar “a tempo a ração” (Lc. 12:42) à casa de Deus - ministério em que a parte mais importante é a obra e a pessoa de nosso Senhor Jesus. É um serviço no qual todos devem participar, enquanto que aqueles que têm dom especial para ensino podem regozijar-se em cumprir seu ministério.

Nas assembleias do povo de Deus precisamos sempre lembrar que este cuidado é a primeira necessidade. Sem isso é quase impossível exercitar a disciplina, mesmo nas suas formas mais simples. Se os santos não são nutridos adequadamente, eles se tornam espiritualmente anêmicos e hipersensíveis à mais branda forma de admoestação ou repreensão pelos irmãos. Eles estão muito fracos para saber da bem aventurança do serviço de João 13 – “vós deveis também lavar os pés uns aos outros”.  Vemos então que há uma completa e constante fonte de suprimento de puro leite da Palavra, no ministério adequado para uma variedade de necessidades dos santos, assim eles são formados na sua mais santa fé e nutridos nas palavras da fé, assim crescendo pelo verdadeiro conhecimento de Deus.

Passamos, agora, da discussão deste item para outro que está em nossos corações,

2. O exercício dos cuidados fraternais e a vigilância

O jovem crente é exposto a perigos especiais em três direções: da carne, do mundo e de Satanás, que está constantemente procurando fazer uso da carne e do mundo para seduzir a alma da simplicidade de Cristo. Os verdadeiros instintos de amor nos levarão a tratar e nos preocupar com os cordeiros do rebanho. De fato, isto nos tem sido confiado e podemos nos perguntar qual se a razão de mais pessoas não serem acrescentadas aos grupos dos santos reunidos ao nome do Senhor; possa ser a falta do exercício no amor no cuidado para com eles.

O primeiro elemento deste cuidado é sugerido no pensamento da vigilância: “porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas” (Hb. 13:17). Cada pastor cuida das suas ovelhas.  Não agir desse modo deixaria o caminho aberto para o ataque do lobo. O cuidado deve ser tomado em coisas simples, como, por exemplo, comparecimento regular dos santos às reuniões, suas companhias, e outras questões similares. Percebemos de imediato que estamos pisando num terreno delicado que sugere uma limitação com esse tipo de cuidado.

Embora vigilantes, não devemos ser desconfiados. Uma gentil  e amorosa vigilância está longe de um inquieto, questionador e intruso espírito. Não devemos suspeitar da existência do mal sem base adequada e mesmo na relação fraternal aqui sugerida, devemos nos resguardar de imputação por motivos errados ou suspeitas daquilo que não foi manifestado.

Para ser explícito, se um jovem santo está frequentemente ausente das reuniões, claramente não é sábio ou correto suspeitar que a causa seja falta de interesse. Em vez disso, deixe a questão ser abordada em espírito de confiança, no amor que não suspeita mal. Assim, em vez de fazer perguntas impertinentes, a forma amorosa seria manter contato com a pessoa cujo caminhar nos preocupa e procurar ganhar sua confiança.  Isso será suficiente para sugerir em qual espírito toda tipo de cuidado dos irmãos deveria ser exercitada. Não nos debruçaremos mais sobre isso, mas apenas relembramos nosso leitor que estamos propensos a balançar de um extremo a outro – indiferença por um lado, e por outro lado, intrometido naquilo que não temos direito, a menos que primeiro sejamos procurados por aquele que busca ajuda.

3. O lavar os pés uns aos outros

Isto nos leva a falar do mais positivo esforço na correção da manifestação de falhas ou fraquezas, sugerido na figura de João 13. “Não odiarás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo, e não levarás sobre ti pecado por causa dele” (Lv.19:17), foi a ordem da lei. O que aqui é ordenado, sob a graça, será o esforço para o exercício de um amor verdadeiro. Ai de nós, tão frequentemente ocupados com o mal nos outros sem exercício pessoal; falando deles em vez de falando a eles; tão distante de estar aportando alguma ajuda, alienando-os, fazendo-os ouvir falar deles pelas costas.

A simples coragem do amor irá para o irmão que está em falta, primeiro pelos sussurros da mente do Senhor em oração por ele e nós mesmos.  Depois, no espírito de Gálatas 6 “se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão”.

A confiança do irmão terá sido ganha; ele não vai pensar que queríamos humilhá-lo ou exaltar-nos.  Nós o traremos  para a simples palavra de Deus, aplicada ao problema em questão – do seu andar, companhias, ou o que quer que seja. Nosso único objetivo é a recuperação dele; e em toda a graça e ânsia de um coração em comunhão com Cristo procuraremos pastorear Sua amada ovelha. Realmente, esta é uma abençoada e a mais delicada obra, requerendo nada menos que a graça de Nosso Senhor para um adequado cumprimento. Isto é o que Ele sugere nas palavras “Ora, se eu, /senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros” Jo 13.14.

Há também aqui limites manifestos para o exercício apropriado dessa responsabilidade. Como dito antes, não devemos suspeitar indevidamente nem desnecessariamente acusar nosso irmão que falhou, que não tenha sido manifestado como tal. Por exemplo, amizades  e companhias prejudiciais podem ter sido iniciadas. Não devemos ir além do que sabemos do fato. Um irmão jovem pode ter sido visto na companhia de jovens ímpios; e nós podemos ficar seriamente preocupados com isso. Nós não seríamos justificados, no entanto, em acusar o irmão de ter ido com eles ao teatro ou coisas do tipo. O limite é claro. Tratamos somente com o que sabemos, apontando os perigos que possam estar envolvidos, e ainda cuidando para não ir além dos fatos como os conhecemos.

Muitas vezes, onde uma alma é assim tratada, com amor fraternal e afetuosa confiança, enquanto não se fala da extensão do seu declínio, o coração será examinado e o julgamento próprio garantido; quando, porém damos voz às nossas suspeitas e o acusamos daquilo que ele realmente não é culpado, ele se ressentiria e poderia usar isso como uma desculpa para continuar no caminho errado.

4. Apartar-se – tomar distâncias

Passamos agora do exercício do cuidado pessoal e vigilânica dos irmãos para o que é propriamente a disciplina pela assembleia. Enquanto o mal for de uma natureza que haja esperança de recuperação, e o nome do Senhor não está comprometido, nossos esforços particulares para restaurar um irmão errante devem continuar.  Entretanto, quando não nos sentimos mais capazes de falar a ele, nós temos de demonstrar nossa preocupação nos  afastando dele. “Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão”. (2 Ts.3:14-15).  Às vezes um pequeno silêncio de desatenção, do qual ninguém, mas apenas nosso irmão vai perceber, pode ser mais efetivo do que uma admoestação verbal persistente, a qual ele se recusa a ouvir, especialmente quando tal afastamento é acompanhado por sinais de manifesta tristeza, juntamente com manifestação de profundo amor de acordo com a ocasião. Nosso abençoado Senhor deu as melhores porções escolhidas para o prato do pobre coitado que ele sabia estava planejando traí-lo. Certamente, se tivesse havido uma partícula de ternura no coração duro de Judas, teria rendido a tal amor. 

Onde alguém foi constrangido a tomar tal atitude de desatenção para com seu irmão, grande cuidado deve ser tomado para que isso seja no caráter particular. Nada que fira o orgulho, especialmente naquele que já está com sua alma afastada de Deus, exposto à vergonha pública.

5. A disciplina da Igreja

Mas o tempo vem quando o mal é de tal natureza que o próprio amor e a fidelidade ao Senhor são forçados a chamar a atenção dos santos para aquele que não responde mais ao tratamente pessoal.  “Dize-o à Igreja” (Mt.18:17). A conduta do irmão está agora diante da assembleia, que é, além de tudo, responsável pelo exercício das várias etapas que a disciplina requer. Pode haver necessidade evidente de correção. A conduta do irmão é manifestamente errada e mesmo aqui há limites os quais a Escritura evidentemente impõe.  “Quarenta açoites lhe fará dar, não mais; para que, porventura, se lhe fizer dar mais açoites do que estes, teu irmão não fique envilecido aos teus olhos.” (Dt. 25:3).

Temos aqui um princípio que mesmo sob a lei, evitava uma severidade indevida. Quanto mais deveriam aqueles que conhecem a graça do nosso Senhor Jesus Cristo, temperar a correção com misericórdia!

A disciplina na Assembleia pode ser dividida em três classes gerais: admoestação privada, repreensão pública e a exclusão.

Todo o espírito da Escritura serve para nos guiar, e não somente passagens bíblicas isoladas. Se um indíviduo tem de dizer a um irmão a sua falta “repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mt. 18:15), o mesmo espírito deve caracterizar a assembleia em seu agir. Isto está de fato implícito nas palavras da passagem já mencionada: “... se também não escutar a igreja” (vs.17). Neste ponto, a atitude da assembleia é a de Gálatas 6:1 “...vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão”. Igualmente o apóstolo escreve: “Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros...” (1 Ts.5:14).

6. A admoestação reservada

A admoestação reservada está tão proximamente ligada com o trato pessoal que há pouco a ser dito. A assembleia pode estar convencida que um irmão deu causa a isso, então encarrega um ou dois irmãos, sérios, homens piedosos de peso, para ir ao malfeitor, de forma reservada, para admoestá-lo por parte da assembleia. Eles devem adverti-lo de que a conduta de um crente está ligada ao nome do Senhor e ao seu testemunho; que não podem ser identificados de forma nenhuma com isto e rogam que ele julgue a si mesmo, para apartar-se do mal. Os limites aqui são óbvios. Não funcionaria, por exemplo, administrar esta repreensão em público. Isso soaria como pressa e desejo de livrar-se de um assunto desagradável. Ao contrário, cuidado especial deve ser tomado para que nada mais seja feito além da admoestação.

Podemos dizer que talvez alguns na assembleia pudessem pensar que algo mais é necessário, além do trato pessoal em caráter reservado. Eles seriam a favor de uma repreensão pública, ou de fato, insistiriam que aquela pessoa deveria ser colocada para fora de uma vez. Deixe aqueles que são tão inclinados a isso lembrarem-se de que não podem ir além da consciência da assembleia. Muito dano tem sido causado pela insistência de uns poucos por uma disciplina extrema, quando os demais estão convencidos que uma disciplina menos severa deveria ter sido adotada. Um bom cirurgião anseia por poupar um membro. Amputação é seu último recurso.

7. A admoestação pública

Vamos supor que a admoestação reservada não obteve o resultado esperado. A repreensão pública é o próximo passo indicado. O mal cresceu de tal forma que ninguém pode fechar seus olhos a ele. Há muitas indicações de que vai piorar. O amor agora indica a necessidade de uma ação radical. Se um irmão tem de ser poupado da vergonha e da humilhação de ficar muito tempo fora da comunhão, ele deve ser confrontado com seu erro. Uma admoestação pública será feita na presença de toda a assembleia. “Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor” (1 Tm. 5:20). Os santos reunidos ao nome do Senhor, sentindo a santidade de Sua presença, também tocados pela Sua graça, são obrigados a repreender o que cometeu o mal. Naturalmente pensamos que aquele que vai administrar a repreensão deve ser conhecido pela sua delicadeza e docilidade (Fl. 3:18). Limitações naturalmente sugerem-se aqui. Não deve haver demonstração de ira ou ressentimento, nem manifestação de espírito farisaico ou de justiça própria, A tristeza certamente encherá aqueles que se derem conta que não são eles, mas o Senhor deles que foi desonrado na casa de Seus amigos.

Grande cuidado deve ser tomado quando for descrito o caminho do mal desde o seu início, sem exageros, nada que não haja sido completamente baseado em fatos, que devem ser apresentados de tal forma que aquele que cometeu o mal, em vez de mostrar autodefesa, possa somente acenar em concordância com a justiça da admoestação administrada, sentindo que ela está antes abaixo, e não acima do que ele merecia.

Mencionamos em relação a isso, com alguma apreensão, uma prática que tem sido adotada entre alguns do povo de Deus, familiarmente conhecida, que é exigir que a pessoa se “sente atrás”.  Alguns, de fato, assumiram determinar isso sem mesmo consultar a assembleia, dizendo que eles não partiriam o pão se tal pessoa assim não o fizesse. Isto é realmente tirar a disciplina das mãos da assembleia e administrá-la por uma pessoa. O resultado só pode ser o de deixar a assembleia aberta à acusação de ser dirigida por poucos, e talvez efetivamente feche a porta para o que de outra forma teria sido o início da recuperação.

À medida que o caso cresce com menos esperança, nosso cuidado deveria aumentar. Não vamos dizer que não poderá haver casos em que a assembleia sinta que um irmão deva ser “calado”; mas tais casos são raros e são indicados quando há grave suspeita de que o mal seja pior do que é sabido, e o qual é justo ser trazido à luz. Deste modo, um irmão que foi reportado estar em curso de pecado pode apresentar-se numa reunião para partir o pão.  A assembleia poderia requerer ao tal abster-se de fazê-lo até que tenha havido tempo de examinar o caso. Não precisamos dizer que isso precisa ser feito com toda a prontidão. Mas desaprovamos fazer do ato de sentar-se atrás um grau de disciplina.

8. A exclusão da comunhão

Chegamos agora ao ato final de tirar de comunhão e pedimos ao leitor que observe quantos passos precederam esse ato final. Tememos que muitos de nós tenhamos errado em relação a isso.  Temos negligenciado tão completamente os passos preliminares do cuidado fraternal e vigilância que o pecado público pode ser atribuído pelo menos em parte à nossa negligência, tanto quanto ao que comete o erro. É claro que onde o pecado manifestou-se num caráter tal que não se possa tolerar, como escrito em 1 Coríntios 5, resta apenas um caminho aberto – “Tirai pois dentre vós a esse iníquo”. A razão para tal ato, entretanto, deve ser clara. Não deve haver lugar para suspeita de mera animosidade pessoal, nem a sugestão de que um partido (uma divisão) na assembleia ganhou seu ponto.

O mal para ser tirado deve ser de tal caráter evidente que não levante suspeita nas mentes daqueles que dele ouvirem, de que severidade indevida foi usada. Podemos estar certos de que se a consciência comum dos santos falha em reconhecer uma conduta como imoral, aqueles que procuram infligir tal disciplina deveriam perguntar a si mesmos se eles não estão errados. De fato, não temos aqui uma daquelas garantias que o amor divino deu, pela qual o povo amado de Deus é apto a receber o aviso e conselho de seus irmãos? Muito mais poderia ser dito sobre este ponto. Acreditamos que não há necessidade de dizer mais nada.

Uma pessoa pecadora que é tirada de comunhão não perde apenas o direito de partir o pão, mas os santos devem separar-se de sua companhia; e ainda, mesmo neste caso há certos limites para a disciplina que sugerimos. Como quem pecou é membro de um lar cristão, um marido ou irmão, seria um erro aplicar literalmente as palavras “com o tal nem ainda comais” (1 Co. 5:11). Uma esposa não deveria recusar sentar-se à mesa com seu marido que está em disciplina. Ela manifesta a sua recusa de comunhão de outras maneiras. Seria uma mera perseguição insistir em que ela deixasse de cumprir seus afazeres domésticos.

Podemos ainda mencionar que quando uma pessoa foi tirada de comunhão, é bom de vez em quando ir vê-la, na esperança de que Deus esteja trabalhando sua alma; mesmo a exclusão tem a recuperação como objetivo.

Com relação a este assunto acrescentamos algumas palavras quanto ao aspecto coletivo da disciplina. Temos de insistir que a verdade de um só Corpo e o esforço para manter a unidade do Espírito requer que a verdade da disciplina exercida por uma assembleia seja aceita e aplicada por todas as outras assembleias. Falhar em fazer isto seria independência do mais evidente caráter; mas isto só enfatiza a necessidade de que a disciplina deve ser tal como indicamos, com caráter apropriado conforme a Escritura.

Como já dito, se a ação disciplinar foi tão extrema que suscita dúvidas à consciência dos santos de outros lugares, a assembleia local pode questionar se não cometeu um erro. Em tal situação deveria buscar a comunhão com irmãos de outras localidades que sentem alguma inquietude e apresentar seus exercícios e sua ação disciplinar.  Se estivermos conscientes que agimos para o Senhor, podemos estar confiantes que nossos irmãos, nos quais confiamos na integridade espiritual, após conhecerem os fatos, chegarão à mesma conclusão nossa. Também podemos, com a desconfiança em nós mesmos, que vai junto com a real certeza, pedir conselhos complementares e buscar a comunhão daqueles que estão igualmente ligados a nós pelo ato da disciplina.

Ah, quantas divisões do passado resultaram da falha em reconhecer o princípio do que acabamos de falar! Atos extremos de disciplina foram forçados sobre o povo de Deus de tal forma que não lhes foi permitido questionar a justiça de tais atos, mas foram obrigados a concordarem ou então retirar-se da comunhão com a assembleia que exerceu a disciplina.

Não precisamos ser mais específicos aqui, porque, ah, nossos corações estão feridos em pensar nas nossas falhas neste sentido! Deveríamos apenas perguntar, não há mais remédio? Não podemos esperar, em alguma medida pelo menos, reformular  nossos passos; e se cremos que severidade indevida foi usada na ação da disciplina, não deveríamos nós, no temor de Deus e em toda simplicidade, concordar e desfazê-la na medida em que podemos?

Este assunto tão importante foi, em alguma medida, apenas tocado superficialmente. Concluindo, animemo-nos mutuamente a praticá-lo em todos os seus vários detalhes. Que haja um despertar entre os santos, uma verdadeira restauração da graça em nossos corações, a qual, enquanto busca cumprir apropriadamente toda disciplina, cuidadosamente observa os limites que a palavra de Deus coloca em cada estágio; e possa nos guardar dos perigos aqui apontados.

S. Ridout.

Tradução: Rosimeri Fauth Martins, revisão Paulo Martins.
Texto original: http://www.stempublishing.com/authors/S_Ridout/SR_Disciplines_Limits.html

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Princípios Fundamentais sobre os Quais a Igreja é Edificada - C. H. Brown

Atos 2.37-47

Na Palavra de Deus encontramos o pensamento de Deus com referência à igreja de Deus. Lemos em Atos 20 que a igreja é muito querida ao coração de Deus, pois Ele pagou por ela com o sangue do Seu único Filho. Ele zela por essa igreja para que ela possa seguir adiante e permanecer em todos os seus privilégios que lhe foram garantidos na Palavra de Deus pelo Espírito Santo enviado do céu.

A igreja de Deus era algo novo e distinto naqueles dias de Atos. Ela nunca havia sido o objeto de profecia direta, apesar de poder ser encontrada escondida em tipos e sombras desde o primeiro tipo mais importante que aparece na Bíblia, até a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Mas quanto à sua existência real, a igreja de Deus nunca existiu até aquele dia memorável quando os 120 foram reunidos no cenáculo e o Espírito de Deus desceu e os batizou em um único corpo. A Cabeça ascendida no céu assumiu a responsabilidade de equipar Sua igreja com todos os dons necessários. Ele ainda vive, Ele ainda está na glória, Ele ainda cuida de Sua igreja, Ele ainda concede dons, e Ele ainda cuida de cada indivíduo que faz parte deste corpo.

No Novo Testamento, principalmente em Atos e nas epístolas, todos os detalhes foram providenciados especialmente para nós, principalmente os princípios fundamentais sobre os quais a igreja foi edificada, e pelos quais – e para os quais – ela foi formada.

Quem Eram Eles?

Veja o versículo 42 do capítulo 2: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações". Diz que eles "perseveravam". Quem eram eles? O novo grupo, aquela companhia de pessoas batizadas com o Espírito de Deus, e batizadas com água para que se identificassem com essa nova posição aqui neste mundo.

Portanto aqui vemos uma companhia de pessoas batizadas; eles haviam recebido a Palavra e foram batizados. Naquele dia em particular, quando Pedro fez sua pregação, três mil almas foram acrescentadas. "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." Qualquer grupo de cristãos que rejeite qualquer uma destas quatro coisas não está agindo em conformidade com o plano que Deus tem em mente. Lembre-se: é a igreja dEle, e Ele é Quem decide o caminho, e tanto eu como você só estaremos obedecendo se estivermos seguindo aquilo que é a Palavra de Deus. Uma das características de um cristão é "perseverar".

A Doutrina dos Apóstolos

Qual destas quatro coisas vem primeiro no versículo 42? A doutrina dos apóstolos. Estamos vivendo numa época de superficialidade de pensamento. As pessoas dizem que a doutrina não faz nenhuma diferença, todavia ela faz toda diferença. A doutrina é algo solene, ela tem a preeminência, e você encontra isso repetidamente na Palavra de Deus.

Abra em 1 Timóteo 1, no final do versículo 10: "...e para o que for contrário à sã doutrina". Acaso Deus não se importa com o que você crê? Na mesma epístola, capítulo 4.13, "Persiste em ler, exortar e ensinar [doutrinar], até que eu vá". Acaso não faz diferença em que você crê? Dê atenção à doutrina. Então, no versículo 16, "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem". Você quer ser usado para bênção de outros? Então permaneça na sã doutrina, pois vivemos numa época em que precisamos estar atentos quanto à sã doutrina.

Abra agora em 1 Timóteo 6.3,4: "Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe". De nada vale se vangloriar de possuir um dom, de nada vale ostentar nossas talentosas habilidades, se nossa doutrina não se enquadrar na Palavra de Deus. Nada sabemos aparte da vontade revelada de Deus, como a encontramos na Palavra de Deus.

Em 2 Timóteo 1.13 lemos: "Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus". Eu e você não podemos nos permitir fazer experiências com a verdade de Deus. Em 2 João o apóstolo nos alerta: "Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho".

E outra vez, em 2 Timóteo 3.10, "Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência". A doutrina e o modo de viver são duas coisas que andam juntas. O homem irá lhe dizer que não faz nenhuma diferença em que você crê – que o mais importante é o modo de viver. Isto é falso. A doutrina vem primeiro. Você não pode viver certo se não crer certo. Não pense que você pode separar a conduta da doutrina. A única conduta correta que Deus pode contemplar com complacência é a conduta que deseja obedecer à Palavra de Deus revelada. Minha doutrina e minha conduta compõem meu modo de vida.

"Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas" (2 Tm 4.2-4). É aí que estamos; já atingimos este ponto; não suportarão a sã doutrina.

A Comunhão dos Apóstolos

Volte para Atos 2.42, "E perseveravam... na comunhão [dos apóstolos]". Não apenas na doutrina dos apóstolos, mas também na comunhão dos apóstolos. Existem hoje muitas comunhões neste mundo, mas aqui se trata da comunhão dos apóstolos. De que se trata? Trata-se da comunhão que resulta da associação daqueles que guardam a doutrina dos apóstolos. Em outras palavras, se estiver determinado a observar a doutrina dos apóstolos, você fará isto, e se eu também fizer o mesmo, nos encontraremos juntos. Será algo fundamentado e baseado na doutrina dos apóstolos. Vemos isto acontecendo aqui no versículo 44 deste capítulo: "E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum." Não existe nenhum caminho assinalado nas Escrituras para alguém andar sozinho nas coisas de Deus. Não, e não pense que você está agradando o Senhor quando está andando separado de seus irmãos. Sei que são falhos. Eu sou um deles, e sei que sou uma prova para meus irmãos, mas oh, meus irmãos têm sido tão bons para comigo que busco por graça para seguir adiante com eles.

Partir o Pão

Existe agora outro ponto: comunhão e partir o pão. Alguns cristãos parecem sentir que existem dois tipos de cristãos no mundo: aqueles que partem o pão e aqueles que não partem o pão. Nunca encontrei tal coisa em minha Bíblia. A não ser quando nos encontramos sob disciplina, partimos o pão. Evidentemente não esperamos que aqueles que se encontram sob disciplina partam o pão.

Mas não encontro nas Escrituras que exista uma classe de pessoas que partem o pão, enquanto outras não. Não há tal coisa, mas o normal é que parta o pão, se for um filho de Deus. Este era um dos privilégios da nova posição que tinham como cristãos: este sagrado privilégio que é partir o pão. O Senhor pediu que fizessem isto e eles alegremente atenderam ao pedido. Sei que estamos vivendo dias de enorme confusão, e é difícil você encontrar que caminho trilhar. Estou pronto a admitir isto, mas não se trata de uma desculpa para você seguir adiante sem partir o pão. Você é cristão? Você sabe que seus pecados estão perdoados? Ora, então por que é que você não está lembrando o Senhor no partimento do pão? Trata-se de algo solene. Ele nos pediu que fizéssemos isto. Ele não disse: "Se você quiser, faça assim", ou "se você concordar..." Ele disse "fazei isto". Não disse "vá pregar o evangelho"; não disse "vá ser missionário em outro país", mas "fazei isto em memória de Mim".

Eles perseveravam no partimento do pão; não desistiram. Alguns de nós conhecem crentes que partiram o pão por algum tempo e então pararam de lembrar o Senhor. Quando indagados da razão de terem parado, responderam que ficaram ofendidos por uma razão qualquer. Mas nunca encontrei alguém que tivesse sido ofendido pelo Senhor Jesus Cristo, e, todavia foi Ele Quem disse, "Fazei isto em memória de Mim". Por que não podemos ser mais pacientes uns para com os outros? Será que você acha que você particularmente nunca é uma provação para seus irmãos? Será que você não pode encontrar graça suficiente para seguir andando com eles? Você acha que pode se dar por desculpado ao não cumprir o pedido do Senhor só porque alguém feriu seus sentimentos?

Oração

A última coisa que mencionei foi "oração". Ela ocupa um grande lugar nas Escrituras. O Senhor Jesus nos deixou exemplo; Ele era um homem de oração. Quando olhamos para a vida dos apóstolos vemos que também eram homens de oração. Quando Pedro estava na prisão e sua cabeça estava para ser decepada no dia seguinte, os santos de Deus estavam na casa da mãe de João Marcos, de joelhos, para passarem a noite em oração. Não estavam simplesmente repetindo rezas; eles estavam orando fervorosamente. Aquelas orações penetraram na presença de Deus; elas subiram até o trono de Deus, e Deus as ouviu e respondeu de maneira poderosa. Pedro foi gloriosamente libertado. Mas assim que foi libertado e pôde entender o que havia acontecido, seguiu direto para aquele poderoso gerador de sua libertação – aquela pequena reunião de oração em um lar.

Suponha que você estivesse vivendo naquele tempo e soubesse que Pedro estava sendo perseguido e que seria morto. Será que você diria, "Estou cansado hoje; acho que vou ficar em casa hoje à noite. Acho que não vou à reunião de oração"? Então no dia seguinte você escutaria o que aconteceu. Certamente ficaria desapontado; você diria, "Eu gostaria de ter estado ali e orado a Deus por Pedro". Oh, sim, você teria desejado estar naquela reunião de oração. Não despreze a reunião de oração e não a tenha como algo de pouca importância; uma assembleia sem reunião de oração é uma assembleia doente. Graças a Deus hoje é dia de reunião de oração!

Estivemos ocupados com o caminho simples dos santos do Novo Testamento. Será que desejamos, no pouco tempo que nos resta, andar na simplicidade daquele caminho, deixando zelosamente de lado tudo o que seja contrário a ele, que nos faça desviar dele, ou que acrescente alguma coisa a ele? Se estivermos desejosos de seguir por ele, algum dia poderemos ouvir, "Bem está, servo bom e fiel"; não "servo bom e bem sucedido", mas "servo bom e fiel". Que Deus conceda que seja assim.

[C. H. Brown]

Tradução: Cristina Marucci

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